Em 07/05/2011 | Resenha - John Fogerty (Chevrolet Hall, Belo Horizonte, 07/05/11)

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Resenha - John Fogerty (Chevrolet Hall, Belo Horizonte, 07/05/11)

Por Max P. | Fonte: Rock Revista

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Em 2006 JOHN FOGERTY declarou que uma canção de rock’n roll precisa de quatro elementos para ser marcante: um bom título, um som de qualidade, uma boa melodia e uma grande performance na guitarra. Durante 116 minutos foi exatamente assim, com uma saraivada de canções marcantes, que JOHN e sua competente banda (Kenny Aronoff – bateria, Hunter Perrin – guitarra, James Intveld – Guitarra, Dave Santos – baixo, e Matt Nolen – teclados) levaram ao êxtase os mais de cinco mil fãs que lotaram o Ginásio Chevrolet Hall, em Belo Horizonte.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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A três semanas de fazer 66 anos e em excepcional forma, John simplesmente estraçalhou. Uma aula de rock’n roll talvez seja a definição mais adequada para o magnífico show do eterno vocalista do Creedence. O melhor do ano e um dos mais empolgantes que tive a oportunidade de assistir.

Pontualmente às 22h as luzes se apagaram e os acordes da tradicional “Hey Tonight” abriram o show. A recepção da platéia foi muito calorosa, realmente acima da média, e foi retribuída por JOHN com uma aditivada versão da sensacional “Green River”.

“Aditivada”, aliás, é uma palavra que dá bons contornos ao show. Se alguns músicos baixam tons para minimizar as mazelas do tempo sobre a performance, FOGERTY fez questão de cantar e tocar mais rápido, mais alto e com mais tempero. Há alguns meses um crítico musical escreveu algo como “John deve ter um pacto com o diabo para manter a mesma voz e a mesma energia durante quase 50 anos de carreira”.

Em seguida, JOHN me arrepiou pela primeira vez, lembrando agosto de 1969, quando o Creedence tocou em Woodstock. Citou Janis, Hendrix e seu amigo Carlos Santana e disse que quando voltou para casa, lembrando da chuva e do histórico festival, compôs a música que viria a seguir, a mágica “Who’ll Stop The Rain”. Incomparável...

Outra linda balada, “Lodi”, a country-roqueira “Lookin’ Out My Back Door” e a completamente rocker “Born On The Bayou” deram continuidade ao repertório predominante dos hits do Creedence. O desfile de clássicos era tão grande e emendado de forma tão rápida que sequer dava tempo de respirar.

FOGERTY foi muito simpático durante todo o show. Deu palhetas à platéia, fez piadas, posou para fotos com o pessoal que estava na cerca e conversou nos intervalos de todas as músicas. O brincalhão chegou ao ponto de colocar um capacete dos Stormtroopers de Guerra nas Estrelas, entregue por uma fã da pista, e andar como um zumbi desorientado.

Na sequência veio “Ramble Tamble”, o mais espetacular momento da noite. A canção é uma das mais virtuosas do Creedence e um dos melhores solos de JOHN, mas por aquelas circunstâncias inexplicáveis ficou relegada à condição de “b-side”. Os quase sete minutos marcaram um inesquecível duelo entre os solos de Fogerty e a pegada do ótimo batera Aronoff, levando a platéia ao delírio.

Em seguida, mais Creedence... As raízes da soul music afloraram na soberba “Midnight Special”, voltando a dar lugar ao country na alegre “Cotton Fields”.

Todas as influências de FOGERTY ficariam bastante visíveis ao longo da noite. Nos riffs, solos e conduções percebemos de que forma ritmos como o blues, a rockabilly e o rock, e caras como Jerry Lee Lewis, Little Richards, Carl Perkins, Elvis e Roy Orbison, tiveram sua parcela na criação do Creedence.

Só na décima música JOHN resgatou sua carreira solo, tocando a ótima “Don't You Wish It Was True”. Foi o tempo ideal pra galera respirar um pouco, já que na sequência o rock’n roll clássico voltou com tudo na sempre imperativa “Run Through The Jungle”.

A esplêndida “Long As I Can See The Light” lubrificou os olhos da platéia, amolecendo o coração de todos para “I Heard It Through The Grapevine”. O clássico do soul, transformado em rock’n roll, foi a plataforma de virtuose de toda a banda. Os solos se multiplicaram e a atmosfera do ginásio ficou completamente anos 70...

“Somebody Help Me” retomou o período pós-Creedence e também deixou uma impressão positiva. A música, do disco Revival (2007), apresentou ótimo peso e guitarras afiadas que agradaram a galera camisa preta.

Mais uma canção inesperada veio na sequência, quando a banda começou alguns acordes diferentes, mais roqueiros, mas que traziam na essência uma das minhas músicas favoritas. A arrebatadora balada “Wrote a Song For Everyone” me proporcionou aquele frio na barriga que faltava.

JOHN disse, então, que a próxima música seria uma das suas preferidas e que sempre o fazia lembrar de seus filhos. Surge o hino “Have You Ever Seen The Rain”, cantado em uníssono pela galera, emendado a uma versão bem rocker de “Pretty Woman”, do inesquecível Roy Orbison.

Quase sem parar inicia a pedrada “Keep On Chooglin’’’, outra pérola obscura do Creedence. JOHN apresentou uma performance toda particular de guitarra e harmônica, incendiando o público. Para muitos foi o maior momento do show.

“Down On The Corner” passou um pouco despercebida em todo o contexto, mas foi a ponte para que FOGERTY voltasse a empolgar, desta vez com “Good Golly Miss Molly”, de Little Richard. A música já havia sido gravada pelo Creedence no álbum “Bayou Contry”, em 1969, mas não tão roqueira, agora tocada com três guitarras frenéticas e mais violão e baixo na base.

“Bad Moon Rising” veio a seguir. Uma música simples, sem maiores atributos técnicos, mas cuja batida colocou todo mundo em movimento, dançando, sacudindo a cabeça ou a perna ou mesmo estalando os dedos.

O “encerramento” foi com um dos seus maiores sucessos solo, “The Old Man Down The Road”, de 1985, e com “Fortunate Son”, um dos mais famosos hinos contra a Guerra do Vietnã e definitivamente a música certa para fechar um show.

A volta para o palco foi impecável, também com músicas escolhidas à dedo: “Rockin’ All Over The World”, maior hit de JOHN, e “Proud Mary”, um dos pilares do Creedence.

Agradecimentos da banda, baquetas e palhetas atiradas à platéia, luzes acesas, música ambiente tocando, um dos roadies desmontando a bateria. Indícios de final de show, certo?

Errado! O público não arredou pé e gritou “Susie Q, Susie Q”, pedindo mais um retorno. Dois minutos depois, quando muita gente procurava as saídas, FOGERTY retornou e trouxe a banda à tira colo para a imprevista finaleira. No improviso, a banda cochichou, combinou e arrepiou a todos com uma versão irada de “Blue Suede Shoes”. Uma canção do Rei Elvis era realmente tudo o que poderia estar faltando “coroar” a noite.

Set list: Hey Tonight, Green River, Who'll Stop The Rain, Lodi, Lookin' Out My Back Door, Born On The Bayou, Ramble Tamble, Midnight Special, Cotton Fields, Don't You Wish It Was True, Run Trough The Jungle, Long As I Can See The Light, Heard It Through The Grapevine, Somebody Help Me, Wrote a Song For Everyone, Have You Ever Seen The Rain, Pretty Woman, Keep On Chooglin', Down On The Corner, Good Golly Miss Molly, Bad Moon Rising, The Old Man Down The Road, Fortunate Son. Bis 01: Rockin’ All Over The World, Proud Mary. Bis 02: Blue Suede Shoes.

Abaixo vídeo de “Who’ll Stop The Rain”, extraído do esplêndido DVD “Long Road Home”, de 2006. Infelizmente o meu vídeo desta canção ficou com uma qualidade bem abaixo do razoável. A mensagem da canção é que as performances de gênios como The Who, Joe Cocker, Janis, Santana e Hendrix poderiam até “parar a chuva”. Pois bem... Visualizando o belo céu azul desta manhã não tenho a menor dúvida que JOHN e o Creedence conseguiram e estão entre esses ícones imortais.

Abraços a todos!


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