Viagem para São Paulo, 60 reais. Ingresso para o show do Aerosmith na arquibancada, 150 reais. Ver o Aerosmith tocando "Kings and Queens" e "Toys In The Attic" na mesma noite, não tem preço...
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Mas antes, ressaltemos: a abertura dos gaúchos do Cachorro Grande foi muito boa. Após ficar ouvindo tanta musiquinha ruim que nos foi empurrada pelos DJs que teoricamente teriam que aquecer o público, foi uma dádiva ouvir 45 minutos de rock de verdade antes do Aerosmith. E parabéns a eles ainda por terem ganho o respeito de um público que não é o deles...
Pois bem, passados cerca de 15 minutos das 9:30 (horário previsto para o início do show), o logo do quinteto bostoniano toma conta do palco ao mesmo tempo em que ouvimos Bob Dylan cantando que todos devem estar chapados, ouvimos os toques percussivos de "Eat The Rich". Começa então a avassaladora apresentação do Aerosmith, esbanjando carisma, vitalidade, e, porque não dizer também, saúde? Crises internas, câncer, depressão, dependência de drogas... nada parece deter esses caras, que como um bom vinho só melhoram com o passar dos anos...
Para dar um primeiro ataque cardíaco nos fãs mais antigos, a segunda música apresentada é nada mais nada menos que "Back In The Saddle", com Joe Perry empunhando um baixo de 6 cordas e Steven Tyler atingindo agudos celestiais... A sequência com "Love In An Elevator" serviu para ganhar o público de vez.
Rebatendo qualquer tipo de crítica que pudesse surgir, o Aerosmith fez uma apresentação impecável. E conseguiu o que parecia impossível: agradou gregos e troianos. Agradou aos fãs da chamada "era MTV" da banda, desfilando os grandes hits desta fase (e tome "Livin' On The Edge", "Cryin'", "Crazy", "Jaded", "Pink"...). E agradou mais ainda aos fãs verdadeiros da banda, aqueles que gostam de todas as fases, principalmente a fase inicial.
Da década de ouro do grupo, os anos 1970, vieram as obrigatórias "Dream On", "Sweet Emotion", "Draw The Line", "Walk This Way"... veio também "Lord Of The Thighs", do segundo álbum da banda, "Get Your Wings", que vem sido tocada bastante nesta mini excursão pela América Latina... Encerraram o show com a porrada "Toys In The Attic", faixa título de seu melhor álbum... Mas garantiram um ataque cardíaco definitivo nos fãs da velha guarda quando Steven Tyler anunciou que iriam fazer um som composto por volta de 1977, que vive sendo pedido a eles: e o que se ouve a seguir é simplesmente "Kings And Queens"... a reação deste que vos escreve foi gritar em alto e bom som "Puta que o pariu!!!". E enquanto cantava cada estrofe deste clássico, reparava na cara de interrogação de um grupo de garotas de 16 anos sentadas atrás de mim e minha esposa, que nem sequer sonha que esta canção faz parte de um certo álbum chamado "Draw The Line", cujas fitas master de gravação quase foram perdidas por Joe Perry, que usou seus estojos de transporte para esconder drogas e quase jogou as benditas fitas no lixo...
Foram quase duas horas de uma verdadeira aula de rock and roll. Steven Tyler mostrou do alto de seus 62 anos estar com a voz melhor do que nunca, continuando berrando cada agudo, cantando cada palavra com uma afinação de dar inveja a muito pupilo por aí. Joe Perry demonstrou a uma geração que entre jogar "Guitar Hero" e tocar de verdade uma guitarra existe um abismo gigantesco. Brad Whitford também brilhou, com vários solos excelentes, provando que não é nem nunca foi sombra de Perry. E Tom Hamilton e Joey Kramer esbanjaram saúde e precisão na cozinha.
Esperamos que não seja preciso esperar mais tantos anos pelo retorno da banda. E ficou claro para todo mundo: o Aerosmith ainda tem muita lenha pra queimar...
Set List:
"Eat The Rich"
"Back In The Saddle"
"Love In An Elevator"
"Falling in Love (Is Hard On the Knees)"
"Pink"
"Dream On"
"Livin' on the Edge"
"Jaded"
"Kings and Queens"
"Crazy"
"Cryin'"
Joey Kramer - solo de bateria
"Lord Of The Thighs"
Joe Perry - solo e duelo com "Guitar Hero"
"Stop Messin' Around"
"What It Takes"
"Sweet Emotion"
"Baby, Please Don't Go"
"Draw The Line"
bis
"Walk This Way"
"Toys In The Attic"
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Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.
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