Resenha - Marky Ramone's Blitzkrieg (Carioca Club, São Paulo, 03/11/10)

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Resenha - Marky Ramone's Blitzkrieg (Carioca Club, São Paulo, 03/11/10)


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Em uma noite de muito punk rock em São Paulo, a multidão se concentrou em frente ao Carioca Club. Era possível encontrar desde o mais simples apreciador até o “verdadeiro” punk (trajado com seu coturno, colete jeans e cabelo espetado). O show estava previsto para iniciar às 22h, porém não foi o que aconteceu.

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O problema começou já na fila, onde os seguranças da casa (como sempre, desprovidos de informações), não organizaram as pessoas para entrada e troca de ingressos, o que gerou um certo tumulto e desconforto entre os que haviam chegado mais cedo ao local. As informações passadas eram de que os responsáveis pela troca de ingressos, a empresa Ticket Brasil, estava atrasada, iria demorar a chegar e o real horário de início do show seria a meia-noite. Resolvido o problema da troca e organizada uma fila de entrada para os que já possuiam ingressos, o acesso à casa foi liberado.

Os primeiros da fila puderam entrar e assegurar seu lugar em frente ao palco, mas tamanha foi a surpresa quando se depararam com um corda (isso mesmo, uma corda!) no lugar da tão famosa grade. A maioria das pessoas ficaram um tanto quanto preocupadas, pois qualquer um com o mínimo de noção de shows (em geral, não só de punk rock) sabe que a aglomeração é feita em cima da grade na tentativa de estar mais próximo do palco. Uma tamanha irresponsabilidade, seja da organização ou da casa, pois além de a corda não ser suficiente para conter as pessoas, alguém poderia sair ferido. Claro que a corda não durou muito tempo, pois os seguranças não aguentaram segurar os agitados fãs da pista e a cortaram. Amadorismo de primeira.

Dentro da casa, como já é de conhecimento de muitos, o telão exibia mais uma partida de futebol. Jogaram Cruzeiro x São Paulo, com vitória do time paulista. Além disso, os presentes ainda acompanharam os gols dos outros jogos da rodada, os melhores momentos, os comentários, a classificação e o encerramento do programa que estava passando, tudo isso devido ao atraso de nada menos que 2:30 hs. Enquanto isso o som da casa tocava muito punk rock (OFFSPRING, RANCID, entre muitos outros), que até certo ponto manteve os fãs animados, mas em determinado momento o famoso canto “Hey ho – Let's go!” deu espaço para vaias e muito xingamento. A noite apenas começara.

Passou das 00h30 quando as luzes foram apagadas, o telão recolhido e o lendário MARKY RAMONE subiu no palco para saldar os fãs e dar início ao show. A formação contou ainda com MICHALE GRAVES (ex- THE MISFITS) nos vocais e EL TUCÁN – guitarra e NIÑO – baixo (ambos da banda LOS VIOLADORES), substituindo ALEX KANE e CLARE B respectivamente.

A banda começou o que seria uma avalanche de muito RAMONES acompanhado de algumas supresas, com a animada música “Rockaway Beach” que foi cantada em coro por todos. Passou por hinos do punk rock como “Psycho Therapy”, “Do You Wanna Dance”, “Sheena Is a Punk Rocker”, “Rock n' Roll Radio”, “Poison Heart”, “I Believe in Miracles”, a famosa “Pet Sematary”, “I Wanna Be Sedated”, entre muitas outras e encerrou a excelente primeira parte do show.

MICHALE GRAVES esteve muito à vontade no palco. Cantou com muita energia, pulou, correu, deu banho de cerveja na galera, recebeu todos os fãs que subiam ao palco para fazer o “mosh”, tirar fotos ou apenas aparecer, enfim, teve toda a platéia na mão. MARKY RAMONE não foi diferente, conduziu sua bateria da forma como sempre fez: com muita energia e empolgação. El Tucán na guitarra fez os clássicos dos RAMONES soarem perfeitos e Niño no baixo fez o acompanhamento que a banda precisava na cozinha e nos backing vocals.

No primeiro encore, para a supresa de todos, MICHALE GRAVES voltou sozinho e com um violão. Ninguém acreditou, mas ele realmente fez o que todos queriam: tocou algumas músicas da sua fase no THE MISFITS, em versão acústica, porém muito bem executadas. “Descending Angel”, “Scream” e “Saturday Night” deixou os fãs de Graves/Misfits bem satisfeitos, mesmo com o anúncio que só tinha espaço para tocar apenas essas três. Já tinha sido uma grata surpresa essa parte acústica do show, no entanto quando MARKY RAMONE e cia retornou ao palco, MICHALE GRAVES fez o que nem o fã mais otmistas poderia imaginar, perguntou se o público queria mais e executou uma das mais famosas música dele e do THE MISFITS, a poderosa “Dig Up Her Bones”. Foi o suficiente para os fãs, que na maioria estavam lá para vê-lo (fato comprovado pela imensa quantidade de camisetas do THE MISFITS que muitos usavam) agitarem muito e ficarem totalmente satisfeitos. Ainda teve “Where We Were Angels” (parceria de MARKY RAMONE e MICHALE GRAVES), e a tão conhecida “R.A.M.O.N.E.S” (gravada pelo MOTÖRHEAD) antes de fazerem mais uma pausa.

A banda voltou para o último encore e fechou o show com “What a Wonderfull Word” (versão do inesquecível ex líder do RAMONES, JOEY RAMONE) e a não menos famosa “Blitzkrieg Bop”. Na despedida MARKY RAMONE veio a frente do palco mais uma vez, agradeceu ao público, jogou suas baquetas, ao mesmo tempo em que MICHALE GRAVES cumprimentava os fãs e El Tucán e Niño distribuiam palhetas. O grupo deixou o palco para fechar uma noite regada a muito punk rock.

Set List:
1- Rockaway Beach
2- Teenage Lobotomy
3- Psycho Therapy
4- Do You Wanna Dance?
5- I Don't Care
6- Sheena Is A Punk Rocker
7- Havana Affair
8- Commando
9- Beat On The Brat
10- 53rd & 3rd
11- Rock n Roll radio
12- Now I Wanna Sniff Some Glue
13- Judy Is A Punk
14- Poison Heart
15- I Believe In Miracles
16- The KKK Took My Baby Away
17- Pet Sematary
18- Chinese Rock
19- I Wanna Be Sedated
20- I Don't Wanna Walk Around With You
21- Today Your Love
22- Pinhead

Encore 1:
23- Descending Angel (Graves Solo)
24- Scream (Graves Solo)
25- Saturday Night (Graves Solo)

Encore 2:
26- Dig up her bones (THE MISFITS Cover)
27- When We Were Angels
28- I Just Wanna Have Something To Do
29- Cretin Hop
30- R.A.M.O.N.E.S.

Encore 3:
31- Wonderful World (JOEY RAMONE Cover)
32- Blitzkrieg Bop

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Sobre Luciano Correa

Mais um do time dos músicos frustrados. Já teve sua banda de metal melódico - estilo preferido - no final dos anos 90, mas por motivos que incluem estudos e trabalhos, acabou se tornando um analista de sistemas na maior parte do tempo, mas não abandonando o metal por completo. Buscando recuperar o tempo perdido em relação ao Metal, passou a dedicar-se ao Whiplash! para estar sempre informado e envolvido com o estilo musical que une pessoas e gerações ao redor do mundo. Suas bandas preferidas vão desde Scorpions, Bon Jovi, Mötley Crüe, passando por Blind Guardian, Stratovarius, Sonata Arctica, Rammstein, até chegar em Metallica, Slayer, Pantera, Sepultura, entre muitas outras.

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