Em 04/03/2008 | Resenha - Iron Maiden (Pedreira Paulo Leminski, Curitiba, 04/03/08)

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Resenha - Iron Maiden (Pedreira Paulo Leminski, Curitiba, 04/03/08)


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“Oh! Que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais”. Tá bom, tá bom, Casimiro de Abreu foi um genial poeta da geração romântica brasileira, principalmente com “Meus Oito Anos”, obra tão ensaiada nos fatídicos jograis escolares. Mas para que comparar um poeta ao maior grupo de Heavy Metal do mundo?

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Fotos: Makila Crowley

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A volta às raízes, o cheiro de poeira e mofo, a nostalgia, enfim, tudo que compreende aquele sentimento de antigo. E grande parte dos malucos berrentos que estiveram na Pedreira Paulo Leminsky em Curitiba (PR), na terça-feira, nem tinha o espírito aventureiro e despojado quando os ingleses já viviam na época da seminal New Wave Of British Heavy Metal. Em 1985, enquanto o Iron Maiden completava uma turnê com 193 shows em passagens por diversos países – inclusive no Brasil – com uma explosão sonora chamada “Powerslave”, muitos de nós apenas engatinhávamos no rock e na vida, literalmente.

E a aurora voltou! Incrível. Talvez a mais especial forma de presentear os fãs com um baú velho mas cheio de preciosidades, Steve Harris e turma resolveram concentrar-se no passado e nos dar nova visão de futuro. O museu do Heavy Metal estava aberto, com data definida para iniciar atividades, mas também com prazo de validade curto, sem aqueles quase 200 shows que fizeram “Powerslave” um dos discos mais especiais da história do metal. Apenas duas horas, pouco tempo, mas suficiente para lavar a alma de qualquer louco pelo Maiden.

A Pedreira de Curitiba é um local com muita história para contar sobre eventos de grande porte. Notícias rolam de um show do Ramones na década de 90 como sendo um dos mais insanos já vistos em terras brasileiras. Outros, já citam a própria passagem do Iron Maiden em 1998 – com Blaze Bayley nos vocais e ainda uma dupla nas guitarras – como um momento incomparável. Dentre tantas outras lembranças na Pedreira (metálicas ou não), a passagem da Donzela de Ferro por terras paranaenses não deu margem para decepção. Foram duas horas de regressão com três guitarristas estúpidos de tão bons, tão idênticos no momento de sincronia e tão diferentes na hora de mostrar quem consegue dançar e rodopiar mais no palco.

Segundo a organização, em torno de 20 mil ingressos foram vendidos, um mar de gente que só queria cantar e se divertir. Música boa não faltou, afinal a turnê Somewhere Back in Time do Iron Maiden é uma das mais comemoradas dos últimos anos por trazer velhos clássicos de volta, com a mesma pegada que o grupo demonstrava nos anos oitenta, acrescentado claro de mais uma guitarra e toda a parafernália de som e luz existentes no século XXI. Isso quer dizer qualidade, tanto no áudio como na iluminação, que combinaram perfeitamente com a singular forma da Pedreira. Microfonias? Guitarras falhando em solos? Isso acontece com qualquer um, inclusive com os melhores.

É de se admitir que falar de cada música do set-list deste show é provocar, no mínimo, grande abuso de redundância. Pois ninguém tinha dúvida que “Aces High”, “Two Minutes To Midnight”, “Revelations” e “Wasted Years” fizessem até mesmo os mais experientes fãs do Iron Maiden se balançar e sorrir feito criança em dia de festa de aniversário. A turnê começou em fevereiro na Índia, e o set até agora sofreu apenas pequenas mudanças na ordem de algumas músicas. Com isso, ficou a impressão que este show tem mesmo o desenho dos anos 80, com o fundamentalismo do “Seventh Son Of A Seventh Son”, os sintetizadores de “Somewhere in Time” e o vigor de “Powerslave”.

Curitiba gritou 14 vezes a pedido de Bruce Dickinson. E poderia ter sido ainda mais, se não fosse o jeito cômico de um dos ícones do Heavy Metal se portar, tendo o público nas mãos apenas com o olhar. A bem da verdade, quem mais berrou mesmo foi o próprio Dickinson, que mostra que está com a garganta afiadíssima e não tem medo de subir nas estruturas metálicas do palco durante “Fear Of The Dark”. Esta, por sinal, um pouco deslocada da temática da turnê que a banda assumiu (a canção foi lançada no disco homônimo de 1992), mas o fato é que ninguém deixou a música passar despercebida, inclusive como um dos momentos altos da festa.

A noite também teve momentos de pura maestria com “The Rime Of The Ancient Mariner” (13 minutos de uma união perfeita entre Nicko Mcbrain, Steve Harris, Dave Murray, Janick Gers, Adrian Smith e Bruce Dickinson). Clássicos nem tão esquecidos assim, dentre eles “Run To The Hills”, “Iron Maiden” e “Can I Play With Madness” já vem sido tocadas há anos, mas nem por isso deixam de agradar a galera que sempre pede mais.

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Para fugir do lugar comum, Curitiba teve alguns fatos realmente curiosos neste show de terça-feira. Um jacaré de plástico apareceu no palco, vindo pela parte de trás, assim como um fã que correu em direção a Bruce Dickinson e, lógico, a segurança tratou de quase “depenar” o invasor. Outros perceberam que o show valeu mesmo a pena logo ao passar pela bilheteria e reconhecer o diretor Sam Dunn, do documentário: “Metal: A Headbanger's Journey”, que circulou pela Pedreira e fez imagens do grupo no Brasil para incluir em um novo documentário, especialmente encomendado pelo Iron Maiden.

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Lauren Harris, a filha de Steve, também “revolucionou” a noite de festa. Enquanto uns bebiam, conversavam ou apenas esperavam a atração principal, outros simplesmente babavam pela jovem, que por sinal é muito bonita e tem talento, mas não para eventos deste tipo.

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Ainda assim, sobram motivos para se orgulhar do passado presente que virou um verdadeiro presente para os fãs. Quando vocês imaginariam ouvir “Moonchild” ao vivo? E “Clairvoyant”? Por isso que o Maiden continua se perpetuando, pois além de lançar ótimos discos periodicamente, sabe dosar a capacidade de agregar novos meios, com antigos artifícios. E como diria Casimiro de Abreu, na continuidade de seu famoso poema: “que auroras, que sol, que vida, que noites de melodia, naquela doce alegria, naquele ingênuo folgar!”

Viva o Iron Maiden, e as nossas longas noites de alegria!

Set-list - Curitiba

Intro - Churchills Speech
1. Aces High
2. 2 Minutes To midnight
3. Revelations
4. The Trooper
5. Wasted Years
6. Number of the Beast
7. Run To The Hills
8. Rime Of The Ancient Mariner
9. Powerslave
10. Heaven Can Wait
11. Can I Play With Madness
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

bis:
14. Moonchild
15. Clairvoyant
16. Hallowed Be Thy Name

Agradecimentos especiais:
Roger da Marhceco, Ana Flores do Grupo Jam, Mondo Entretenimento. Cláudio Vicentin e equipe da Roadie Crew, Makila Crowley e Samuel Klein.

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Sobre Clóvis Eduardo

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