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Resenha - Andre Matos (Teatro Odisséia, Rio de Janeiro, 12/09/10)

Injustiça. Esse é o sentimento que fica após presenciar tamanho profissionalismo em mais uma apresentação da banda de Andre Matos na capital fluminense.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Ao longo da tarde, uma pequena quantidade de fãs fiéis deu origem a duas grandes filas – sendo uma para quem não possuía ingresso - que só cresceria no decorrer do dia. As dependências do local (o simpático Teatro Odisséia, até então desconhecido pela maioria, mas que aos poucos vem abrindo suas portas para a música pesada) ficariam claramente lotadas.

Diga-se de passem, apesar da péssima acústica, o lugar se mostrou uma escolha acertada para a banda – principalmente se comparado a Niterói e Campo Grande, locais de não tão fácil acesso, em detrimento da Lapa, que fica na Zona Central da cidade. Um oásis no meio da bagunça musical que a Lapa promove, no geral.

Com certo atraso, os portões se abriram. A banda de abertura, a local Empürios, baseou seu set em composições próprias que integrarão o seu debut “Cyclings”, a ser lançado no próximo ano. Apesar de desconhecida pela maioria das pessoas ali presentes, deixou uma impressão muito positiva, com um som bem intrincado e cercado de competência individual (além de simpatia por parte dos integrantes).

E eis que, após um rápido trabalho por parte dos roadies (também ovacionados , em especial por meio de apelidos), o show teve seu característico início com “Leading On” – faixa de abertura do álbum mais recente, Mentalize (2009). O público, evidentemente, foi à loucura com a seqüência que ainda incluía a marcante “I Will Return”, futuro clipe da banda.

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“Essa é para vocês”, indicou Andre – como de costume - antes da aclamada “Rio”, cantada em uníssono. Desnecessário citar que as faixas de Time to Be Free já se tornaram clássicas absolutas e estão na ponta da língua de todos. Mais ou menos o que aconteceu na seguinte, “Mentalize”, pesada e ideal para ser executada ao vivo.

“Fairy Tale”, habitualmente aplaudida por ter sido um enorme sucesso, foi um espetáculo à parte. Durante a tradicional pausa no início da canção, a platéia começou a cantar “Parabéns a Você” para Andre Matos, que estaria fazendo aniversário dois dias depois. Certamente um momento muito emocionante, que rendeu um sincero agradecimento por parte do vocalista, que citou a apresentação do dia anterior (em Brasília, no festival Porão do Rock) e chamou o público de “exemplo”. “Só aqui no Rio mesmo, hein” – disse ele, com uma visível alegria em seu rosto . A reação dos cariocas foi imediata.

A energética “How Long” marcou presença, assim como o “Viper Medley” (Living for the Night/A Cry From the Edge), que sempre é muito aguardado pelos fãs (prinpalmente pelos mais saudosistas). Uma necessária pausa foi dada para um solo de guitarra, capitaneado pelo excelente Andre “Zaza” Hernandes, que logo depois teve a companhia de Hugo Mariutti, praticamente o segundo frontman da banda.

Rapidamente, “Separate Ways”, cover do famoso hit do Journey, surgiu como uma avalanche. O mesmo pode ser dito sobre a clássica do Angra, “Lisbon”, sempre bem recebida e presença obrigatória nos shows desde que foi lançada.

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Mais um solo, desta vez de bateria, foi executado pelo já veterano Eloy Casagrande. Momentos como esse sempre geram muitas discussões, porém a inegável competência do jovem impressionou até mesmo quem não se interessa pelo instrumento.

Uma surpresa em relação à ultima vez em que vieram – muito bem-vinda, diga-se de passagem – foi a inclusão de altamente ovacionada “Holy Land” no lugar de “Powerstream”. Apesar da última ser muito boa, a sede por clássicos era evidente, visto que o setlist atual dos paulistanos privilegia os trabalhos mais recentes do grupo. Antes dela, inclusive, executaram com maestria “Letting Go”, a já considerada “nova Carry On”.

A “original” viria logo a seguir, causando o habitual furor na audiência, já que foi um tema que marcou a vida de muita gente. Destaque para a performance do sempre impressionante Fábio Ribeiro (teclados).

Uma jam entre os músicos (com direito a “Another One Bites the Dust” do Queen!), além da apresentação dos membros da banda (inclusive o novo baixista, Bruno Ladislau, carinhosamente apelidado de “Judas”) e da equipe técnica precederam o corriqueiro encerramento com “Endeavour”. A música, que apesar de recente também já pode ser considerada um clássico, sempre emociona e provoca um efeito muito interessante com cada componente saindo aos poucos até restar apenas o vocalista - certamente o melhor fim de show da carreira deles.

Ao se assistir um show deles, a sensação de “injustiça” abordada no início da resenha fica muito evidente. É difícil entender o que diabos acontece com o Metal nacional, pois músicos de um calibre tão alto e extremamente solícitos aos fãs (chegaram a dar autógrafos após o show e ainda tirar fotos) deveriam estar tocando em casas de show maiores e muito mais estruturadas. É uma pena, resta torcer para que a situação melhore e que a comunidade como um todo (fãs, promotores e músicos “picaretas”) tomem vergonha na cara.

Parabéns a todos que tornaram essa noite possível. Mais uma vez, a banda Andre Matos fez um show de altíssima qualidade (tal qual ocorreu em 2008 e 2009) e não decepcionou os cariocas, fluminenses e pessoas de outros estados que vieram apenas para ver o show. Que a próxima vez chegue logo!

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