Em 05/04/2008 | Resenha - Ozzy Osbourne (Palestra Itália, São Paulo, 05/04/08)

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Resenha - Ozzy Osbourne (Palestra Itália, São Paulo, 05/04/08)


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O ano de 1995 marcou a última vinda do vocalista John Michael “Ozzy” Osbourne ao Brasil, no festival Monsters of Rock, realizado no estádio do Pacaembu. Dessa forma, escrever uma resenha sobre o retorno de Ozzy ao Brasil é, mais do que falar de um mito do rock, retratar o contato de novos fãs do estilo com a pessoa que melhor o representa. No dia 5 de abril de 2008, o Parque Antártica, em São Paulo, recebeu o rei das trevas junto das bandas Black Label Society e Korn.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Em sua época como vocalista do Black Sabbath, sua primeira banda na década de 1970, Ozzy era famoso por agitar platéias e possuir uma qualidade vocal que se tornou marcante em vários hinos do rock pesado. Com o passar dos anos, o uso excessivo de drogas desgastou Osbourne, a ponto de não ter mais condições de se apresentar em palcos, tornando suas aparições raras.

“Black Rain”, álbum lançado em 2007 pelo “Madman” – como costuma ser chamado – trouxe um som comparável aos principais discos de sua carreira. No entanto, o grande diferencial desse trabalho foi a afirmação categórica de Ozzy, que assegurou não ter utilizado qualquer substância ilícita em sua gravação. Na apresentação em São Paulo, no Parque Antártica, isso ficou mais claro.

Com aproximadamente 40 mil pessoas presentes, que iam chegando aos poucos, as bandas Black Label Society e Korn fizeram suas apresentações de abertura. Os shows começaram às 19h30min e se estenderam até a meia noite, transformando a apresentação em um verdadeiro festival (principalmente considerando o preço dos ingressos, que variaram entre R$180 e R$300, na platéia VIP).

A bandeira da caveira estendeu-se sobre o palco, revelando a entrada da primeira banda. Essa cobertura permitiu que a entrada dos músicos fosse discreta, mostrada apenas pelos telões espalhados no estádio de futebol. Frontman do Black Label Society, o guitarrista Zakk Wylde, também instrumentista da banda de Ozzy, fez uma apresentação repleta de solos e tecnicamente boa. Com um chapéu de mafioso e tocando músicas como New Religion, do álbum “Shot in Hell”, lançado em 2006, Wylde parecia um “viking”, batendo a mão no peito e incitando o público. No entanto, na execução das músicas dos álbuns “Máfia”, de 2005, e “Blessed Hellride”, de 2003, os ruídos da guitarra elétrica de Zakk soaram abafados para quem estava mais próximo ao palco, e seu vocal não estava muito claro. A apresentação em si evidenciou mais sua performance com os integrantes da banda, como o segundo guitarrista Nick Catanese, tão barbudo e bárbaro quanto Wylde, além de Craig Nunenmacher detonando a bateria e John DeSevio no baixo.

Em menos de uma hora, Zakk terminou as músicas e, após jogar sua guitarra ao chão, fez uma despedida breve. O palco, às 20:30, começava a ser preparado para a entrada da banda do estilo new metal chamada Korn.

Notou-se, entre o público, que os admiradores da banda de Jonathan Davis não eram bem queridos pelos fãs do Black Label e do próprio Ozzy. A música do Korn, que mescla letras de rap e experimentalismos com sintetizadores sonoros, fez algumas pessoas se dispersarem – alguns circulavam, outros bebiam cerveja. No entanto, mesmo dentro do estilo do new metal, o Korn fez uma apresentação agitada, sempre conversando com o público.

Muitos músicos convidados – como Kalen Chase, na percurssão, Shane Gibson, guitarrista, Ray Luzier, baterista, Zac Baird, nos teclados, e um DJ mascarado – participaram com o trio oficial do Korn. Literalmente “montado” em seu microfone estilizado, o vocalista Jonathan Davis exclamou frases de agradecimento a Ozzy Osbourne, pela oportunidade de participar de um show tão cheio, e aos seus fãs, pelo incentivo na estrada.

As músicas tocadas pelo Korn foram desde A.D.I.D.A.S, de seu álbum “Life is a Peachy” de 1996, até Coming Undone, do álbum “See You in the Other Side” de 2005, fazendo uma miscelânea geral do repertório do grupo. Também tocaram, em um cover rápido, a música We will rock you, do Queen, cantada em uníssono por muitos no Parque Antártica.

O Korn encerrou sua atuação no palco às 22h. Com o logotipo de Ozzy Osbourne exibido no telão, o palco foi sendo preparado aos poucos,às vistas do público, que começava a se amontoar nas grades. Em menos de 20 minutos, foi possível ouvir, claramente, a voz do Madman dizendo “I can hear you!”.

Sem entrar no palco, Ozzy instigou o público, que saudava com um “Olê, olê, olê, olá! Ozzy! Ozzy!”. O telão passou a mostrar vídeos de vários filmes, como Piratas do Caribe III – No Fim do Mundo e Borat: Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América, com Ozzy no lugar de seus personagens principais, fazendo piadas infames e levando o público às gargalhadas. Seriados como Lost e Família Soprano também foram parodiados.

Após as saudações iniciais, Ozzy Osbourne entrou no palco ao ritmo de I don´t wanna stop, balada com riffs pesados de seu novo CD, “Black Rain”. Como o próprio nome da música diz, Ozzy está longe de parar de cantar, assim como seus excelentes músicos. Zakk Wylde subiu no palco pela segunda vez na noite, rasgando com o solo de Bark at the Moon, do álbum homônimo de 1983, que levou os fãs aos tempos clássicos de Ozzy.

Extremamente gentil e energético, o “Madman” atirou a fita preta que envolvia sua testa e se ajoelhou para saudar o público no intervalo entre as músicas. “I love you all” foi uma de suas declarações, mesclada com um pedido de desculpas pela ausência de 13 anos dos palcos brasileiros. Suicide Solution, do clássico “Blizzard of Ozz” de 1980, foi acompanhado por gritos de incentivo do histórico vocalista, juntamente com o baixista Rob Nicholson e o baterista Mike Bodin, além de Adam Wakeman nos teclados.

Após atirar baldes d´água no público, fazendo sinais de que o clima estava quente, e mostrando as nádegas no final da última música, Ozzy deixou claro que sabe provocar e ter o público sob seu comando. Mr. Crowley, música composta para o místico e, supostamente, satanista Aleister Crowley, adquiriu tons gregorianos com o teclado que simulou um órgão de igreja. Esse espiritualismo e magia que as canções de Ozzy transmitiram eram visíveis em todos os ouvintes, que não estavam ali somente pelo heavy metal que ele criou em 1970, mas pelo showman que o Madman, de fato, é.

Entretanto, essa herança do passado do quase sexagenário Ozzy esteve explícita nesse show de clássicos. Após a execução de Not going away, também do CD “Black Rain”, Ozzy Osbourne lançou a pergunta: “Let´s play Black Sabbath?”.War Pigs foi a resposta imediata. Com cenas de guerras no telão, a canção de protesto contra o Vietnam do ex-frontman do Sabbath era conhecida por todos os presentes, que vibravam e pulavam com sua evolução gradual.

Dando uma pausa nos clássicos de sua banda, Ozzy retornou às músicas da carreira solo em Road for Nowhere, do álbum “No More Tears” de 1991. Recebendo duas bandeiras brasileiras, uma pequena que mostrou ao público e outra grande que estendeu sobre suas costas, Ozzy perguntou à platéia se ela poderia enlouquecer com ele: “this time, it´s a song with crazy!” – emendando a balada Crazy Train, também do álbum “Blizzard of Ozz”.

Após a última música, Zakk Wylde ficou só no palco. “Solando” de maneira muito mais precisa do que no show do Black Label, o guitarrista que mais acompanhou Ozzy em sua carreira fez um cover dos antológicos músicos Jimmi Hendrix e Eddie Van Halen, tocando a guitarra com a boca e de costas. A performance de Wylde, que contagiou o público, lhe custou cortes nos dedos, que ficaram sangrando até o final do show. Manchando todas as guitarras em que pegou, o instrumentista deu uma demonstração do que o rock´n´roll é feito: atitude, nem que isso machuque suas mãos.

Iron Man foi outro retorno claro aos tempos de Black Sabbath de Ozzy. Em seguida, emendou I don’t know e, perante um público cada vez mais entusiasmado, tocou No more tears. Os agudos dessa música marcaram o público. “I can´t hear you” fazia os brasileiros gritarem mais e mais alto. Here for you, a balada dos teclados no novo CD, lembrou quase imediatamente músicas leves de Ozzy, como Changes e Dreamer, atendendo aos espectadores que não apreciam os números mais pesados do Madman. I don´t want to change the world encerrou, supostamente, o show.

“One more song! One more song! One more song!”vociferou o Parque Antártica, suplicando para que Ozzy voltasse. A clássica Mama I´m comming home trouxe Zakk em uma guitarra dupla, fazendo o som de violão e guitarra. Paranoid, também originalmente do Black Sabbath, encerrou uma noite de músicas marcantes e antigas que Ozzy Osbourne trouxe nessa turnê, mesclando com pouca coisa de seu novo material.

Antes de se despedirem, Zakk Wylde apontou para um grupo de pessoas na platéia VIP, que estendem as mãos para o alto. Com seu temperamento selvagem, ele atirou um cabeçote de amplificador para o público, sem a intenção de machucar, mas comprovando sua selvageria como músico. Com essa última imagem, temos o panorama de Ozzy e sua banda: loucos, muito longe de estarem velhos ou acabados e, acima de tudo, com disposição não somente para tocar, mas para divertir seu público. Obrigado, Ozzy Osbourne, pelo desempenho memorável.

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Sobre Pedro Zambarda de Araújo

Nascido em 1989. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Pedro foi apresentado ao heavy metal através da banda Blind Guardian, em meados de 2004. Ouve e aprecia outros estilos do rock, como o punk, o indie e vertentes mais variadas. Gosta de assistir e cobrir shows.Toca muito mal guitarra, mas aprecia vários tipos de instrumentos musicais.

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