Em 02/04/2009 | Resenha - Angra (Siara Hall, Fortaleza, 02/04/09)

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Resenha - Angra (Siara Hall, Fortaleza, 02/04/09)


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O relógio ainda não havia marcado meia-noite, mas um novo dia já havia começado: mais que a chegada de um domingo, 3 de maio, naquele comecinho de madrugada dava-se início à “Nova Nova Era” do Angra, como define o próprio vocalista, Edu Falaschi.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Foto da chamada: Antonio Cesar

Fortaleza foi o local escolhido para a abertura da turnê de retorno do Angra, que em outras cidades contará também com apresentação da banda Sepultura. No Ceará, por motivos de “incompatibilidade de agenda”, segundo a produção, o Angra se apresentou sozinho como atração principal e um show do Sepultura ficou agendado para agosto.

Se o encontro histórico das maiores bandas de Metal do Brasil não foi possível em Fortaleza, a Capital ganhou uma apresentação mais longa e densa do Angra, um apanhado dos 18 anos de história do grupo. Após a suave atmosfera azul de “Unfinished Allegro”, instrumental de abertura do show, a banda se volta ao público com o clássico “Carry On”, música de seu primeiro CD. Em uma canção que falava de um mundo tão insistente em ser o mesmo, baseado em erros, noites desestreladas e de tempestade, a promessa emocionada do público que lotou a casa de shows Siará Hall: “but can't you see? I'm by your side / We are marching on!” Que outra música poderia traduzir melhor todo o momento?

Talvez a enérgica “Nova Era”, anunciando de vez mais um amanhecer na trajetória do Angra, tão cheia de idas e vindas. Diante de uma platéia ainda muito agitada, Edu Falaschi conduziu bem a invocação por novos tempos no horizonte do grupo. Em vários momentos, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro e Felipe Andreoli foram à beira do palco e entoaram com muita força a música junto aos fãs. Mais que executar dois dos mais populares sucessos do Angra, a escolha por essas músicas na abertura do show – tocadas em seqüência, como se fossem apenas uma – tinham visivelmente um caráter simbólico do que a turnê representa na história da banda.

Após as duas músicas vindas de momentos tão diferentes e que se fundiram para contar um pouco sobre dois anos de incertezas – culminados naquele encontro entre a banda e os fãs, a inspiração e as fontes, a espera e os motivos de tudo –, Edu fala do retorno aos palcos. Retomando a importância do Nordeste na cena Metal do Brasil, ele agradece todo o apoio, puxa a “Waiting Silence” para em seguida anunciar o retorno do baterista Ricardo Confessori, membro do início da formação do Angra que havia deixado a banda em 2000 para formar o Shaman, ainda em atividade. Os fortalezenses recepcionam calorosamente o novo-antigo integrante, e Confessori retribui com uma ótima execução de “Heroes of Sand”.

De volta ao primeiro álbum, de 1993, vem a “Angel’s Cry”, seguida dos longos solos de “Carolina IV”, demonstrando uma perfeita interação entre as guitarras de Rafael e Kiko, os dois integrantes que estiveram ininterruptamente na banda desde o início.

Com “Angels and Demons” e “Metal Icarus”, mais Heavy para os headbangers. “The Course of Nature” foi a única música tocada do álbum “Aurora Consurgens”, o mais recente lançado pelo grupo, em 2006, e cuja divulgação foi interrompida pelos problemas que resultaram no intervalo forçado. “Make Believe” foi a balada escolhida para trazer um tom de calma àquela madrugada de neblina. Depois, a vez de “Acid Rain” e da talvez inesperada “Never Understand”.

Mas não importa se o show é de pop rock, doom metal ou salsa: sempre tem aquele cara que, bêbado ou não, de brincadeira ou não, grita num breve silêncio entre músicas: “Toca Raul!” Nos shows do Angra (ou do Almah, enfim, em qualquer local em que o Edu esteja presente aos palcos), o correspondente desse brado é o “Saint Seyaaaaaaaaa!” E nesse caso, o pedido não tem a discrição de um pedaço de guardanapo amassado com o nome de uma música dentro, não tem a espontaneidade do cara que invoca o Malucão com um golpe de cerveja no ar. Não. É o clamor de um enorme grupo, aparentemente organizado, que em geral consegue puxar o coro do público inteiro.

Exceto nas apresentações em eventos de anime, a banda não costuma tocar a canção “Pegasus Fantasy” em shows. Porém, naquele show-comemoração não havia clima de não atender ao pedido de tantos fãs, e Edu lembrou a capella a abertura de Cavaleiros do Zodíaco, com direito a mosh de um garoto da platéia.

“Gentle Change” foi a última antes do tradicional bis, e Angra retornou aos palcos com a força de “Spread of Fire”. A banda saiu dos palcos mais uma vez, arrancando o grito “Olê, olê, olê, olê, Angra, Angra”. Como no clipe, a música seguinte ao chamado é “Rebirth”, marcando o momento que sem dúvida foi o clímax do show: Bittencourt dedilhando na guitarra a canção dentro de uma luz azul e muita fumaça de palco. Edu fazia apenas a segunda voz durante as duas primeiras estrofes, cantadas integralmente pelos fãs. Mais uma canção com grande significado para o momento, com letras sobre renascimentos de dentro das cinzas e sobre tempos de voar.

Depois de tudo, um dispensável “terceiro bis” de “Nothing To Say” – dispensável não pela qualidade da música ou da execução dela, mas sim porque, após o momento encantador de “Rebirth”, nada mais parecia haver a ser dito.

Um show memorável com algumas pequenas e já usuais falhas, como a abertura dos portões com uma hora e meia de atraso. Embora isso tenha atrasado “apenas” em pouco mais de meia hora o show principal, acabou comprometendo a performance dos ótimos e divertidíssimos Walking Back To Hell, banda de “beer’n’roll formada por lenhadores bêbados”, de acordo com definição oficial dos próprios integrantes. Com algumas músicas próprias e covers como Manowar, W.A.S.P e Judas Priest, o primeiro show da noite fez valer a pontualidade de quem entrou mais cedo. Além deles, a banda Samhainfall se mostrou segura numa apresentação que também trouxe seu peso à noite.

Setlist:
Carry On / Nova Era
Waiting Silence
Heroes of Sand
Angel’s Cry
Carolina IV
Angels and Demons
Metal Icarus
The Course of Nature
Make Believe
Acid Rain
Never understand
Saint Seya (a capela)
Gentle Change

BIS:
Spread Your Fire
Rebirth
Nothing to Say

Line-up:
Edu Falaschi (vocais)
Rafael Bittencourt (guitarra)
KikoLoureiro (guitarra)
Felipe Andreoli (baixo)
Ricardo Confessori (bateria)

Participação de Daniel Santos (teclado)

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Sobre Lucíola Limaverde

Jornalista formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) com experiência em jornalismo impresso, produção em rádio e assessoria de imprensa. Ouve seus rocks todo santo dia. Aliás, não imagina sua vida sem música e livros (a Literatura é outra grande paixão). Queria ter uma história bonita e comovente sobre como começou a ouvir Metal, mas a verdade é que não lembra a primeira vez na qual ouviu uma guitarra distorcida - apenas sabe que sua alma tem um tom maior quando escuta as canções de que gosta. Aprendeu a tocar teclado aos 12 anos mas, como jamais sonhou em cometer seus dedilhados em uma banda, isso só lhe rendeu algum apuro na audição musical.

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