Em 08/05/2009 | Resenha - Kiss (Praça da Apoteose, Rio de Janeiro, 08/05/09)

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Resenha - Kiss (Praça da Apoteose, Rio de Janeiro, 08/05/09)

Por Vitor Bemvindo | Fonte: Mofodeu

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O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Crédito da Foto: EFE

Em 1983, o KISS, quando esteve pela primeira vez no Brasil, levou mais de 200.000 pessoas ao Maracanã, o maior público da história da banda. 26 anos depois, nem 10% desse público prestigiou mais uma grande apresentação da banda no Rio de Janeiro.

Muitos podem afirmar que o pequeno público deve-se ao preço dos ingressos (realmente altíssimos), a data num meio de semana, ao local, etc. Mas a verdade é que o Rio cada vez mais tem um público menor para apreciar grandes espetáculos de rock. O que é uma pena!

Mas os poucos que estiveram na Praça da Apoteose nesse dia 08 de abril de 2009 puderam assistir um grande show (no sentindo mais amplo da palavra show). Um verdadeiro espetáculo: luzes, fogos, máscaras e teve até Rock and Roll da melhor qualidade.

O MOFODEU acompanhou de uma maneira inédita: transmitimos pelo Twitter atualizações diretas da Apoteose, em tempo real, pelo celular, e usaremos essas atualizações para contar como foi o show de ontem.

20:59 - Direto da Apoteose KISS: transporte e acesso tranqüilos. Público decepcionante.

Cheguei ao show com meia hora de antecedência. A facilidade de ter o metrô perto do local do espetáculo é incrível. Não ter que pegar trânsito, procurar local para estacionar, pagar os malditos “flanelinhas” são vantagens que até melhoram o seu humor para o show.

Como o público era pequeno, foi muito fácil adentrar a Praça da Apoteose, mesmo com um esquema de acesso um pouco complicado, com uma entrada única. Quando entrei no local batei um ligeiro desânimo ao ver o locar com um público muito menor do que o esperado.

Ao entrar na pista VIP, notava-se também grandes clarões, mas proporcionalmente, parecia que os ingressos mais caros haviam sido mais vendidos do que os com preço “normal” (se é que pode-se dizer que R$ 160,00 é um preço normal).

21:15 - Direto da Apoteose KISS: 5 pratas a cerveja é um roubo. A pista VIP está às moscas.

Não bastasse o preço abusivo dos ingressos, a cerveja era vendida a R$ 5,00 dentro do local do evento. Talvez isso se reflita no pequeno público. O que está sendo feito é uma elitização ao extremo dos espetáculos internacionais no Brasil. Ao meu ver, se os preços fossem cortados pela metade, o público seria mais do que dobrado e o lucro seria maior.

21:19 - Direto da Apoteose KISS: DJ mandando bem. Só som mofado. Montrose, raridade.

Antes de começar o show, o responsável pelo “som mecânico” fez uma seleção de jóias raras do Rock, ao melhor estilo MOFODEU. Deep Purple, The Who e Montrose (banda pouco conhecida, mas que revelou o vocalista Sammy Hagar, ex-Van Halen), foram exemplos de sons que animaram a galera antes do início do evento principal.

21:24 - Direto da Apoteose KISS: baixou o bandeirão.

A ansiedade dos presentes aumentou quando, minutos antes de começar, uma enorme bandeira com o logotipo do Kiss foi desenrolada, escondendo o palco. Notava-se uma grande movimentação da staff da banda para descobrir os equipamentos e detalhes encobertos do palco.

21:36 - Direto da Apoteose KISS: começou. O som está bom. Deuce, Strutter.

No horário marcado, ouviu-se o tradicional: “All right, Rio, you wanted the best... you got it! The hottest band in the world: KISS”. Não há como não se emocionar ouvindo isso de perto. Então, a bandeira caiu e o riff poderoso de “Deuce” se fez ouvir por toda a Apoteose. Aliás, nome perfeito para o local, o que acontecia ali, naquele momento era uma verdadeira apoteose.

Estava posicionado em direção a Gene Simmons, e por isso, a impressão inicial era de que os graves estavam se sobrepondo aos outros sons. Mas aos poucos foi dando para ter uma noção mais geral do som, que da posição que estava, parecia estar muito bom (ao contrário do que aconteceu no show do Iron Maiden, que aconteceu no mesmo lugar).

Depois de “Deuce”, seguiu-se a fantástica e harmoniosa “Strutter”, o que dava a entender que o set list seguiria o dos demais shows da banda na América do Sul. O set seguiria, quase na íntegra a ordem das faixas do “Alive!”, primeiro disco ao vivo da banda, um clássico de 1975.

21:48 - Direto da Apoteose KISS: “Got to Choose”. “Hotter than hell”. Gene cospe fogo.

Após uma simpática saudação de Paul Stanley ao público, seguiram-se duas faixas de um dos discos mais injustiçados da banda, o “Hotter Than Hell”, de 1974: “Got to Choose” e a faixa-título. No final desta última, o Demon empunhou a tocha e fez o seu tradicional ritual de cuspir fogo.

Apesar de ser previsível, para um fã da banda não há como não se empolgar com tal cena. Ainda mais, para quem, como eu, esperou muitos anos para ver aquilo de perto. Começava o circo.

A primeira faixa do “Alive!” que foi “saltada” foi “Firehouse”, uma pena, mas não dá para reclamar.

21:56: Direto da Apoteose KISS: “Nothin’ to Loose”. “Cmon & love me”. “Parasite”.

Então veio uma das minhas faixas favoritas do Kiss: “Nothin’ to Loose”. Está música contém quase todos os ingredientes dos clássicos da banda: um riff fantástico, versos curtos, estrofes pequenas, um solo rápido e marcante e um refrão grudento e repetitivo. A síntese do Rock and Roll simples, às vezes até “receita de bolo” demais, mas que faz qualquer um balançar a cabeça e se divertir muito.

O show continou com “C’mon and Love”, mais uma faixa resgastada na turnê “Alive 35”. Veio, então a pesadíssima e arrastada “Parasite”, que me pareceu ainda mais pesada naquela versão, certamente fruto dos efeitos usados por Tommy Thayer, substituto do Spaceman original, Ace Frehley.

21:57 - Direto da Apoteose KISS: começa a chover.

Aquele riff pesado parece que chamou a chuva. Naquele momento começou uma chuva torrencial. O que podia desanimar o público, parece que teve um efeito contrário. A galera que já estava acompanhando a banda em todas as músicas, parece que foi ao delírio com o “presente” dos céus.

22:17 - Direto da Apoteose KISS: “She”. “Watchin’ U”. “100.000 years”.

A chuva se intensificou muito durante “She”. Durante a canção, Tommy Thayer fez um solo a la Frehley, com direito a guitarra atirando fogos, em mais um espetáculo previsível, mais empolgante. Impossível não lembrar do Spaceman original, mas é importante ressaltar que Thayer fez as honras com muita qualidade e não deixou nada a dever.

22:18 - Direto da Apoteose KISS: solo Eric. Choveu muito. Melhorou agora.

A belíssima e arrastada “Watchin’ You” foi seguida de “100,000 Years”, na qual Paul Stanley faz as vezes de vocalista com raro talento. Assim como na versão do “Alive!” a música contou com um solo de bateria, executado pelo talentoso Eric Singer. Pode-se dizer que Singer não tenha o mesmo simbolismo do Catman original, mas inegável que o seu talento com as baquetas é maior do que o de Peter Criss. Em mais um efeito visual interessante, uma plataforma elevou a bateria a uma altura impressionante, parecendo ser impulsionado por foguetes.

22:40 - Direto da Apoteose KISS: “Cold gin”. “Let me go, RnR”. Sutiãs ao palco.

Àquela altura, a chuva já estava mais amena, e a platéia, mesmo encharcada, fazia a festa com “Cold Gin”. Gene Simmons levou a canção com maestria.

Em seguida, Paul Stanley saudou o público e foi instigado pela platéia a fazer a tradicional mímica como se estivesse sendo beijado, de costas para a galera. Com direito até a um apertão na buzanfa. Meninas excitadas pelo frontman começaram a atirar sutiãs ao palco. O Starchild recolheu todas as peças e, com elas à mão, tocou “Let Me Go, Rock ‘n’ Roll”.

22:56 - Direto da Apoteose KISS: “Black diamond” por Eric. “RnR all nite”.

Depois da canção, uma calcinha foi arremessada para Paul Stanley, que pareceu ter ficado abalado com o fato. Na introdução lentinha de “Black Diamond”, Stanley se enrolou todo para tocá-la. Ele errou duas vezes e resolveu improvisar um trecho de “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin. A galera vaiou de imediato pedindo “Kiss, Kiss, Kiss...”. O vocalista/ guitarrista mostrou surpresa e trocou a guitarra que parecia estar desafinada, para enfim entoar a tal introdução. Quem levou os vocais principais de “Black Diamond” foi Eric Singer, que mandou muito bem.

Em seguida, uma explosão de papel picado introduziu “Rock and Roll All Nite”. Por mais que possa parecer incrível, a manjadíssima canção causou uma comoção total, inclusive em mim, que não agüento mais ouvir essa canção. Por que seja um grande clichê do rock, ouvi-la ao vivo, sendo tocada pelos seus idealizadores. O espetáculo visual proporcionado pelo papel picado e o letreiro luminoso com o logotipo da banda piscando sem parar aumentam o sentimento de estar na maior festa do Rock da terra.

23:05 - Direto da Apoteose KISS: bis: “Shout It Out Loud”. “Lick It Up”. Baixo-machado.

Após seu grande clássico, a banda deixa o palco, voltando poucos minutos depois para executar músicas que não fizeram parte do “Alive!”. O público recepcionou a banda cantarolando o refrão de “I Love It Loud”. A banda agradece, mas antes toca “Shout It Out Loud”, para o delírio da platéia.

Logo depois, veio “Lick It Up”, num arranjo mais longo que contou com um entreato inspirado em “Won’t Get Fooled Again” do The Who. Gene Simmons trouxe ao palco o seu tradicional baixo-machado para tocar esta canção.

23:26 - Direto da Apoteose KISS: solo Gene. Sangue. “I Love it loud”. “I was made...”, “Detroit”.

Com o seu machado, o Demon começou o seu solo, que de virtuoso não tem nada. A apresentação tem mais de visual do que musical, mas é emocionante sentir todo o peso dos graves vindo do palco. Ao final da “barulheira”, o tradicional banho de sangue cuspido por Simmons.

Paul Stanley anunciou com entusiasmo o grande clássico do disco “Dynasty”, de 1979, “I Was Made For Lovin’ You”. O show foi encerrado em grande estilo com um dos maiores clássicos da banda, “Detroit Rock City”, anunciado pelo Starchild como uma música sobre uma cidade rock assim como o Rio de Janeiro.

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Crédito da Foto: EFE

O gran finale para um espetáculo quase perfeito. Por conta da chuva, a banda não tocou “Love Gun”, música na qual os membros do Kiss, voavam pela platéia em direção a um palco auxiliar. Mas diante do grande show, isso não passa de um pequeno detalhe.

Um set list perfeito para os fãs dos três primeiros álbuns da banda, com muito apelo visual, ao melhor estilo Kiss.

Os mais críticos podem acusar o espetáculo de ser muito marcado, sem margem para improvisação. Muitos podem dizer que tudo o que foi feito nessa quarta-feira mágica na praça da Apoteose, era amplamente previsível.

Mas para os fãs da banda, isso é o que menos importa. Em matéria de espetáculo, o Kiss é insuperável!

Quer curtir mais do Kiss? Acesse o site do MOFODEU e escute um especial sobre a banda só com músicas esquecidas:

http://www.mofodeu.com

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Sobre Vitor Bemvindo

Historiador de formação, tem verdadeira adoração pelo Rock and Roll desde sua infância. Seu instinto de pesquisador fez com que "se especializasse" em bandas velhas, especificamente as das décadas de 1960 e 1970. Produz e apresenta o MOFODEU (www.mofodeu.com), o Programa que tira o MOFO do ROCK, juntamente com seu parceiro Luiz Felipe Freitas (a Enciclopédia do Rock). O Programa está no ar desde 2007, tocando só bandas sessentista e setentistas sempre com muita informação e bom humor.

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