Em 08/12/2007 | Resenha - Police (Maracanã, Rio de Janeiro, 08/12/07)

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Resenha - Police (Maracanã, Rio de Janeiro, 08/12/07)


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De longe esse retorno do The Police aos palcos (após mais de 10 anos sem atividades, excetuando algumas aparições “esporádicas”) já se configura como uma das turnês mais bem sucedidas de 2007. Palco gigantesco, luzes e efeitos em profusão, e uma banda executando duas horas só de clássicos, ou seja, o que os fãs mais desejam.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

O fato deste trio, que já foi por muitos considerado a maior banda de rock do mundo, pousar no Brasil para apenas uma data, e no Rio de Janeiro, foi motivo de rebuliço e desespero pelo Brasil afora. Ingressos esgotando por todos os cantos, filas e mais filas no Maracanã para comprar os poucos “tickets” que ainda estavam disponíveis, e o famoso rebuliço dos “Vips” para conseguirem seu lugar ao sol (que diga-se de passagem era bem mais extenso do que o comum, ocupando quase 1/3 da pista normal).

Chegando ao Maraca (templo sagrado do futebol e local da final da Copa de 2014), percebi que o estádio não estava cheio (ok, cheguei as 17:30, logo muito cedo), o que pode ser justificado pelo fato dos ingressos terem se esgotado (80 mil foram postos a venda, mas no final 74 mil fãs compareceram), o que dava aos presentes a tranqüilidade de optar por chegar mais tarde. Os telões, localizados no palco, mostravam fotos e “flashes” da banda, alternando com mensagens ecológicas e humanitárias.

Apenas um parágrafo para falarmos sobre algo que gerou muita controvérsia em tudo quanto foi espaço virtual de debate (leia-se fóruns, salas de bate-papo): a tal área “VIP”. É fato que um local deste num show grande como o do The Police gera “marketing” e retorno financeiro para os produtores, mas seria necessário colocar quase 1/3 da pista (e olha que estou sendo bonzinho) para pessoas que em sua maioria desconheciam o repertório da banda? Não cito neste caso os pagantes do ingresso “PALCO PREMIUM” (que custava 500 reais), pois estes exerceram seu direito de estar lá... mas tanto espaço destinado a parcas 4500 pessoas (2500 do PALCO PREMIUM), enquanto que vários fãs se espremiam na pista “pobre” é de deixar dúvidas no critério usada para a tal área. O que aconteceu nos Rolling Stones, se repetiu no The Police. Vale citar também que quem estava neste local tinha 4 opções de alimentação, enquanto que os ocupantes da pista pobre tinham três espaços, que viviam lotados. Se você não fosse esperto e se munisse de vários bilhetes para cerveja e sanduíches, enfrentaria uma fila gigantesca. Pelo menos tiveram a boa idéia de colocar tapumes de borracha, o que deixou o local mais confortável... se é que é possível.

A pontualidade era a tônica do show, e às 20 horas o Paralamas do Sucesso sobe ao palco, reforçado por Andreas Kisser (Sepultura) na guitarra, ao som de “Vital E Sua Moto”, seguida de “O Calibre” e “Selvagem”. Herbert Vianna tentou começar um discurso de saudação, mas acabou emendando um som no outro, e com isso o trio (quarteto com Andreas) foi despejando música após música, como “Mensagem De Amor”, “Cuide Bem Do Seu Amor” e a versão (com naipe de metais) para “Que País É Este” (Legião Urbana). A banda continua afiada e a forte influência do The Police em seu som tornou o show mais do que adequado para os fãs, que aplaudiam empolgados. Herbert mostra sim que as seqüelas de seu gravíssimo acidente há anos atrás irão lhe acompanhar pelo resto da vida, mas sua garra e vontade fazem de sua performance um número admirável. Ele chega até a assumir que “este começo não ficou bom" em “Meu Erro” e pede para re-começar a música. Entre homenagens a Raul Seixas, com parte de “Sociedade Alternativa”, e aos Titãs, com um trecho de “Polícia”, o grupo encerra seu show com “Loirinha Bombril”. Uma hora empolgante e divertida, como eles sempre se propuseram, e um show que foi recebido pelo público com um bom sorriso. Mas era hora de dar espaço aos mestres de cerimônia, e o Paralamas deixou o palco.

Eu jamais imaginaria que em míseros 30 minutos a bateria de Stewart Copeland e a parafernalia de palco do The Police fosse ficar pronta (estamos acostumados a demoras de mais de 40 minutos neste caso), mas pontualmente às 21h30 as luzes do Maraca se apagam (e começa a histeria coletiva) com o som de “Get Up, Stand Up” de Bob Marley soando no estádio. Era a deixa para Sting (baixo/vocais), Andy Summers (guitarras) e Stewart entrarem no palco ao som de “Message In A Bottle”, seguida por “Synchronicity II”. Nessa hora, o “SOS” de Sting e asseclas já havia sido assimilado por todos, e a banda seguiu em frente com “Walking On The Moon”, “Voices Inside My Head” e “When The World Is Running Down”. Sting rapidamente apresentou seus companheiros de banda em bom português (colando é claro, de um papel próximo aos seus olhos), e a banda continuou mandando ver com “Don´t Stand So Close To Me”, “Driven To Tears” e “Truth Hits Everybody” (que já foi “coverizada” por vários artistas, do Rage ao Pink Cream 69).

Os fãs curtiam cada minuto deste show, único, porém há de ressaltar o caráter quase mecânico da apresentação: mesmo com um som maravilhosamente claro e nítido (até os elementos percussivos e mais “delicados” de Stewart, que subia para um segundo praticável atrás de sua bateria) podiam ser ouvidos com perfeição, enquanto que o palco, com cinco telões de altíssima resolução (três no centro e dois laterais), e ainda com uma jogada fantástica que transformava a estrutura do mesmo em um telão de baixa resolução, davam um show de modernidade e competência, a banda parecia mecânica. Sting (que mostrou-se um baixista de mão cheíssima) fazia as mesmas caras e bocas sempre, Andy sorria em poucos momentos (mas sorria) e Stewart era o cara. Com uma “performance” irretocável, e mostrando um gosto apuradíssimo, ele roubou a cena. Você pode até pensar que eu estou nestas linhas dizendo que os caras fizeram um show ruim, mas não é verdade. Foi uma apresentação sensacional, com uma banda entrosada, só que faltava “o algo mais”... seria a idade? Ou a vontade de registrar um DVD? Em todo caso os fãs não ligaram, afinal era mais do que aceitável vê-los no palco após tanto tempo.

Era hora de sacudir as estruturas, e “Every Little Thing She Does Is Magic” e “De Do Do De Da Da Da” (acredite, todos cantaram), com “Hole In My Life” e “Wrapped Around Your Finger” no meio, fizeram esse papel. A banda aproveitou para mostrar imagens de crianças em “Invisible Sun” (um resultado muito bonito), enquanto Sting repetia “quere cantare?” a todo tempo. Clássicos como “Roxanne”, “Can´t Stand Losing You” e “Walking In Your Footsteps” encerraram a primeira parte do show, com fãs em êxtase.

Enquanto a banda tomava fôlego para o BIS, eis que o telão nos mostrava efeitos com os símbolos que eternizaram o The Police, numa jogada fantástica. “King Of Pain” e “So Lonely” são tocadas, seguidas pelo “mega-hit” “Every Breath You Take”, cantando em uníssono. A banda se retira e Andy fica no palco, conclamando seus companheiros de banda a retornar (uma brincadeira ensaiada que funcionou muito bem), e inicia os primeiros acordes de “Next To You”. Nesta música, mais rápida, nota-se que a idade chegou para o The Police, mas que eles ainda conseguem enganar o tempo.

Ao final de quase duas horas de show, a sensação de que, mesmo que seja para engordar contas bancárias, este retorno do The Police merece ser eternizado e continuado num CD de estúdio. Podemos até esquecer os momentos burocráticos, o fato de Andy não ser um cara carismático e a constatação que Sting não alcança mais as notas altas que fazia antigamente, a idade perdoa... e o show foi muito bom!

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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