Em 14/03/2009 | Resenha - Iron Maiden (Apoteose, Rio de Janeiro, 14/03/09)

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Resenha - Iron Maiden (Apoteose, Rio de Janeiro, 14/03/09)


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Goste-se ou não do seu som, uma coisa é absolutamente inegável: esses ingleses cinquentões ainda estão em ótima forma, e fazem um show impecável. Ao contrário de inúmeras bandas de sua geração, o Iron Maiden não dá mostras de cansaço, mantendo um impressionante pique dentro e fora dos palcos. Decadência é uma palavra que não vem à mente em seus shows e, verdade seja dita, deixam muitos grupos mais jovens no chinelo.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fotos: Henrique Matos

Após semanas que alternaram um calor úmido absurdo com chuva, o sábado parecia perfeito para um show ao ar livre. A chuva que caiu na véspera e também no próprio dia do show, arrefeceu a tempo de não atrapalhar nada, e ao mesmo tempo contribuiu para que a temperatura estivesse mais amena na Apoteose. Aliás, o local do show sempre despertou reações totalmente adversas (e controversas): há quem ame, e há quem odeie. Mas a verdade é que não há lugar no Rio melhor do que esse para shows onde a estimativa de público esteja entre 15.000 e 40.000 pessoas. Para públicos abaixo das 10.000 pessoas, a HSBC Arena e o Citibank Hall são alternativas mais apropriadas, claro.

Devido à boa divulgação e, obviamente, à grande popularidade do Maiden, um bom público compareceu ao show. Segundo divulgado, havia 22.000 pessoas lá. O dia tinha começado cedo, musicalmente falando, com a concorrida première do documentário “Flight 666”, no cinema Odeon, na Cinelândia (Centro do Rio), à qual compareceram todos os integrantes da banda. Na Apoteose, podia-se notar que toda a (ou grande parte da) parafernália que faz parte do show do grupo foi trazida. O palco com motivos egípcios faz alusão à época de ouro da banda em termos de popularidade (especificamente, meados dos anos 80), quando foram lançados os discos “Powerslave” e o ao vivo “Live After Death”, este último gravado na descomunalmente longa turnê “World Slavery Tour”. Para quem não é tão novo e esteve presente na primeira edição do festival Rock In Rio, as lembranças foram ainda mais nostálgicas.

Para abrir o show, como de praxe, foi convocada a filha do baixista e líder do Maiden, Steve Harris. A pontualidade era britânica: o show iniciou exatamente às 20:30h, conforme estampado nos ingressos e cartazes. Lauren Harris e trupe apresentaram um hard rock básico e sem surpresas, competente, porém bastante baseado em clichês do gênero. Lauren, simpática, fez de tudo para conquistar o público num set inteligentemente curto, de pouco mais de meia hora. Não chegou a empolgar, mas pelo menos deu uma esquentada e, ao mesmo tempo, uma relaxada na galera que se acotovelava ansiosamente aguardando a atração principal.

Por volta das 21:30h, também pontualmente, começa a tocar nos PA’s a música “Doctor, Doctor”, do UFO. O som já vinha desfilando uma sequencia de rocks, mas um verdadeiro “connoisseur” de Iron Maiden sabia que aquilo era, de fato, o início do show. Os britânicos são fãs (e amigos) de seus conterrâneos e predecessores, e tradicionalmente incluem tal canção antes de seus concertos. Quando as luzes enfim voltaram a se apagar, acenderam os telões laterais (de definição apenas razoável) com vídeos mostrando a banda na estrada, o avião “Ed Force One” etc., tudo ao som (playback) de “Transylvania”. Por fim, um vídeo preto e branco de Winston Churchill, ex-Primeiro Ministro inglês, durante o qual, como não podia faltar, podíamos ouvir seu famoso discurso compelindo os ingleses a lutarem pelo país na Segunda Guerra Mundial, que tradicionalmente antecede a música “Aces High”. Surgem finalmente no palco os 6 atuais integrantes da banda: Bruce Dickinson (vocal), Steve Harris (baixo), Nicko McBrain (bateria), e a trinca de guitarristas Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers.

Muito já foi discutido sobre os motivos do Iron Maiden para ter 3 guitarristas em sua formação. É óbvio que é uma coisa totalmente desnecessária, musicalmente falando, pois todas as suas músicas foram feitas levando em consideração 2 guitarristas. Claro que os motivos foram outros, a volta de Adrian Smith foi um bom negócio tanto para a banda quanto para o músico, e eles não iriam sacar Janick Gers, que havia se adaptado bem ao grupo (com o vocalista Blaze Bayley a estória foi outra, claro). O fato é que, em virtude disso, hoje em dia Smith e Murray se dedicam a reproduzir fielmente as bases e solos das versões de estúdio, enquanto que Gers cuida da parte mais “visual”, por assim dizer, das apresentações, adicionando boas doses de teatralidade e malabarismos em sua performance. Por conta disso, ganhou desafetos. É inegável, entretanto, que seja um grande guitarrista, basta por exemplo se checar seus trabalhos prévios com as bandas Gillan e White Spirit, onde era o único guitarrista e tinha que dar conta de todo o recado.

Voltando à apresentação em si, mais alguns comentários. Um show do Iron Maiden não tem espaço para improvisos, não sendo esta a proposta do grupo. Tudo é impecavelmente ensaiado e apresentado durante os shows. Para tal, os integrantes se mantêm em plena forma física, pois a correria por cima do palco é incessante durante as partes mais rápidas das músicas, contagiando o público. “Aces High” foi apenas uma amostra do que estaria por vir.

Todos sabiam que a ideia da turnê “Somewhere Back In Time” era exatamente a de presentear os fãs (em especial os mais novos) com um setlist homenageando seus discos antigos. Dessa forma, “Wrathchild”, do segundo disco do grupo, veio a seguir. Embora Dickinson não a cante tão bem quanto o vocalista original Paul Di’Anno cantava no passado, hoje em dia sua performance é avassaladoramente superior ao que Di’Anno é ainda capaz de fazer (a voz dele já foi para o beleléu faz tempo). Já “Two Minutes To Midnight” é um clássico mais recente, que tocou à exaustão na MTV brasileira em meados dos anos 80. Apesar do som baixo para os padrões heavy metal (quem estava no fundo da Apoteose deve ter sofrido um pouco), a produção como um todo estava impecável. Estátuas egípcias com olhos luminosos vermelhos, cenário que permitia o deslocamento dos integrantes por mais de um nível, e backdrops que eram alternados de forma ágil, dando o clima apropriado a cada música.

Alguns dos momentos mais especiais viriam a seguir, com clássicos das antigas, raramente tocados ao vivo: “Children Of The Damned” e “Phantom Of The Opera”. Os sorrisos estampados nos rostos dos presentes claramente mostravam que todos estavam entendendo ser aquele um momento especial, que provavelmente não se repetirá. Cantando junto da banda, o público transformou a Apoteose num caldeirão fervente, porém pacífico. Era quase um retorno no tempo, com destaque para a linha de frente formada por Harris, Smith e Murray.

Dickinson trocou o figurino, vestindo sua já célebre jaqueta vermelha e, bandeira da Grã-Bretanha aos frangalhos em punho, anunciou a literalmente galopante “The Trooper” para a multidão empolgada. Um pouco mais recente e com uma levada mais acessível, outro retumbante sucesso da era de ouro da MTV foi apresentado a seguir, “Wasted Years”. Entre as músicas, Bruce ia fazendo comentários espirituosos, e em determinado momento sugeriu mais um retorno da banda ao país, a ocorrer em 2011, após o lançamento de um novo disco de estúdio no próximo ano. Vamos ver se cumprirão... Tudo indica que sim.

Um verdadeiro hino épico veio na sequencia, a longa “The Rime Of The Ancient Mariner”. O público parecia não acreditar, por mais que a maioria já soubesse que tal música seria tocada. É o famoso efeito “ver para crer”. Os fãs mais aguerridos cantavam tudo, acompanhavam as partes narradas, e cantarolavam até mesmo as partes instrumentais (como já havia ocorrido, por exemplo, em “Phantom Of The Opera”). Em conjunto à ótima “Powerslave”, que a seguiu, foi um dos momentos de ápice da noite.

O ritmo não podia cair, e não caiu. “Run To The Hills” e “Fear Of The Dark”, escolhas mais óbvias, deram o recado de forma direta e objetiva, com Bruce conclamando o público a cantar junto, tarefa pra lá de fácil, convenhamos. O nível voltou novamente a subir com um dos maiores clássicos do grupo, “Hallowed Be Thy Name”, talvez a melhor composição do Maiden desde que Dickinson assumiu o microfone. “Iron Maiden” fechou o segmento, de forma perturbadoramente impressionante: o túmulo em forma de esfinge posicionado atrás da bateria de McBrain se abriu e surgiu o mascote Eddie caracterizado de múmia, balançando os braços e parecendo que partiria para o ataque a qualquer momento.

Uma leve pausa se seguiu, com o consequente retorno para o bis, começando com outro clássico, “The Number Of The Beast”. O pique permanecia intacto, com explosões e fogos no palco que aqueciam a todos os que estavam a um raio de algumas dezenas de metros de distância do mesmo. “The Evil That Men Do” trouxe outro esperado visitante, o Eddie futurista da capa de “Somewhere In Time”, munido de pistola e se movimentando pelo palco todo, simulando um ataque aos integrantes da banda. Por fim, outra bem antiga para encerrar a noite: “Sanctuary”. Todos os presentes provavelmente gostariam de pedir ainda alguma música para ser tocada, mas era inconcebível que alguém ainda estivesse insatisfeito após 1:50h de um show marcante e impecável, com tantos clássicos, efeitos, e tudo mais.

O Iron Maiden sabe muito bem cruzar seriedade (na composição de músicas e letras) com entretenimento puro e simples (em seus cenários, efeitos de palco, capas de discos, camisas, etc.), talvez residindo aí seu maior segredo de sucesso e longevidade. Afinal, era fácil notar que a plateia era formada por gente de várias gerações. Se mantiverem o pique, mesmo sem lançar mais discos verdadeiramente clássicos, não terão problema algum em segurar os atuais níveis (altos) de popularidade por mais um bom tempo.

Setlist:
- Intro (Playback: Doctor, Doctor / Transylvania / Winston Churchill’s speech)
- Aces High
- Wrathchild
- 2 Minutes To Midnight
- Children Of The Damned
- Phantom Of The Opera
- The Trooper
- Wasted Years
- The Rime Of The Ancient Mariner
- Powerslave
- Run To The Hills
- Fear Of The Dark
- Hallowed Be Thy Name
- Iron Maiden

Bis:
- The Number Of The Beast
- The Evil That Men Do
- Sanctuary

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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