God Save the Queen: experiência única em Porto Alegre

Resenha - God Save the Queen (Opinião, Porto Alegre, 03/12/2010)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Em uma noite típica do verão gaúcho, os argentinos do GOD SAVE THE QUEEN retornaram à capital para prestar uma segunda homenagem a um dos maiores ícones do rock inglês em 2010. A promessa de chuva não afastou o público que compareceu em peso para conferir uma nova retrospectiva dos maiores clássicos do QUEEN – bastante diferente do repertório apresentado no primeiro semestre do ano.

Fotos: Liny Rocks (http://www.flickr.com/photos/linyrocks)

Com um atraso mínimo, às 21h13 Pablo Padin (vocal), Francisco Calgaro (guitarra), Ezequiel Tibaldo (baixo) e Matis Albornoz (bateria) subiram ao palco do Opinião ao som de um trecho mais agressivo de “Bohemian Rhapsody”. A banda, que é considerada um dos tributos mais importantes do QUEEN no mundo inteiro, iniciou o show de fato com as animadas “Radio Ga Ga” e “Hammer to Fall” – retiradas do clássico “The Works” (1984) – e que contaram com o apoio incondicional dos presentes.

Não há dúvidas de que a apresentação do DIOS SALVA A LA REINA – nome com o qual a banda foi batizada no seu país de origem – executa uma cópia extremamente aproximada aos espetáculos realizados pelo QUEEN na década de oitenta. Os mínimos detalhes não são esquecidos. A primeira impressão que vem à cabeça sobre o quarteto argentino é que o verdadeiro Freddie Mercury é quem comanda o GOD SAVE THE QUEEN sobre o palco. Pablo Padin reproduz assustadoramente a voz do cantor sem abrir mão do vestuário peculiar e do modo de se movimentar em cena.

Na sequência, os argentinos trouxeram ainda “A Kind of Magic” e “Another One Bites the Dust” – que comprovaram o enfoque dado à década de oitenta pelo GOD SAVE THE QUEEN ao show. No entanto, músicas dos anos anteriores marcaram uma presença até que notável no repertório – como a interessante “Bicycle Race” – retirada do disco “Jazz” (1978). Com Padin no teclado, o quarteto executou antes a balada “Play the Game” para a satisfação de muitos fãs verdadeiramente empolgados com o espetáculo.

Embora não possua uma postura ríspida ou não-carismática, o quarteto portenho executou quase todas as músicas do QUEEN praticamente sem intervalos para conversar ou interagir com a plateia. De qualquer forma, os presentes pareciam estar nas mãos dos músicos, sobretudo na execução dos maiores clássicos da banda inglesa. Na agitada “Under Pressure”, o DIOS SALVA A LA REINA contou com um suporte incondicional dos fãs. De outro lado, a balada “Save Me” – que contou com Francisco Calgaro e a sua típica cabeleira à Brian May ao piano – trouxe intensidade ao espetáculo impecável dos argentinos até o momento.

De volta com o que há de mais rock n’ roll na trajetória do QUEEN, a banda portenha executou “I Want it All” – muito aplaudida pelos presentes que acompanharam Pablo Padin no refrão. Da mesma forma, “Who Wants to Live Forever” agradou cada um dos fãs que compareceram ao Opinião. Entretanto, o maior momento do show veio na sequência do espetáculo. A dupla Pablo Padin e Francisco Calgaro apresentou o provável maior sucesso do QUEEN – “Love of My Life”. A música, que chegou a ser cantada em uníssono no seu refrão, criou um ambiente extremamente adequado para outro sucesso – “Somebody to Love” – que levou Padin novamente ao piano.

Embora nitidamente pouco conhecida entre os presentes, “Death on Two Legs” (a abertura de “A Night at the Opera”, 1975) mostrou a versatilidade do GOD SAVE THE QUEEN em passear por composições mais peculiares ou diferenciadas da banda inglesa. A interessante música antecedeu um pequeno solo do guitarrista Francisco Calgaro. Na sequência, “Now I’m Here”, do ótimo “Sheer Heart Attack” (1974), e “I Want to Break Free” – outro destaque absoluto na apresentação do quarteto portenho e na carreira do grupo homenageado. No entanto, Padin não entrou em cena com a inesquecível roupa feminina que Freddie Mercury utilizou no videoclipe – mesmo que muitos tenham contado com isso nos primeiros acordes no piano da música.

Com apenas Pablo Padin no palco, o DIOS SALVA A LA REINA executou “Crazy Little Thing Called Love” – outra música por qual o público gaúcho parece guardar bastante carinho. Embora tenha animado bastante os presentes, nada se compara com a resposta que os argentinos obtiveram com a clássica “Bohemian Rhapsody”, que encerrou em nível altíssimo a primeira parte do show. Não há nenhum deslize que possa ser mencionado quanto a performance dos músicos portenhos na composição que é um dos maiores hinos do rock n’ roll de todos os tempos.

De volta para o bis, o GOD SAVE THE QUEEN emendou a agitada “Tie Your Mother Down” (que abriu último espetáculo na capital gaúcha no primeiro semestre) e a certeira “We Will Rock You” – que chegou a ser insistentemente pedida pelos presentes no intervalo em que a banda esteve fora do palco. Pablo Padin, que usava uma bandeira da Argentina e uma do Brasil em volta do corpo na parte final do show, retornou para a derradeira “We are the Champions” com a vestimenta medieval da nobreza europeia – que remente diretamente ao nome da banda inglesa homenageada.

Com exata 1h35 de espetáculo, o quarteto argentino comprovou porque é a banda mais cultuada entre as que prestam uma sincera homenagem ao QUEEN no mundo inteiro. Certamente, o show do GOD SAVE THE QUEEN é surpreendente e imperdível para quem é admirador de Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e de Roger Taylor. A experiência é única.

Set-list:

01. Radio Ga Ga
02. Hammer to Fall
03. A Kind of Magic
04. Another One Bites the Dust
05. Play the Game
06. Bicycle Race
07. Under Pressure
08. Save Me The Game
09. I Want it All
10. Who Wants to Live Forever
11. Love of My Life
12. Somebody to Love
13. Death on Two Legs
14. Now I’m Here
15. I Want to Break Free
16. Crazy Little Thing Called Love
17. Bohemian Rhapsody
18. Tie Your Mother Down
19. We Will Rock You
20. We are the Champions

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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