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Pennywise e Nitrominds (Circo Voador, Rio de Janeiro, 04/12/10)

Por Marcos Garcia | Em 06/12/10
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A Lapa, em um sábado à noite bem quente é um bairro extremamente convidativo, já que, como citado muitas vezes em várias resenhas de shows, é o bairro mais boêmio da cidade do Rio de Janeiro, com variedades de diversão para todos os gostos. E o Rock, mais especificamente o Punk/Hardcore, não poderia faltar, já que os veteranos do Hardcore californiano PENNYWISE, juntamente com os também veteraníssimos brasileiros do NITROMINDS escolheram esta data para a tour que ambas as bandas estão fazendo.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O Circo Voador mostrou-se um espaço bem democrático, pois além de um espaço improvisado para o pessoal praticante de skate (modalidade esportiva extremamente ligada ao Hardcore californiano), havia um stand da ONG Sea Shepherd (www.seashepher.org.br, que visa proteger e preservar os mares, da qual o atual vocalista do PENNYWISE, Zoli Téglás, faz parte e apoia de forma engajada, e este que vos escreve também dá apoio irrestrito. São momentos assim que mostram que o Rock é atitude, e estas atitudes levam-nos a crer que há futuro para o engajamento sócio-político-social no estilo, apesar de alguns alienados que teimam em achar e viver o contrário...

Abrindo a noite, o NITROMINDS desfilou um repertório bem abrangente de músicas de todos os seus discos, e uma boa parte do público presente agitou, pogou e cantou as músicas junto com eles, interagindo com a banda de forma bem harmoniosa.

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Com a segurança de muitos anos de experiência, o Hardcore/Crossover do trio é extremamente cheio de energia, garra, vida e personalidade, e a banda entra naquele time de quando um trio de músicos mais parece ter dez no palco!

André toca guitarra e canta com extrema desenvoltura, fora ter ótima comunicação com o público, esbanjando carisma e simpatia. O baixista Lalo é uma verdadeira casa de força, pois agita o tempo todo, faz backing vocals e ainda por cima, também se comunica muito bem com o público. Edu é um verdadeiro mestre nas baquetas, fazendo uma ótima base para as músicas e segurando bem o ritmo, sem contar que sua técnica de bateria é muito boa.

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‘Something to Believe’, ‘Fire and Gasoline’, uma nova, que estará em seu disco novo, que sai em 2011, e o autêntico hit ‘Policemen’ levaram o público ao delírio, e uma pena que tiveram apenas 40 minutos, pois ficou aquela sensação ‘We Want More’ após eles saírem. Esperamos vê-los mais e mais vezes, óbvio!

A dúvida que atormentava o público presente há tempos, que era ‘será que Zoli poderia substituir Jim?’, após algum tempo de breve espera, foi respondida, pois o PENNYWISE subiu ao palco, e pode-se constatar que o público presente era algo assustador: O Circo Voador estava abarrotado, pois não havia espaço na parte superior, ou mesmo na parte de frente para o palco.

Zoli é um excelente vocalista, com personalidade suficiente para impor seu estilo, fora excelente postura no palco, não parando quieto em momento algum, cantando todas as músicas com desenvoltura. Tendo ainda o experiente guitarrista Fletcher Dragge nas guitarras, que não para um minuto sequer e se comunicava muito com o público, Randy Bradbury no baixo, um pouco mais parado que Zoli e Fletcher, mas igualmente energético, e Byron McMackin na bateria, que é um mestre em sua simplicidade, a banda levou o público à histeria coletiva, pois não havia uma viva alma (ou morta) que conseguisse ficar apática e sem se mexer ali.

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Imensas rodas de pogo, slam diving (ou mosh, como preferirem), muitos subiam no palco, cantavam nos microfones, sem atrapalhar a banda, e uma banda que toda hora mostrava duas características que andam em falta no meio roqueiro de hoje em dia: ATITUDE e ENGAJAMENTO SOCIAL, pois Zoli e Fletcher toda hora chamavam a atenção para causas sociais, inclusive levando um dos membros da Sea Shepherd que foi citada antes ao palco, com a bandeira da ONG.

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O PENNYWISE estava à vontade, toda hora agradecendo aos presentes pela recepção e elogiando o público, inclusive em um momento, Zoli perguntou ao público quem era fã de Hardcore, de Metal, de Punk e saudou todos, numa mostra de educação e respeito acima do esperado, fora algumas piadas, mostrando um bom humor que anda sumido, jogando para o alto o escudo defensivo que algumas bandas grandes tendem a chamar de ‘profissionalismo’.

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‘My Own Country’, ‘What If I’, ‘Peaceful Day’, ‘Fuck Authority’, ‘Something to Live For’ e muitas outras foram um set ótimo, cantadas por todos, e ao final, durante o bis, a banda chama o público, e o palco é tomado por fãs, que sobem, coroando uma noite ótima, e que sirva de exemplo para muitos fãs de outros estilos, que em geral, preferem ficar em casa, reclamando do mundo e dizendo que tudo está ruim. Mas uma pergunta fica: Quem fica em casa tem direito de reclamar?

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Sobre Marcos Garcia

Nascido em 1970, sendo que ouve Rock desde os 5 anos e Metal desde os 13, se dedicando ao Heavy Metal e Rock e todas as suas vertentes. Bacharel e Licenciado em Física, baixista, professor, escritor e colaborador de sites e zines, aprecia todas as subdivisões de Metal, tem sempre carinho pelas bandas nacionais mais jovens e desconhecidas, e acredita no Underground como forma de cultura alternativa à regras sociais tradicionalistas. Sem perder suas raízes, calcadas em Iron Maiden, Black Sabbath e Mercyful Fate/King Diamond, ouve de Bon Jovi a Marduk, de Jethro Tull a Angel Corpse.

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