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Iron Maiden (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 28/03/11)

Por Fernanda Lira | Em 06/04/11
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Após uma tentativa de show mal-sucedida no domingo, o que me rendeu custos extras, stress e um artigo polêmico aqui no site, era finalmente hora de conferir se a produção teria o mínimo de competência de pelo menos ter trocado a pseudo-grade para segurar a multidão de fãs.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Apesar de manter um pé atrás em relação a tudo, optei por chegar mais cedo para evitar problemas recorrentes. Pelo que me pareceu, não fui a única que teve essa idéia. Após um trânsito de quase três horas na Barra, cheguei à Arena e me surpreendi logo de cara com um dos primeiros resultados da provável tomada de atitude da Mondo Entretenimento: não havia fila! Perto da hora do show, a maioria dos pagantes já estava devidamente acomodada dentro da casa de show e isso não se devia ao fato de uma desistência em massa, como muitos imaginavam que ia acontecer. O que pude perceber foi que felizmente o público compareceu em peso, uma vez que, tanto a pista como as cadeiras de nível superior, estavam quase tão cheias como no dia anterior, o que significa que muitas pessoas souberam se virar com o famoso ‘jeitinho brasileiro’, arranjando entre trabalho e economias apertadas uma maneira de ver a Donzela.

Outra coisa que me deixou satisfeita foi o número de funcionários a mais disponibilizados pela casa. Contrariamente ao dia da catástrofe da grade, o que se via na segunda feira eram dezenas de pessoas a serviço do HSBC Arena, prontos para agilizar a entrada, dar informações e auxiliar o fã em qualquer dificuldade encontrada. Frente a tudo isso, não posso deixar de perguntar a mim mesma uma coisa: por que não fizeram isso no primeiro dia? Por que não colocaram logo de primeira uma grade decente e um atendimento beirando o organizado? Com certeza teriam evitado frustrações, gastos desnecessários e até processos.

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A noite só não ficou completa por um motivo: a banda Shadowside não pôde se apresentar novamente. Eles inclusive lançaram uma nota à imprensa explicando a situação, mas mesmo assim muitos ainda ficaram com vontade de ver a banda se apresentar, pois uma boa massa não havia conseguido na noite anterior. Uma pena, pois o show foi excelente. A jovem banda se mostrou muito competente e deixou claro o porquê foi digna de excursionar com o W.A.S.P. pela Europa há alguns meses atrás. No domingo apresentaram músicas de seus três álbuns, inclusive do que ainda nem foi lançado, o “Inner Monster Out”, que contará com diversas participações especiais, como a de membros do Dark Tranquility e Soilwork. Aliás, o grande destaque da curta, porém energizante apresentação deles ficou por conta de uma das músicas deste disco, a "Disrupted Reality", composição que mostra uma banda mais madura e agressiva, condizente com a postura deles todos no palco.

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Voltando ao show do Iron Maiden, o começo do show de segunda feira foi bem diferente do da noite anterior. Primeiro porque, felizmente, nenhuma grade cedeu, e segundo porque o público parecia ainda mais sedento em ver a banda ao vivo, gritando por ela em alto e bom som. Aliás, essa energia perdurou incessantemente pelo set inteiro, uma vez que os fãs cantaram em coro boa parte das músicas, das mais cadenciadas aos hits clássicos, e isso ficou visível desde o primeiro som, “The Final Frontier”, que me deixou impressionada: cada palavra foi entoada com muita propriedade pelo público. Tenho certeza que até aqueles muitos que criticaram o CD novo da banda deixaram, durante aqueles minutos, a implicância de lado e entraram no clima gostoso e contagiante da música.

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O palco, a não ser pelos backlines variados já típicos da banda, tinha uma composição bem diferente do comum para a banda, mas totalmente dentro da proposta do tema do último disco. Todos os componentes do palco tinham um misto de ar modernista com toques de ficção, e isso também se encaixa ao Eddie, que se transformou numa espécie de alien, bem parecido com aquela coisa aterrorizante do filme! Acho muito interessante quando as bandas inovam e mesmo assim não perdem a essência. Sem dúvida esse é um dos motivos que vem consagrando o Maiden ano após ano, mesmo depois de tanto tempo de estrada.

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Um ponto que foi polêmico desde o momento de sua revelação meses antes na internet foi a escolha do repertório. Eu esclarecerei minha opinião aqui, mas gostaria de enfatizar que entendo perfeitamente todos os diferentes pontos de vista que esse tópico gera. Muitos torceram o nariz devido ao fato de muitas faixas dos álbuns mais recentes terem sido tocadas, o que suprimiu a execução de vários clássicos. Eu, particularmente, adorei a decisão, afinal, quando se vê a banda um bom número de vezes, é muito legal poder vivenciar situações diferentes a cada apresentação, tornando cada turnê da banda singular. Para os headbangers de primeira viagem, eles mantêm os já indispensáveis hits como "Fear of the Dark" e "The Number of the Beast". Se eu fosse reclamar dessa escolha de set list, também acharia justo reclamar sobre o fato de eles nunca terem tocado jóias raras como "Alexander, the Great", por exemplo. O que eu quero dizer é que uma banda do porte do Iron Maiden não tem como fazer um set list que satisfaça todos os fãs, exatamente porque eles têm uma discografia extensa e recheada de sons maravilhosos e imperdíveis. Depois de já ter ouvido gente reclamar do set da turnê anterior, que contemplava a fase mais antiga, eu não tenho dúvida em afirmar que em impossível agradar a todos, a menos que a próxima turnê consista em shows de 40 horas, onde eles tocassem todos seus álbuns!

A única coisa que eu sugeriria à banda se tivesse a oportunidade de encontrá-los seria trocar algumas músicas escolhidas do último CD. Uma "Mother of Mercy" ali cairia como uma luva. Aliás, esse novo repertório foi o fator que proporcionou os pontos altos do show, que foram "Coming Home", porque com ela os membros transmitiram ao público exatamente a vibe da banda no momento atual, seja com cada acorde tocado perfeitamente, a atenção aos detalhes e tudo o mais, "Dance of Death", que me fez chorar por causa do clima incrível que ela causou naquele momento, com a concentração e devoção de cada músico, principalmente Bruce, que praticamente nos contou uma história através de seu show de interpretação, e, por fim a "Blood Brothers". Essa última, e todos devem concordar, foi mais tocante por causa do discurso de Dickinson sobre os ocorridos na Líbia e no Japão. Ele ressaltou que mesmo com todos os problemas que todos passamos ao redor do mundo, somos através do metal um só, ou irmãos de sangue, como o titulo da música sugere. Haja coração pra tantas sensações legais!

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Creio que não tenha nada de novo para comentar sobre a postura da banda: como sempre, a presença de palco é um show à parte. Nicko imponente e palhaço atrás de seu set enorme de bateria, Steve Harris (mestre) tocando absurdamente seu Fender e cantando bons trechos de suas composições, Adrian e Dave executando seus solos, mesmo quando levemente alterados, com maestria, Janick Gers com sua postura que chega a incomodar alguns fãs que o chamam de forcado e Bruce cantando com o coracão cada palavra das letras e sendo bem humorado sempre que podia, inclusive quando citou sobre as novas grades adquiridas pela produção!

Infelizmente, quando chegou a “Running Free”, chegou também o fim do show. Digo infelizmente porque desde o adiamento do show, achei que eles fossem nos presentear com uma ‘bônus track’ em recompensa a tudo o que passamos naquela noite infernal de domingo. Mas quando os assobios de "Always Look On the Bright Side of Life", do Monty Python, soaram, tenho certeza que ninguém reclamou, pois a noite tinha sido perfeita. Afinal, reafirmo aqui, noites inesquecíveis são o que o Iron Maiden sabe fazer de melhor!

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Agradecimento especial para Diego Pirozzi, meu companheiro carioca nas duas noites de show, seja com grade derrubada ou erguida!

Fotos: Fernanda Lira

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Sobre Fernanda Lira

Mora em São Paulo e cursa o 3º ano de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Atua na área como jornalista e fotógrafa há um bom tempo, colaborando com matérias para sites e outros meios especializados no gênero. Já foi redatora e assistente de edição da revista Rock Brigade e atualmente, além do Whiplash!, colabora para a rádio Heavy Nation da UOL. Tem 21 anos, e há mais de dez encara o metal não como um estilo de música, mas como um estilo de vida. Curte de Slayer a Stryper, de Motley Crue a Napalm Death, de Nightwish a Venom, enfim: aprecia desde a NWOBHM até o mais extremo do Death Metal.

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