O Metallica que se apresentou no Brasil em 1999 não foi o mesmo que impressionou e empolgou os 68 mil fãs no Estádio do Morumbi, na noite de ontem, 30. A banda que subia ao palco 11 anos atrás parecia desconcentrada, quase não interagia com o público e desaparecia freqüentemente do palco.
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Já o Metallica dos anos 10 é um grupo que conseguiu enfrentar as dificuldades representadas no documentário “Some Kind Of Monster” (2005), dos diretores Joe Berlinger e Bruce Sinofsky. Na época da gravação do disco “St. Anger” (2003), James Hetfield (voz e guitarra), Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammett (guitarra) estavam sem excursionar e lutavam contra a rejeição do público não só aos discos antecessores – “Load” (1996) e “Reload” (1997) – mas também pelo fato da banda se posicionar contra os downloads gratuitos de música via internet. Para completar a fase turbulenta, o grupo sofreu uma baixa na formação com a saída do baixista Jason Newsted.
Superado o período negativo, o Metallica mostrou no Estádio do Morumbi como se dedilha o mais puro e verdadeiro heavy/thrash metal. Após a abertura do Sepultura, que aqueceu o público para os highlanders, a banda estadunidense entrou às 21h35 arrebentando com duas faixas do disco “Ride the Lightning” (1984): “Creeping Death” e “For Whom The Bell Tolls”. Nesse momento, várias rodas de mosh já se formavam por toda a pista do Estádio do Morumbi.
Diferente do set list apresentado em Porto Alegre, onde as próximas músicas foram “Ride The Lightning” e “The Memory Remains”; em São Paulo o grupo preferiu embalar com “The Four Horsemen”, do disco “Kill 'Em All” (1983), primeiro do grupo.
Na seqüência, a banda metralhou o público com a música “Harvester of Sorrow”, considerada o 1º single da banda, e emendou com “Fade to Black” para mais tarde apresentar as músicas de “Death Magnetic” (2008), primeiro álbum a ser lançado com participação integral do atual baixista Robert Trujillo (ex- Ozzy Osbourne, Black Label Society, Suicidal Tendencies entre outros).
As músicas já esperadas do novo material foram “That Was Just Your Life”, “The End of The Line” e o excelente single cantado em uníssono “The Day That Never Comes”. A próxima música aguardada era “Cyanide” tocada em Porto Alegre, mas a banda trocou pela faixa “Broken, Beat & Scarred”.
Em seguida, para hesitação do público, o Metallica detonou com outras cinco pérolas do heavy metal mundial. As guitarras em sintonia com a bateria já mostravam o que viria pela frente: “Hey, I’m your life, I’m the one who takes you there...” foi “Sad But True” que fez as honras para a classiqueira do set list. O single foi dedicado a banda de abertura. “É um prazer estar aqui e tocar com nossos amigos do Sepultura. Queremos dedicar esta música ao Sepultura, porque eles sabem, assim como nós sabemos, que o Brasil gosta de peso!”, disse Hetfield.
Introduzida com fogos de artifício, veio “One”, escrita por James Hetfield e Lars Ulrich e reconhecida por ter uma das estruturas musicais mais complexas do heavy/thrash metal. “Enter Sandman”, single que fala sobre pesadelos, veio em seguida instigando os fãs que lotavam as rodas de mosh.
A primeira parte da apresentação estava feita e os músicos deixaram o palco. Após alguns minutos, a banda reaparece para o tão aguardado bis. “Sempre tocamos nessa hora uma música de uma banda que influenciou o Metallica. Essa banda é o Queen”, disse Hetfield ao cantar e tocar “Stone Cold Crazy”. Logo depois veio “Motorbreath” e a música que era pedida insistentemente pelo público. “Essa tem só três palavras: ‘Seek and Destroy', disse o vocalista enquanto a multidão enlouquecia no mosh, que dessa vez foi composto até por mulheres, uma, inclusive, estava só de sutiã e gritava pela banda sacudindo a camiseta ao vibrar com o refrão: “Searching, seek and destroy”.
No final, o público foi presenteado não só com uma apresentação memorável que incluiu fogos de artifício, explosões e uma chuva de palhetas decorativas da turnê “World Magnetic Tour”, mas também com um Metallica reconstruído, renovado e que espera “não demorar outros 11 anos para voltar ao Brasil”, disse Lars para Hetfield emendar: “Até amanhã, São Paulo”.
O Metallica se apresenta no domingo (31), no mesmo local. Ainda há entradas de todos os setores para o segundo show a R$150 (arquibancada laranja), R$170 (arquibancadas azul e vermelha), R$190 (arquibancada vermelha especial), R$250 (pista e cadeira inferior), R$300 (cadeira superior) e R$500 (pista vip). Estão à venda na bilheteria do Morumbi, do meio-dia até o início do show.
Set List:
"Creeping Death"
"For Whom the Bell Tolls"
"The Four Horsemen"
"Harvester of Sorrow"
"Fade to Black"
"That Was Just Your Life"
"The Day That Never Comes"
"Sad But True"
"Broken, Beat & Scarred"
"One"
"Master of Puppets"
"Blackened"
"Nothing Else Matters"
"Enter Sandman"
Bis
"Stone Cold Crazy" (cover do Queen)
"Motorbreath"
"Seek and Destroy"
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Nascida em São Paulo, Adriana Farias é jornalista pela PUC-SP e autora do livro-reportagem ¨London Calling - histórias de brasileiros em Londres¨. A jornalista já foi produtora na RedeTV! e repórter da emissora PlayTV na área cultural, locais em que coleciona entrevistas importantes com grandes nomes do heavy/rock nacional e internacional, como Joey DeMaio (Manowar), David Bryan (Bon Jovi), Crashdïet, Kings of Leon, The Dickies, Kid Vinil, Angra, Sepultura entre outros. Com apenas 16 anos a autora deu início a sua colaboração ao Whiplash!, entre suas reportagens mais importantes constam os textos analisando a grande imprensa no quesito heavy/rock e a cobertura de mega shows no Brasil e na Europa. Atualmente, a jornalista tem uma dupla jornada como editora de texto na TV Cultura e repórter na Folha de S.Paulo. Entre em contato com a jornalista no blog meonthestreet.
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