Em 06/03/2010 | Resenha - John Mayer (Toyota Center, Houston, 06/03/10)

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Resenha - John Mayer (Toyota Center, Houston, 06/03/10)


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Em turnê de divulgação de seu ultimo disco de estúdio, o Pop-Conceitual (sim, um álbum conceitual) “Battle Studies”, John Mayer apresentou-se em Houston, no Texas, tocando seus novos e antigos sucessos, além das costumeiras “covers”.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Vale a pena começar por um detalhe que acontece em todos os concertos nos Estados Unidos: a organização. Nos arredores do Toyota Center a ultima coisa que se imagina (para nós brasileiros) é que vai acontecer um concerto com ingressos esgotados de um grande nome da música atual. Nada de imprensa, “banners”, filas e nem congestionamento; e isto acontece em todos os concertos nos E.U.A. incluindo concertos de nomes como Metallica, Van Halen e Foo Fighters. O sistema de ingressos dispensa a impressão antecipada e o envio do ticket pelo correio, e conseqüentemente o extravio e roubo. Basta comprar pela Internet ou na bilheteria do local que o seu cartão de crédito ficará gravado para ser usado na entrada do evento, momento que o ingresso é impresso. Dentro do ginásio os banheiros são limpos, cadeiras estofadas e numeradas, restaurantes e lanchonetes espalhadas e a única fila encontrada era a do “merchandise” que, diga-se de passagem, era muito brega.

Indo ao que importa, o show de abertura ficou na responsabilidade do veterano Micheal Franti e sua banda Michael Franti & Spearhead. Com uma mistura de Hip-Hop, Rock & Reggae bem energética, bem executada e com muita presença de palco a banda de San Diego simplesmente fez com que os lugares vazios das pessoas que estavam “fazendo um lanchinho” rapidamente fossem preenchidos para conferir o que estava acontecendo. A banda levantou o publico e aproveitou bem o seu espaço. Michel Franti correu o ginásio todo cantando entre o publico e depois chamou as crianças presentes (que eram muitas) para cantar a animada música “Say Hey (I Love You)” com ele no palco. São poucos os shows de abertura com uma qualidade e interatividade com o publico como este teve. O Sr. Franti entregou uma responsabilidade muito grande para o astro da noite, o que me fez lembrar o que o Frejat aprontou com o Eric Clapton no Brasil em 2001.

Após o show de abertura o palco foi fechado com um véu que deixava transparecer o palco e toda a movimentação nele. Com algumas projeções sobre o véu, John Mayer e sua banda sobem ao palco e abrem o show com Heartbreak Warefare” do seu último álbum. Com a guitarra cheia de efeitos “à La U2” John Mayer já tinha botado o publico todo de pé, que assim permaneceu até o final.

A banda de apoio é sem dúvida uma das melhores banda de apoio já vista, pois além dos fiéis e excelentes David Ryan e Robbie McIntosh nas guitarras, conta também com o lendário Steve Jordan nas baquetas. John Mayer derramou elogios durante a noite inteira para a banda que nas suas palavras é a formação que mais curtiu sair em turnê.

O palco contava com um imenso telão de LEDs, que variava as imagens entre animações, público e músicos, além de uma iluminação robótica que “flutuava” sobre o palco e trocava de configuração a todo instante. O som estava muito bem equalizado em todos os cantos do ginásio.

Logo de cara nota-se que as músicas do novo álbum soam extremamente incríveis ao vivo, com muito mais energia e soando menos “Pop”. Todas elas tiveram solos adicionados e prolongados (assim como todas as músicas tocadas). Entre elas o destaque ficou para ”Assassin”. Para tocar esta música, que é umas das mais sombrias de Mayer, ele sai do palco e volta com uma guitarra Ernie Ball “Axis”. Mayer é conhecido por tocar sempre com suas famosas “Stratos” e ES-335, além do que o timbre da “Axis” foge do estilo “Blues” de John sendo uma guitarra criada pelo Eddie Van Halen para dar conta de suas “acrobacias”. Pois nesta música ele realmente fugiu do seu estilo e tocou de forma muito mais pesada e utilizando técnicas de “tapping-harmonics” e “two-hands”, fazendo transparecer seu interesse recente pelo estilo “EVH” (note que um pedal “Phase 90 EVH” faz parte do seu “set-up” assim como existem diversos vídeos dele na Internet tocando “Panama” do Van Halen).

As “covers” que contaram com “Crossroads” de Robert Johnson, “Free Falling” de Tom Petty, “Ain’t No Sunshine” de Bill Withers foram tocadas de forma fabulosa nas releituras que John Mayer faz destas músicas, porém foi convocando o público presente a serem os “inocentes do amanhã” que “Don’t Stop Believing” do Jouney se tornou um dos momentos mais emocionantes do show fazendo o público cantar junto a todo pulmão.

“Waiting On The World To Change” era presença mais do que certa e contou ainda com a participação especial de Michael Franti, que foi anunciado por Mayer como seu “new best friend”.

“Why Georgia” com seu estilo “Dave Mathews” com violao bem tocado e alegre fechou o show antes do biz mantendo o astral bem alegre do público.

O véu se fechou novamente (não dá pra chamar de cortina) e o “biz” começou com “Who Says”. Durante toda a música o véu permaneceu fechado, parecendo no inicio que estava acontecendo um momento “Spinal Tap”, porém sobre o véu estavam sendo projetados vídeos de John Mayer em momentos descontraídos com amigos e banda.

Para fechar o show nada como uma “chave de ouro” e Gravity foi com certeza a melhor performance da noite, sendo a mais “bluseira” com direito a um solo muito longo de guitarra com John Mayer colocando a guitarra no chão para tocá-la. A guitarra aliás era uma Stratocaster preta (aonde ainda tinha tinta) no melhor estilo “quanto mais surrada e velha melhor”.

Por falar em guitarras, parecia um desfile de guitarras tamanho foi o numero de guitarras tocadas por Mayer, Ryan e McIntosh. Basicamente toda música foi tocada por uma guitarra diferente.

Realmente o que se vê é que John Mayer está conseguindo uma coisa que a muito tempo não se vê: popularizar boa música, principalmente Blues e botar a guitarra de novo no alto do pedestal. O publico era bem variado e é sabido que muitas das pessoas ali presentes não estavam atrás especificamente de um gênero musical ou de um grande guitarrista, mas sim pelos sucessos de Mayer, mas não resta duvida que todos ficaram de boca aberta com a habilidade nas seis cordas demonstrada por ele durante o show.

Mayer é conhecido também por ser um dos “tagarelas” em shows, porém toda vez que discursou ele acertou na provocação e ganhou o carinho e a empolgação do público. Primeiramente e ele disse que iria tornar o ingresso de todos naquela noite um espécie de remédio para os dias ruins; uma troca: “vocês pagaram o ingresso e eu vou dar o melhor Sábado da vida de vocês. Quando tudo estiver ruim olhem para este ingresso e se lembrem deste dia feliz”. Depois ele marcou o “touch-down” quando mostrou o passaporte texano dele dizendo o quanto ele ama o Texas e que ele leva o passaporte com ele para todos os lugares que ele vai. Os texanos que são bairristas como os gaúchos (isto é um elogio, sou paulista mas moro no RS) se renderam completamente a ele.

O show foi perfeito? Não. Faltou “Slow Dancing in a Burning Room” com seu maravilhoso timbre de guitarra e solos. Porém o show não deixou de ser inesquecível e a promessa do “ingresso milagroso” foi cumprida, pelo menos para mim e minha esposa.

Set-List:
Heartbreak Warfare

Crossroads

Vultures

Something’s Missing

Perfectly Lonely

Assassin
Comfortable

Free Falling
(Tom Petty)
Waiting On The World To Change

Ain’t No Sunshine
 (Bill Withers)
Bigger Than My Body

Half of my Heart
Don’t Stop Believing (journey)
Why Georgia

Biz:
Who Says

Gravity

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Sobre Franz Kellermann

Paulista, mas de coração gaúcho, é fã de Queen, Pink Floyd, Rush, U2, Van Halen e Metallica. Técnico em eletrônica, adora explorar novidades tecnológicas, principalmente se estiverem relacionadas ao mundo musical. Rock, guitarras, processadores de efeitos, amplificadores e grandes guitarristas são os assuntos que o deixam facilmente falando por dias sem parar. Considera-se a pessoa mais sortuda do universo por ter conhecido em um show de rock sua esposa e parceira de viagens ao redor do mundo para assistir grandes concertos.

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