Em 13/03/2010 | Resenha - Guns N' Roses (Palestra Itália, São Paulo, 13/03/10)

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Resenha - Guns N' Roses (Palestra Itália, São Paulo, 13/03/10)

Press-Release postado por Renato Alves | Fonte: Jcrnet

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Após nove anos Axl Rose, e uma nova formação do GUNS N’ ROSES, volta ao Brasil para uma série de apresentações, e o Rock Station acompanhou o show deste sábado, 13 de março em São Paulo, no Palestra Itália, que recebeu cerca de 40 mil pessoas segundo as prévias oficiais.

Não fomos credenciados pela assessoria de imprensa, a alegação foi que a produção da banda havia reduzido o número de repórteres credenciados para a cobertura do show, portanto, ficamos instalados não muito confortavelmente nas Cadeiras Descobertas Especiais, o que infelizmente nos privou de alguns ângulos e detalhes da apresentação, como o fundo do palco, por exemplo, onde havia telões com imagens sendo geradas durante todo o tempo.

A primeira pérola desta noite que nos reservaria muitas surpresas foi a primeira banda de abertura, ROCK ROCKET, que fez um show comprometido pela qualidade do som e também pela qualidade deles próprios, enfim, saíram vaiados e brigados com a platéia, com direito a chingamento e dedo do meio pra galera.

A segunda banda de abertura, a FORGOTTEN BOYS se deu melhor, fez uma apresentação com a qualidade de áudio um pouco melhor e agradou alguns presentes, mas ambas foram esquecíveis e não acrescentaram nada.

Logo após, veio a banda oficial de abertura do evento, na verdade o projeto solo do ex-vocalista do SKID ROW, Sebastian Bach, que muito bem humorado acabou aceitando o apelido de Tião, dado pelos fãs brasileiros.

A banda é excelente, e o show começou com um clássico do SKID ROW, “Slave to the Grind”, que agitou toda a platéia. Fizeram parte do set list também várias músicas do último álbum do vocalista, chamado “Angel Down”, algumas inclusive com riffs muito pesados, como é o caso de “American Metalhead”, por exemplo, e ainda tivemos muitas outras do Skid Row, como “18 and Life”, “I Remember You”, “Big Guns”, “Monkey Business”, “Here I Am” e “Youth Gone Wild”, dentre outras.

No total foram quase uma hora e meia de show, com Sebastian Bach surpreendendo a todos com sua vitalidade, domínio de palco e sua simpatia, arriscando frases em português e interagindo muito com a platéia que correspondia à altura.

A qualidade do som estava boa, com uma ressalva, uma das guitarras estava com o volume um pouco mais baixo. Quanto ao show, no geral, foi muito bom, Sebastian Bach está tentando recuperar seu prestígio e seu status no Rock mundial, e começa muito bem com essa turnê e com um disco bem agradável aos ouvidos e as antigas músicas foram perfeitamente executadas. A platéia participou intensamente do show, e não era pra menos, pois Sebastian Bach dividia a atenção do público, principalmente o feminino, com o protagonista da noite durante a primeira metade dos anos 90, estava em casa.

E este show foi uma compensação de São Paulo pela péssima impressão deixada durante o último show do SKID ROW na cidade em 1996, quando a banda foi vaiada e praticamente expulsa do palco no falecido festival Monsters of Rock, numa infeliz ideia da organização colocando-os para tocar antes do IRON MAIDEN. Enfim, depois deste sábado, subiu muito no conceito o velho Tião, e acho que ele deve ter assimilado que tem plenas condições de fazer uma tour sozinho, não como banda de abertura, no Brasil.

Infelizmente quem estava longe do palco não pode ter detalhes da apresentação no telão, que mostrava apenas uma câmera que filmava um plano geral do palco, de muito longe.

Após o fim dos shows de abertura começa a espera pela atração principal da noite, o novo GUNS N’ ROSES. Espera esta que parecia não ter fim, e o público começou a ficar impaciente, tanto pela demora, que ocasionou um cansaço que era facilmente percebido em todos os setores, quanto pela falta de água que ocorreu neste período. Até mesmo as músicas do playback começaram a ficar irritantes, devido à repetição exaustiva.

Desrespeitosamente, próximo das 00h40min do domingo era dado início ao show, horário em que um show de qualquer outra banda já teria terminado.

A primeira canção foi a que dá título ao último disco do GUNS N’ ROSES, o “Chinese Democracy”, tudo ia bem até uma pessoa indignada com a falta de respeito, creio eu, atirou um copo cheio de um líquido (refrigerante, cerveja, água ou outro) e acertou em cheio seu alvo, o vocalista Axl Rose, que imediatamente parou a música e foi tirar satisfações com o “quase estraga prazer” de aproximadamente 40 mil fãs. Axl disse que poderia ir embora que não teria problema nenhum pra ele e os rapazes. Passado o chilique, o cantor retornou ao centro do palco, perguntou à banda de onde continuariam a música e como se nada tivesse acontecido continuou o show. Fez o correto.

Em seguida veio o primeiro clássico da noite, “Welcome to the Jungle”, seguida por “It’s So Easy” e “Mr. Brownstone”, todas do excelente disco “Appetite for Destruction”.

Ao todo foram também nove músicas do último disco, e as que mais me agradaram foram “Better” e “Shackler's Revenge”, uma das melhores da noite. As outras não me empolgaram, aliás, eu já estava cansado e por isso muito exigente, graças ao já citado atraso no show. Sei que isso é repetitivo, mas foi muito relevante para o desenrolar do espetáculo, havia pessoas dormindo nas cadeiras, muita gente indo embora na metade do set e pra piorar, entre uma música e outra o show ficava suspenso por alguns minutos, o que quebrava todo o ritmo da apresentação, sem falar nos infames solos de guitarra e piano. Foram quase duas horas e meia de show, mas esse número não corresponde um feito espetacular, pois se condensada só a parte musical efetiva, ou seja, se contarmos só as músicas, este tempo cai bastante. E pra mim, o que deveria contar é a parte musical.

E voltando a falar em musica, o novo GUNS N’ ROSES traz uma formação de 8 integrantes ao todo, Axl Rose (vocal), Tommy Stinson (baixo), Dizzy Reed (teclado), Ron “Bumblefoot” Thal (guitarra), Dj Ashba (guitarra), Richard Fortus (guitarra), Chris Pitman (teclados) e Frank Ferrer (bateria).

A banda é muito correta e técnica, e fica evidente a tentativa do chefão em promover o novo guitarrista DJ Ashba, que toca muito bem é verdade, mas como já era esperado, apesar dos solos, a performance de palco da banda fica como coadjuvante, mas na parte musical é essencial para o show, pois a voz de Axl Rose já não é mais a mesma há muito tempo. Em muitos momentos do show quase não era audível e era nítido o desconforto do vocalista em determinadas partes das músicas.
Em determinado momento Axl pediu desculpas pela falta de voz, pois acabara de sair de um problema na garganta e até citou o comentado cano que deu durante a semana em uma festa particular, onde fariam um show “secreto”, que não aconteceu.

No geral, foi um show muito bom, tirando as partes negativas acima citadas, a parte instrumental estava perfeita, o vocal nem tanto, mas Axl Rose já se tornou uma lenda do rock, fato que faz com que a sua presença no palco seja o suficiente para os fãs. Depois do começo explosivo, e a interrupção na primeira música, ficou a sensação de que tudo podia acontecer, mas a fera foi se acalmando, demonstrou uma grande simpatia, dançou e correu o tempo todo como nos velhos tempos e interagiu muito com a platéia da Pista Premium (que não estava lotada), que arremessava bandeiras, flores, camisetas e um monte de outras coisas, todas recolhidas pelo próprio Axl que mostrava seus objetos favoritos. No final do show o vocalista retribuiu arremessando o microfone na platéia.

Outro grande momento do show foi a sequencia “Sweet Child O’ Mine”, “You Could Be Mine” (minha preferida) e “November Rain”, esta última provocando choro em muitas fãs e foi um dos pontos altos da noite.

Pra finalizar, creio que se houvesse bom senso e se o show fosse iniciado mais cedo o aproveitamento por parte de cada um dos presentes seria muito melhor. Muita gente pode dizer que é o espírito Rock ‘n Roll, que estou ficando velho, que o Axl é assim mesmo e esse é um charme, mas acho que na verdade algumas bandas acabaram me deixando mal acostumado por começar no horário marcado, deve ser isso. Mas o saldo acabou sendo positivo, mas só consegui chegar a esta conclusão no dia seguinte.

Se eu for a algum outro show do GUNS N’ ROSES já estarei preparado, fica a dica.

Abaixo o set list das duas atrações internacionais:

Sebastian Bach:
“Slave To The Grind”
“Back In The Saddle” (cover Aerosmith)
“Big Guns”
“Here I Am”
“Stuck Inside”
“Piece Of Me”
“18 And Life”
“American Metalhead”
“Stabbin’ Daggers”
“In A Darkened Room”
“Monkey Business”
“By Your Side”
“You Don’t Understand”
“I Remember You”
Música Inédita
“(Love is) A Bitchslap”
“Youth Gone Wild”

Guns n’ Roses:
“Chinese Democracy”
“Welcome To The Jungle”
“It's So Easy”
“Mr. Brownstone”
“Sorry”
“Better”
“Live And Let Die”
“If the World”
“Rocket Queen”
“Street Of Dreams”
“I.R.S.”
“Sweet Child O' Mine”
“You Could Be Mine”
“November Rain”
“Knockin' On Heaven's Door”
“Nightrain”
“Madagascar”
“Shackler's Revenge”
“This I Love”
“Patience”
“Paradise City”

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