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Resenha - Megadeth (Credicard Hall, São Paulo, 06/06/08)

Após pouco menos de três anos, Dave Mustaine e o MEGADETH retornaram ao Credicard Hall, em São Paulo, nesta sexta-feira (6 de junho), desta vez pela turnê de divulgação do álbum "United Abominations". E o que o público paulistano teve a oportunidade de ver foi um show conturbado, em que o maior astro da noite não escondeu a insatisfação por desajustes técnicos, que o levaram a abandonar o palco por mais de 20 minutos.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Foto da chamada: Alexandre Cardoso

Mesmo com cara de poucos amigos - o que não chega a ser novidade para o sisudo Dave Mustaine -, o frontman e sua banda fizeram um show curto (cerca de 90 minutos, descontados os 20 e interrupção), mas que agradou a platéia que encheu o Credicard Hall. Platéia, por sinal, que em momento algum deixou de mostrar sua devoção ao MEGADETH.

A banda californiana chegou a São Paulo depois de percorrer o maior bocado de sua turnê sul-americana. A dúvida que pairava entre os fãs da paulicéia, e podia ser ouvida pelos corredores do Credicard Hall, era qual set list Mustaine dedicaria àquela noite: o mais extenso, exibido nos shows de Santiago (Chile) e Buenos Aires (Argentina), ou o mais econômico, dos shows de Goiânia e Curitiba, já em solo brazuca.

Pois a dúvida começaria a ser respondida às 22h15, quando Mustaine, Chris Broderick (guitarra), James Lomenzo (baixo) e Shawn Drover (bateria) invadiram o palco com os primeiros acordes de "Sleepwalker", música de "United Abominations". Sem pausa para um "Good evening, Saum Paulo!" sequer, a banda emendou "Wake Up Dead" e "Take No Prisioners" – música em que os problemas de áudio que logo levariam Mustaine à loucura começaram a se manifestar de forma evidente (quase não se ouvia o vocal do frontman ao longo de toda a canção).

"Skin O’My Teeth" veio logo na seqüência e manteve o público aceso. Mustaine finalmente tomou o microfone para saudar seus fãs e logo anunciou "Washington is Next!", mais um petardo do politicamente engajado "United Abominations". Mas as coisas não iam bem no palco. O líder do MEGADETH pedia constantemente que os técnicos ajustassem o som de seu instrumento, o que parecia não estar acontecendo (pelo menos não da maneira que Mustaine exigia).

E o pior aconteceu na seqüência, ainda na introdução de "Kick the Chair". Numa atitude bem condizente com o título da música, Mustaine chutou a cadeira (ou seria o balde?) e simplesmente deixou o palco, entregando sua guitarra a um roaddie enquanto disparava uma série de impropérios. Os demais integrantes da banda se entreolharam, já percebendo a insatisfação do chefe, e saíram do palco também. Apesar da energia da galera, que continuava a se agitar diante do palco, o Credicard Hall mergulhou num inusitado silêncio.

Passados quase 10 minutos de palco vazio, uma pessoa da produção pegou o microfone para anunciar que a banda voltaria após a resolução de alguns "problemas técnicos". Após pouco mais de 20 minutos da interrupção abrupta, a banda retornou com os acordes iniciais de "Kick the Chair". E tudo parecia resolvido agora – o som da guitarra e do vocal de Mustaine estava realmente mais nítido.

Terminada a música, o frontman tomou o microfone para uma breve explicação: "Desculpem pela interrupção, mas achamos que vocês merecem o melhor de nós", afirmou, seguido por uma demonstração contagiante de compreensão da galera.

Resolvidas as pendências, o MEGADETH disparou a melhor seqüência do show: "In My Darkest Hour", "Hangar 18" (quase perfeita), "She Wolf" (uma paulada) e a inigualável "A Tout Le Monde", que foi cantada de cabo a rabo pelos fãs.

Por causa do adiantado da hora, após mais de 20 minutos de interrupção, o solo que Chris Broderick (uma grande aquisição do MEGADETH) faria ao final de "A Tout Le Monde" se resumiu a alguns poucos acordes, pois logo começou a rolar "Tornado of Souls", que sacudiu todas as almas presentes ao Credicard Hall. Naquele momento, porém, já se sabia que o show teria o "set list brasileiro", mais curto, diferente do apresentado aos fãs chilenos e argentinos (declaradamente, os favoritos de Mustaine).

"Ashes in Your Mouth" e "Burnt Ice", outro trabalho do disco novo, colocaram o show em sua reta final. Para satisfação do público, a seqüência derradeira também foi das melhores: "Sweating Bullets" (em grande interpretação), "Symphony of Destruction" – estas duas músicas em ordem diferente da apresentada nos shows de Goiânia e Curitiba – e "Peace Sells" (infelizmente, sem a emenda com "Mechanix", como ocorreu em Santiago e Buenos Aires).

Na volta para o bis, Mustaine e sua banda mandaram "Holy Wars", já com tom de "goodbye". Acabava ali mais um show do MEGADETH em São Paulo, com agradecimentos um pouco mais empolgados do frontman e uma menção especial ao presente que lhe foi jogado ao palco pelos fãs da pista: uma bandeira do Brasil.

No saldo final, o MEGADETH apresentou um show bom, mas sem aquele brilho de apresentações anteriores (quem também viu o espetáculo de 2005, no mesmo Credicard Hall, certamente saiu menos satisfeito ontem). Mas Dave Mustaine é Dave Mustaine, e sua importância para o thrash metal jamais pode ser desconsiderada. Agora, vamos esperar pela próxima tour. Oxalá que ela não demore muito para chegar.

SET LIST

Sleepwalker
Wake Up Dead
Take No Prisoners
Skin O' My Teeth
Washington Is Next!
Kick the Chair
In My Darkest Hour
Hangar 18
She Wolf
A Tout Le Monde
Tornado of Souls
Ashes In Your Mouth
Burnt Ice
Sweating Bullets
Symphony of Destruction
Peace Sells
Holy Wars (bis)

www.diaderock.com.br: Veja as fotos de quem foi no show e compartilhe as suas.

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Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

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