Em 05/06/2008 | Resenha - Megadeth (Hellooch, Curitiba, 05/06/08)

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Resenha - Megadeth (Hellooch, Curitiba, 05/06/08)


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Fãs se aglomeravam em frente ao palco empunhando cartazes que davam boas vindas e anunciavam Dave Mustaine para presidente. O líder do Megadeth já admitiu inclusive em recentes entrevistas que se daria bem em um cargo político. Sorte a nossa que, por enquanto, ele continua na atividade que já exerce há mais de 25 anos.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fotos: Makila Crowley

Já é de muito tempo que o público mostra essas preciosidades curiosas sobre Dave Mustaine, que sem dúvida é um grande orador da tentativa de uma ordem política mundial através de anos e anos como o principal compositor do Megadeth. Se ele é o cara certo para ser indicado como o “salvador da pátria”, até pode ser, mas a função dele como guitarrista e vocalista do Megadeth, ainda lhe cai muito bem, para não dizer, é o ideal.

O Megadeth está bem diferente desde a última vez que esteve em Curitiba (PR), em 1998, quando ainda tinha a formação considerada “clássica”, com Menza, Friedman, Ellefson e o próprio Mustaine. Mas como este último é quem realmente manda na bodega, chama e manda embora quem ele quer. Um dos novos “funcionários”, Chris Broderick (Nevermore, Jag Panzer), tem personalidade própria e habilidade na guitarra, sem temer riffs rápidos e os solos ainda mais alucinantes dos clássicos do Megadeth. Ele e Mustaine fizeram tremer a Helloch, ótima casa de shows da capital paranaense e que atrai cada vez mais adeptos do rock e metal. Só nesta apresentação foram 2,5 mil pessoas aproximadamente, é quase um contra-senso se pensarmos que foi em uma quinta-feira.

Exatamente 22 horas, Dave Mustaine invade o palco tranquilamente, como se estivesse em uma caminhada rotineira no Parque Barigüi, um dos mais famosos pontos de lazer de Curitiba. Econômico nos gestos, o vocalista com voz indiscutivelmente apreciável apenas se concentra em tocar, cantar e bater cabeça. O público fervoroso agiu de forma espetacular aos primeiros segundos de “Sleepwalker”, e não parou um momento sequer. A banda também nem deu chance para isso, já que emendou as quatro primeiras músicas uma atrás da outra. O som estava extremamente alto, mas um pouco embolado durante as partes mais rápidas onde Shaw Drover abusava das bicudas no bumbo e pancadas no caixa. Certo mesmo, é que o som estava o ideal no que diz respeito ao nível que o Megadeth merece.

Apenas na quinta música, Dave segura um pouco os ânimos, faz a primeira das quatro trocas de guitarra ao longo do show e anuncia “Washington Is Next”, do CD “United Aboninations”, origem desta nova turnê intitulada “Tour of Duty 2008”. O som continuava alto pra cacete, graças à parede sonora construída pelas doze caixas de som do palco, numa explosão de riffs de guitarra, bateria e o baixo marcante do também recém chegado, James Lomenzo (White Lion, Black Label Society), que sem dúvida, chamou a atenção. O público se atravessava de um lado ao outro da pista, sempre atraído pela velocidade e esmero com que cada música era tocada. A forte “Kick The Chair”, foi logo amarrada, assim como “In My Darkest Hour”, sem a introdução dedilhada. Nesta canção, uma das mais marcantes da carreira do Megadeth, o público pulou marcado pelos riffs “roçantes” e cantou muito um dos refrãos mais bonitos já produzidos no Heavy Metal.

Parecia que a banda queria correr contra o tempo, pois amarrava uma música atrás da outra, como se estivessem com pressa. E com “Hangar 18” não seria diferente, já que a canção colocaria mais uma vez o público para saborear algumas dezenas de palhetadas rápidas e grunhidos do velho Mustaine. Que seqüência maravilhosa, diga-se de passagem, antes de chegar o primeiro contato mais extenso do vocalista com o público, que imediatamente pediu desculpas pela demora em retornar à Curitiba.

O pedido foi aceito logo que começou “She Wolf”, seguida de “A Tout Le Monde”, uma das mais famosas do grupo e que deixa qualquer um arrepiado pelo refrão melodioso. Chris Broderick aproveitou o final desta música para fazer um solo rápido em técnica “two hands”, ganhando ainda mais a confiança do público ao ser ovacionado.

Quando começa “Tornado of Souls”, novo momento para a casa cair. Era uma bagunça com gente querendo abrir rodas, chegar perto do palco, pular, bater cabeça ou simplesmente assistir ao show. Todos viam a banda, perfeitamente conectada, executar uma das músicas mais apreciadas da carreira do Megadeth. A seqüência de “Ashes In Your Mouth” e “Burnt Ice”, foi mais tranqüila, mas era duro já pensar que tanta coisa já havia sido tocada e nos aproximávamos de uma hora de show. Incrível como o Megadeth é rápido, em todos os sentidos.

Para a parte final, ainda estava reservado os clássicos: “Symphony Of Destruction”, “Sweating Bullets” e “Peace Sells”, que trataram de mexer com o público mais uma vez, e pulava feito criança. Foram três músicas praticamente perfeitas, mas quase foram ofuscadas pelo arremesso de uma lata de cerveja no palco, aos pés de Dave Mustaine que iniciava um diálogo com o público e apresentava os companheiros de banda depois de “Peace Sells”. Sem aprovar a atitude, o líder desmereceu o ato e o “infeliz atirador”, recebeu uma baita duma vaia da galera. Mas tudo era festa, e a bom humor e tranqüilidade de Dave Mustaine pareciam estar acima de tudo, principalmente num momento de descontração ao jogar algumas baquetas para o público.

Pausa para um momento curioso. Enquanto Dave Mustaine discursava, um roadie limpava a cerveja derramada no chão ajoelhado aos seus pés com um esmero como se fosse as encarregadas da limpeza da Casa Branca. Imagem diferente, de um fato até mesmo corriqueiro, mas que tem um significado imenso, ainda mais devido à importância que o líder do Megadeth tem para todo o legado Thrash Metal.

Era hora de ir embora, e para finalizar a bagunça, Mustaine, pegou uma câmera fotográfica e fez um registro do público que o saudava como um verdadeiro herói. O momento de carinho não parou por aí, com diversas honras à bandeira brasileira. Durante a execução de “Holy Wars”, que finalizou o show, ela foi colocada no pedestal do microfone.

Difícil explicar um show tão curto (exatos 1h20min), mas tão bem aproveitado, tratando-se que a banda pouco falou e muito se esforçou para encaixar 17 canções neste período. Faltaram algumas coisas como “Trust”, “Gears of War”, que já vinham sendo executadas na turnê (a exemplo de como foi no Chile e na Argentina), ou outras canções que passaram batidas. Mas o saldo final foi positivo, tanto para o público que ganhou uma enxurrada de músicas, como para o próprio Megadeth que, apesar da “dança das cadeiras”, promovida por Dave Mustaine nos últimos anos, ainda está longe de largar mão do bom Thrash Metal rápido e direto, sem intervalos e enrolações.

Set-list:

1- Sleepwalker
2- Wake up Dead
3- Take no Prisioners
4- Skin o´ My Teeth

5- Washington is next!
6- Kick the Chair
7- In My Darkest Hour
8- Hangar 18

9- She Wolf
10- A Tout Le Monde
11- Tornado
12- Ashes in Your Mouth

13- Burnt Ice
14- Symphony
15- Sweating Bulets
16- Peace Sells

17- Holy Wars

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Sobre Clóvis Eduardo

Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.

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