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Simple Minds (Teatro do Bourbon Country, Porto Alegre, 22/08/10)

Por Paulo Finatto Jr. | Em 03/09/10
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Em um domingo de calor bastante atípico para o mês de agosto, os escoceses do SIMPLE MINDS se apresentaram pela primeira vez na capital gaúcha. A banda, que divulgava a turnê do álbum “Graffiti Soul”, aproveitou a oportunidade para relembrar cerca de mil espectadores sobre os maiores clássicos do rock/new age da década de oitenta.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fotos: Liny Rocks

Depois de cancelar a sua sequência de shows pelo Brasil em 2009, a banda escocesa agendou quatro datas para a versão nacional da Graffiti Soul World Tour 2010. As apresentações – que passaram por São Paulo (17), Rio de Janeiro (19) e Brasília (21) – se encerraram no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre (22). Com meia hora para o início do show, uma fila grande em frente à bilheteria indicava que um bom número de fãs deixou para comprar o ingresso na última hora.

Jim Kerr (vocal), Charlie Burchill (guitarra), Eddie Duffy (baixo) e Mel Gayner (bateria) – juntamente com os músicos convidados Andy Gillespie (teclado) e Sarah Brown (vocal de apoio) – subiram ao palco do Teatro do Bourbon precisamente às 20h21. Com um trecho da faixa instrumental “Theme for Great Cities” usada como introdução para o espetáculo, o sexteto entrou em cena sob luzes coloridas em “Sanctify Yourself”, música do disco “Once Upon a Time” (1985). Com mais de trinta anos de carreira, o SIMPLE MINDS esbanjava carisma e comprometimento com a performance ao vivo.

Embora muitas músicas do repertório da banda sejam desconhecidas pela maioria dos fãs gaúchos, inegavelmente os escoceses souberam transformar faixas de pouco apelo em grandes momentos da apresentação. “Sanctify Yourself” perdeu a roupagem new age oitentista para se transformar em uma composição mais rock n’ roll e de instrumental pesado e até mais estendido. A experiência de quinze álbuns gravados e de quase dois mil shows contribuiu bastante para que o SIMPLE MINDS ganhasse a plateia de vez em “Stars Will Lead the Way” – faixa retirada do mais recente álbum – entre momentos de puro rock n’ roll e acenos para os fãs que fotografavam os músicos em ação.

“Waterfront” – do clássico “Sparkle in the Rain” (1984) – veio na sequência para ser a primeira composição ovacionada pelo público no início da sua execução. A plateia, nitidamente de mais idade se comparada com a presenciou diversos outros shows em Porto Alegre nesse ano, aplaudia e dançava ao som das tradicionais “See the Lights” e “Big Sleep”. Na continuidade do espetáculo, “Mandela’s Day” pode ser definida como um momento à parte no show do SIMPLE MINDS. Com a bandeira da África do Sul recriada com as luzes do palco, Jim Kerr entoou uma das músicas de maior preocupação política do grupo. Além disso, o swing da faixa animou todos os presentes.

De qualquer maneira, há um fato curioso na apresentação: no repertório não há nenhuma música do álbum “Life in a Day” (1979) – o primeiro registro do SIMPLE MINDS –, que completou em 2009 trinta anos. A banda, que se apresentou pela primeira vez no Brasil durante o Hollywood Rock (1988), mostrou ainda faixas mais recentes ao público gaúcho, como a nova “Moscow Underground” e “Hypnotised”, do “Good News from the Next World” (1995). Apesar do esforço em misturar as características típicas do rock/new age de duas décadas atrás com influências mais pesadas e atuais, não houve como consolidar uma interação marcante com o público.

De modo curioso, “Someone Somewhere in Summertime” contou com o apoio da plateia, que vibrou desde os primeiros acordes da faixa – mesmo não sendo uma das principais composições do SIMPLE MINDS. Depois da balada com ótimas referências de teclado, os escoceses trouxeram a animação de volta ao Teatro do Bourbon com “Once Upon a Time”, antes de “One Step Closer” e o hino absoluto “Don’t You (Forget About Me)”. O maior clássico do SIMPLE MINDS foi alongado para que a plateia pudesse cantar junto com Kerr – em muitos momentos além do refrão – por mais tempo. Certamente, uma parcela dominante da plateia aguardava esse momento.

Em dois minutos após o encerramento formal do espetáculo, o SIMPLE MINDS retornou em cena para a sequência final. Jim Kerr – um perfeito frontman – agradeceu bastante o público presente antes de emendar as felizes “Let there Be Love” e “Rockets”. Entretanto, os fãs sacudiram mesmo a estrutura da casa em “Alive and Kicking”, outra faixa extremamente conhecida. A sua versão – igualmente estendida – serviu para que a plateia participasse calorosamente (e pela última vez) junto aos escoceses.

Com exata 1h25 de duração, o show do SIMPLE MINDS pode ser dividido em dois momentos bem distintos: as músicas clássicas e famosas (em que os fãs agitaram e cantaram junto com a banda) e as músicas desconhecidas (em que a plateia apenas dançou timidamente ao som do rock/new age do grupo). No entanto, a terceira turnê do quarteto escocês pelo Brasil mostrou que os caras estão em grandíssima forma – quem sabe até melhor ao vivo – do que no início da sua trajetória em 1978.

Set-list Simple Minds:

01. Sanctify Yourself
02. Stars Will Lead the Way
03. Waterfront
04. See the Lights
05. Big Sleep
06. Mandela Day
07. Moscow Underground
08. Hypnotised
09. Someone Somewhere in Summertime
10. Once Upon a Time
11. One Step Closer
12. Don’t You (Forget About Me)
13. Let there Be Love
14. Rockets
15. Alive and Kicking

www.diaderock.com.br: Veja as fotos de quem foi no show e compartilhe as suas.

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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