Orquídea Negra: ex-integrantes e show histórico em Lages

Resenha - Orquídea Negra (Teatro Marajoara, Lages, 14/09/2008)

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Por Carolina Brand
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Uma vez entrei na Roots Records em Florianópolis e fiquei impressionada com a relíquia que encontrei: o vinil "Who´s Dead?" do Orquídea Negra (1992). A banda lageana é uma das pioneiras do metal catarinense e no último dia 14 de setembro deu um verdadeiro presente para os antigos e novos fãs: um show histórico com o reencontro dos integrantes da formação original, extinguida em 1993 com a saída de Fernando Ferpa e em 1995 de André Boca. Era justamente a época em que as músicas do citado LP estavam na boca do povo.

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André Boca, Fernando Ferpa Tavares, Marcelo Mena Menegotto, Robson Anadon e Vinicius Porto subiram ao palco do Teatro Marajoara em Lages por volta das 19h40, após a aplaudida apresentação da banda convidada Brasil Papaya, de Florianópolis. Por mais de uma hora, cerca de 400 fãs, amigos, convidados que viajaram quilômetros e conterrâneos que foram prestigiar, se emocionaram numa apresentação nostálgica que relembrou as duas décadas do Orquídea e reviveu clássicos da banda.

A presença de alguns ex-integrantes na platéia foi lembrada, assim como os primeiros shows da banda e o antigo clipe, mostrados no telão durante a apresentação. O inusitado foi ver o Robinho tocando guitarra e teclado, como antigamente, e o Boca carregando o extinto cabelo no bolso. Detalhes a parte, o show não só deixou o público boquiaberto como levantou todo mundo das cadeiras, dominando a frente do palco para assistir de perto e colocar a cabeleira para chacoalhar. Não tinha a mesma graça assistir sentado.

No repertório estavam as músicas "Wonderful and Lost", "Christmas Night", "I’m Calling For You Soul", "Hunting Devil", "It’s Easy to Remember", "Mr. Powerful", "Run to the Hell", "Miss You", "Surrender" em versão acústica (com acompanhamento de violinos) e versão clássica, "The Darkness", "The Unknow", "Touch Your Dream" e "Children of the Damned".

Para quem tem lá seus 20 e tantos anos foi uma emoção poder relembrar clássicos como “Surrender” e “Miss You”, que não só fazem parte da história do metal catarinense como também marcam o início de carreira dessa grande banda que serviu de exemplo e incentivou outras a lutarem pelos seus objetivos e mostrarem a sua música.

Para falar mais sobre este reencontro ninguém melhor do que Robson Anadon, nosso querido Robinho, que também lançou oficialmente o IV Orquídea Rock Festival que acontecerá nos dias 12, 13 e 14 de dezembro em Lages:

De onde surgiu a idéia desse reencontro dos integrantes originais? Esse é um projeto provisório ou pretende-se seguir a lendária Orquídea Negra por longo tempo?

Bom, isso já vinha com o tempo sendo cogitado, não pela banda, mas por muitos fãs que pediam para ver o Boca de volta conosco. Fomos amadurecendo esta idéia e conversando, e resolvemos convidar também o Ferpa para fazer um show ainda mais especial, homenageando o primeiro trabalho da banda. Nossa idéia é manter a banda assim daqui pra frente, o que é a preferência da maioria dos fãs.

Como está sendo o contato entre os músicos, como é o relacionamento de vocês após tantos anos? Continuavam amigos mesmo não tocando mais juntos ou a reaproximação foi somente profissional?

Nosso relacionamento é super tranqüilo, sempre tocamos juntos por todos esses anos (Marcelo, Vinicius e Robson), já tivemos outra banda com o Ferpa e outra com o Boca também. Sempre continuamos amigos, então foi uma coisa super simples de se fazer, não foi meramente profissional.

O retorno do Orquídea Negra foi como o esperado? Qual a sensação da banda em relação ao seu público?

Sobre o retorno com esta formação, eu diria e acho que a banda diria o mesmo, foi mais do que o esperado. A reação do público foi espetacular como você mesma pôde constatar, em cada rosto que olhávamos de cima do palco víamos um grande sorriso estampado, quase maior que os nossos.

A banda com anos de estrada participou ativamente de diversas fases de seu público e como conseqüência vi pessoas com variações bruscas de idade na platéia. Qual é a cara do Orquídea Negra hoje, após o seu retorno? Consegue atingir grupos diferentes e agradar o público fiel ou conquistou uma nova legião de fãs?

Sem dúvida alguma, no último domingo pudemos ver pais que já eram fãs da Orquídea a anos com seus filhos lá curtindo, isso não tem preço, e ambos curtindo de igual para igual. Já podemos dizer que isto está passando de pai para filho. Queremos estar quem sabe no futuro agitando três gerações. E a cara da Orquídea Negra é essa, uma cara muito feliz e satisfeita por conseguir atingir grupos diferentes, agradando os fãs antigos, os novos e cada vez conquistando mais.

Qual a sensação de sair da performática apresentação como baixista e assumir a guitarra e os teclados? Houve reação dos fãs quanto a essa alteração na banda?

A princípio pode parecer estranho, até mesmo para mim, pois, assumi o posto de baixista de 1993 até então. Os fãs mais novos que estranharam mais, estavam acostumados a me ver apenas no baixo, muitos nem sabiam que eu já havia tocado guitarra e teclado na banda. Mas é uma coisa natural, sempre rolam os comentários positivos ou negativos, mas nada que nos impeça de fazer um bom trabalho.

Robinho conclui bem o evento e a entrevista com um comentário que mostra o clima da nova fase do Orquídea Negra:

Pode ter certeza que o que fazemos, fazemos com nossos corações e pensando nas pessoas que nos têm seguido por todos estes anos. Continuaremos sempre tentando dar o melhor de nós para elas, levando uma música feita com qualidade e paixão.

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