Em 07/04/2009 | Resenha - Kiss (Anhembi, São Paulo, 07/04/09)

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Resenha - Kiss (Anhembi, São Paulo, 07/04/09)


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Terça-feira, sete de abril. Típico dia de semana em uma metrópole, com congestionamento e tudo mais. De quem será esta maldita ideia de não marcar shows em finais de semana? E lá vamos nós: após um duro dia de expediente, torcendo para não chover, enfrentando mais uma “maratona”, com o medo de encarar mais uma baita desorganização - quem foi ver a banda em sua última visita ao Brasil, ou o Iron Maiden, ambos em Interlagos, sabe muito bem do que estou falando. Todo sacrifício era válido, afinal o Kiss quem nos esperava, prometendo mais uma apresentação imperdível...

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Antes do prato principal, um grande aperitivo. A abertura ficou a cargo do grande power trio Dr. Sin, e seu habitual hard rock trabalhado e empolgante, com Edu Ardanuy provando mais uma vez ser o maior guitar hero brasileiro.. Há de se destacar a qualidade do som, já que, normalmente, bandas de abertura padecem de um volume muito baixo e acabam tendo sua performance prejudicada em função disso. Os destaques ficaram para as clássicas “Emotional Catastrophe”, “Fire” e “Time After Time”, sem falar em “Drowning In Sin”, do excelente trabalho mais recente da banda, “Bravo”. A segunda metade do set deu uma esfriada nos ânimos, principalmente durante a balada “You Stole My Heart”, muito boa, mas não muito apropriada para a ocasião. Pra encerrar, como de praxe, “Futebol, Mulher e Rock and Roll”, e a plateia com sua participação tradicional no coro de “...eta, eta, eta, brasileiro quer...”. Vale ainda ressaltar que Andria Busic, além de um baixista fenomenal (como o resto da banda), continua cantando pra c...

Após uma breve espera de 40 minutos, enquanto ainda ecoava nos PAs a clássica “Won’t Get Fooled Again” do The Who, sobe a cortina gigante com o logotipo do Kiss, e as luzes se apagam... Tão logo esta termina de tocar, vem o bordão que todos esperavam ansiosamente: “All right, São Paulo... You Wanted The Best, You Got The Best...”. Um calafrio toma conta da espinha e vêm os primeiros acordes de “Deuce”... cai a cortina, surgem as explosões e a banda surge no palco. A ansiedade vira delírio, que passa para o estágio de êxtase tão logo Eric Singer puxa na bateria a grande “Strutter”...

Como tem feito em toda esta tour, devidamente denominada de “Alive 35” (em comemoração aos 35 anos da banda), o set list privilegia a primeira fase da banda, tocando “Alive!” quase que na íntegra (ficando de fora, infelizmente, as excelentes “Firehouse” e “Rock Bottom”). Com isso, promovem uma verdadeira viagem no tempo. Sem falar que desta vez vieram com a estrutura de seu show completa, abusando de fogos, rojões, e tudo mais (pena que, a exemplo do que ocorreu com o Iron Maiden em Interlagos, um dos telões insistia em falhar...).

Alternando apenas uma ou outra música na ordem que vêm tocando, podemos destacar os momentos de sempre desta tour: tivemos Gene Simmons cuspindo fogo em “Hotter Than Hell”; Tommy Thayer provando ser o melhor “clone” possível de Ace Frehley em “She” e em seu solo com a guitarra “atirando” contra os holofotes; Eric Singer cantando “Nothin’ To Lose” e solando em “100.000 Years” (e usando seu pedal-duplo, mostrando o que realmente sabe tocar, para delírio da galera); a participação massiva do público em “Black Diamond” (com direito à já tradicional “palhinha” de “Stairway to Heaven” no começo, com Paul Stanley) e, mais ainda, no hino “Rock and Roll All Nite”, que encerrou a primeira parte do show, com direito à obrigatória quebra de guitarra do “Starchild”. Paul que, aliás, promoveu um momento engraçado ao público, ao se atrapalhar, anunciando por engano “Watchin’ You”, e depois corrigindo-se: “também conhecida como “Parasite”!”.

Breve intervalo, a banda retorna trazendo uma bandeira do Brasil, pra fazer a média de sempre, e vêm mais clássicos, de outra fase: “Shout It Out Loud”; “Lick It Up” (com trechos da já citada “Won’t Get Fooled Again”); “I Love It Loud” (com Gene babando sangue e voando até o teto); “Love Gun” (e Paul “voa” na tirolesa até o mini palco no meio da galera)... e chegamos ao “gran finale” com “Detroit Rock City”, e muitas explosões e pirotecnia no palco e nos céus...

Analisando friamente a performance da banda e o espetáculo em si, constatamos que cada vez mais Paul interage com o público, ganhando com isso um pouco mais de fôlego entre uma música e outra. Percebe-se também que uma música ou outra é executada mais devagar, e que a banda seguindo à risca praticamente um roteiro com tudo o que costuma apresentar por onde passa, inclusive no que Paul fala à platéia. E que este (visivelmente rouco nesta ocasião) e Gene (há um bom tempo) já não têm mais a mesma voz. E, principalmente, que chega a ser um desperdício ver músicos tão bons como Tommy Thayer e, especialmente, Eric Singer limitando-se a repetir os arranjos originais de Ace Frehley e Peter Criss. Agora, um ponto realmente negativo, e que se repete a cada grande show: palco muito baixo! Deve ter tido uma molecada e muitas garotas que não devem ter enxergado patavina... por que não fazer uso de arquibancadas?

De qualquer forma, vamos então todos embora, roucos, cansados, cantando “God Gave Rock And Roll To You” (que soava pelas caixas do Anhembi) para mais uma maratona até chegar em casa e seguir para o trabalho no dia seguinte. Mas, acima de tudo, felizes da vida e com a certeza de que o Kiss continua cumprindo sua palavra e trazendo ao seu exército de fãs em cerca de duas horas um dos maiores espetáculos da face da Terra. Um show memorável, sem dúvida alguma...

Set List:
1. Deuce
2. Strutter
3. Got To Choose
4. Hotter Than Hell
5. Nothin’ To Lose
6. C’mon And Love Me
7. Parasite
8. She (solo de Tommy Thayer)
9. Watchin’ You
10. 100.000 Years (solo de Eric Singer)
11. Cold Gin
12. Let Me Go Rock And Roll
13. Black Diamond
14. Rock And Roll All Nite
15. Shout It Out Loud
16. Lick It Up
17. I Love It Loud
18. I Was Made For Lovin’ You
19. Love Gun
20. Detroit Rock City

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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