Vince Neil: alimentando a esperança de ver o Crüe no Brasil

Resenha - Vince Neil (Carioca Club, São Paulo, 27/02/2010)

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Por Otávio Augusto Juliano
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Já perdi as contas de quantas vezes citei a banda MÖTLEY CRÜE para amigos e vi a seguinte reação: “Que? Não conheço essa banda”. Falar-se em MÖTLEY CRÜE no Brasil é, infelizmente, falar-se em uma banda pouco conhecida por aqui, apesar de gigante em outros países, principalmente na sua terra natal, os EUA.

Fotos: Makila Crowley

Talvez por isso os produtores de shows ainda não tenham se animado para trazer o MÖTLEY CRÜE para se apresentar no Brasil, com receio da pouca procura por ingressos, o que não compensaria o alto custo da produção envolvida (como disse, a banda é grande lá fora e tem uma produção de alto nível em seus shows).

Mas nem tudo esteve perdido nesse último final de semana de fevereiro e os fãs da banda puderam alimentar ainda mais a esperança de ver o grupo completo um dia no Brasil, pois VINCE NEIL, vocalista e frontman do MÖTLEY CRÜE, se apresentou em São Paulo, como parte de sua turnê solo.

Com um Carioca Club com 70% da sua capacidade ocupada, VINCE NEIL subiu ao palco por volta de 19:30h, com meia hora de atraso e, acompanhado de Jeff Blando (guitarra – ex-SLAUGHTER), Dana Strum (baixo – SLAUGHTER) e Zoltan Chaney (bateria), começou cumprir o que havia sido prometido no anúncio do show: tocar hits do MÖTLEY CRÜE.

Em boa forma (física nem tanto, mas com a voz ainda em dia), VINCE e banda de cara executaram “Live Wire” e “Dr. Feelgood”, clássicos que podem ser incluídos em qualquer coletânea do MÖTLEY CRÜE. O público respondeu com muita empolgação e, assim como para esse que vos escreve, ver pela primeira vez ao menos o vocalista de uma banda que jamais tocou no Brasil, certamente foi algo emocionante.

VINCE aproveitou e cumprimentou o público, salientando justamente o fato de que era sua primeira vez em solo brasileiro, emendando logo em seguida “Piece Of Your Action”, do primeiro álbum de sua banda, “Too Fast For Love”, lançado em 1981. Sem pausa para conversa, “Looks That Kill” foi também tocada, essa tirada do segundo álbum, “Shout At The Devil”.

Era esperado um set list idêntico ao do show ocorrido no Chile, mas VINCE inovou e, de guitarra acústica em punho, apresentou “Don’t Go Away Mad (Just Go Away)”, seguindo-se com “Same Ol’ Situation”, ambas do multiplatinado álbum “Dr. Feelgood”, de 1989.

Terminada essa música, VINCE se retirou do palco e o show continuou apenas com Dana, Zoltan e Jeff, que assumiu o vocal para a execução de alguns covers: “Whola Lotta Love” (LED ZEPPELIN), “Heaven and Hell” (BLACK SABBATH) e “Rock n’ Roll” (LED ZEPPELIN). Todas tocadas com muita empolgação e muito improviso (riffs de “Starway To Heaven" também puderam ser ouvidos), principalmente por parte do baterista. Zoltan é divertidíssimo e consegue, de fato, chamar a atenção. Toca com um braço, com a perna levantada, com o cotovelo, equilibrando a baqueta na cabeça, na mão e na boca, enfim, o cara toca de forma alucinada, chegando até a bater com o seu banquinho no prato da bateria. Uma figura, o que faz valer a pena procurar e conferir alguns vídeos postados na Internet.

Foi uma brincadeira interessante com esses verdadeiros hinos do Rock e do Metal, mas acredito que boa parte dos presentes dispensaria esses covers e preferiria ouvir mais três músicas do MÖTLEY CRÜE – essa foi uma reclamação muito ouvida ao final do show.

Mas não teve jeito, VINCE optou mesmo por incluir esses covers no set list, o que acabou contrariando o próprio anúncio do site criado somente para divulgação do show (www.vinceneil.com.br), que dizia: “Set List do Show somente Hits do MÖTLEY CRÜE”. Vê-se que não foi bem isso que ocorreu, justamente por causa dessas versões de clássicos do LED ZEPPELIN e do BLACK SABBATH.

Aliás, para ser justo, VINCE voltou um pouco antes do fim da trinca de covers, para reassumir o vocal em “Rock n’ Roll” e então partiu para a reta final do show (isso mesmo, reta final).

A derradeira seqüência foi formada com músicas que empolgaram os fãs completamente e foram cantadas pela maioria do público. O hit “Kickstart My Heart” foi muito bem executado e fez descarregar uma adrenalina enorme no público, como se já não bastasse toda a empolgação geral. VINCE então pediu para que os presentes levantassem o braço direito e fizessem o movimento de acelerar uma moto, o que deixou claro qual seria a próxima música da noite. “Girls, Girls, Girls”, talvez a canção que tenha gerado a melhor recepção por parte da platéia.

O fechamento ficou por conta de “Wild Side”, tendo sido encerrado o show com pouco mais de uma hora de duração, sem bis. E esse foi justamente o ponto baixo da apresentação: das 12 canções tocadas, apenas 9 foram do MÖTLEY CRÜE e show durou pouco, o que fez com que alguns presentes inclusive atirassem latas de cerveja no palco e protestassem por alguns minutos logo após o acender das luzes – um deles subiu no palco e foi tirar satisfação com os roadies e o pessoal da produção.

Isso de nada adiantou e os seguranças da casa, cerca de 15 minutos após o término do show, começaram a literalmente fazer um cordão para retirar os presentes, afinal, algumas horas depois, o Carioca Club precisaria estar limpo, para receber um público bastante diverso – fãs de pagode e samba. Isso foi outro ponto negativo, pois o show teve de ser curto e ficou impossível de se programar qualquer “After Party” com VINCE, pois o Carioca Club, embora com ótimas instalações e boa qualidade de som, é uma casa de samba e pagode e funcionaria normalmente naquela noite.

No “frigir dos ovos”, um show interessante por ser do vocalista de uma grande banda de Hard Rock que nunca veio ao país e pelas músicas tocadas, mas ao mesmo tempo bastante curto.

Sinceramente não sei se essa apresentação fará com que os produtores de show no Brasil trabalhem para trazer o MÖTLEY CRÜE ao país no futuro, mas os fãs, ainda que não tenham lotado o Carioca Club, certamente continuarão esperando por essa visita e ficarão na torcida. Tomara que VINCE leve boas notícias do Brasil a Nikki Sixx, Mick Mars e Tommy Lee.

Diz um ditado popular que “tudo que é bom dura pouco”. Acho que essa é a mensagem que fica da passagem de VINCE por São Paulo: uma noite histórica para os fãs brasileiros de Hard Rock, porém curta.

Banda:
Vince Neil (vocal)]
Jeff Blando (guitarra)
Dana Strum (baixo)
Zoltan Chaney (bateria)

Set List:
- “Live Wire”
- “Dr. Feelgood”
- “Piece Of Your Action”
- “Looks That Kill”
- “Don’t Go Away Mad (Just Go Away)”
- “Same Ol' Situation (S.O.S.)”
- “Whole Lotta Love”
- “Heaven and Hell”
- “Rock n' Roll”
- “Kickstart My Heart”
- “Girls, Girls, Girls”
- “Wild Side”

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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