Resenha - Yngwie Malmsteen e Dr. Sin (Citibank Hall, São Paulo, 06/12/2007)

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Por Rafael Portughesi
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Dezenas de notas por segundo, arpegios ultravelozes, pentatônicas, modos gregos e um legado definitivamente sólido. Lars Johan Yngve Lannerbäck, mais conhecido como Yngwie J Malmsteen (nascido em Estocolmo, Suécia), fez escola e desde o início de sua carreira está entre os guitarristas mais respeitados e admirados do mundo.

Fotos: Rafael S. Karelisky

A última vez que esteve no Brasil foi em 2001 e de lá pra cá o sueco lançou os álbuns “The Genesis”, “Attack” e “Unleash The Fury” (o mais recente com músicas inéditas), além de participar do G3 em 2004, que pode ser considerado um dos pontos altos da carreira de Yngwie. Falando em carreira, o músico já esteve até nas paradas da Billboard quando lançou seu primeiro trabalho, o aclamado Rising Force...

20h30 em ponto e Ivan Busic (bateria), Andria Busic (vocal e baixo) e Edu Ardanuy (guitarra) sobem ao palco do aconchegante Citibank Hall, localizado em Moema, na capital paulista, para fazer aquele que seria o show de abertura para Yngwie.

Recursos técnicos inferiores, comparados à atração principal, e um público ainda pequeno não fizeram a apresentação do Dr Sin perder o brilho. Eles, que já possuem uma carreira sólida no cenário nacional, recheada de clássicos e com o novíssimo “Bravo” (CD atual de inéditas) figurando nas paradas “metaleiras” do Brasil, prometiam um show dos bons.

Iniciando com um trecho de “Welcome to the Show” e seguindo com “Nomad” já dava para perceber que os paulistas estavam afiados. “Time After Time”, “Fire” e “Emotional Catastrophe” fizeram o público ir ao delírio e cantar alto, muito alto. Mas o ponto marcante mesmo ficou por conta da excelente “Futebol, mulher e rock n roll”. Não poderia ser mais empolgante ouvir o refrão cantado em uníssono. Passando pela fase atual, as músicas “Drowning In Sin”, que possui riffs pesados e uma dinâmica diferente tratando-se de Dr Sin, e “Empty World”, que tem um excelente trabalho vocal de Andria, foram tocadas para a satisfação dos fãs e apreciadores do excelentíssimo “Bravo”. Diga-se de passagem, o nome não poderia ser mais apropriado. O excelente trabalho musical e a idéia de vendê-lo a R$ 5,00 nos shows merecem aplausos. Pela receptividade do público e empolgação da banda o disco está indo muito bem!

Apesar do som ter ficado extremamente alto durante o show isso não foi motivo para estragar o concerto. Os caras mais uma vez provaram ser uma das melhores bandas nacionais, além é claro de contar com músicos de primeira linha, destacando o carismático e talentosíssimo Edu Ardanuy que em cima do palco deu um show à parte e mostrou que guitarra não é só técnica. O Malmsteen deveria ter assistido! Mas talvez ele estivesse ajeitando os últimos detalhes da sua vestimenta, colares, pulseiras e anéis...

...A platéia eufórica aguardava ansiosamente a estrela principal e até o início do show de Yngwie o espaço já recebia um público notável.

22h e as luzes se apagam, a gritaria toma conta do local e fotógrafos se amontoam no “pé” do palco para flagrar as poses, caras e bocas do guitarrista mais poser do mundo. Não que isso seja um aspecto negativo na carreira do músico, pelo contrário, sua atitude arrogante, sua pose de mau e seus movimentos espalhafatosos compõem a imagem de Yngwie e o tornam um guitarrista único, pelo menos em estilo. Sua técnica difundida nos quatro cantos do mundo impressiona guitarristas de todas as gerações, porém gera controvérsias. Não quero cair no buraco negro das discussões sobre feeling, técnica, ou velocidade, mas considero válida uma ressalva sobre o jeito “Malmsteen” de tocar: Rápido e repetitivo, já que apenas um fã saberia distinguir onde uma música acaba e a outra começa ou distinguir quando ele faz um solo diferente de outro feito minutos atrás.

A banda, composta por Patrick Johansson (bateria), Mick Servino (baixo), Zeljko "Nick" Marinovic (teclados) e Doogie White (vocal), aparentemente não sabia diferenciar as músicas e a péssima qualidade do som fez com que a platéia não ouvisse nada além da guitarra. Os repetitivos solos de Yngwie apareciam sozinhos em um amontoado de ritmos e barulhos indecifráveis, isso quando a própria “fender” de malmsteen não sumia esporadicamente das PAs e o músico tinha que literalmente se “virar nos 30” e trocar de guitarra no decorrer da música. A banda que acompanha o sueco foi notoriamente prejudicada por essa avalanche de problemas técnicos, mas mesmo com um som perfeito não poderia se esperar muita coisa deles. O baixista, que parecia ter saído do game Guitar Hero, estava ali apenas para preencher espaço. Além de não se ouvir o som que ele supostamente tocava eu sinceramente não o vi utilizando mais do que duas cordas de seu instrumento. O teclado parecia estar desplugado e a bateria poderia ser comparada a um batuque desritmado. Apenas o vocalista Doogie White (ex Rainbow) se esforçava para ser notado, sendo o mais empolgado e carismático de todos, tentando inúmeras vezes cativar o público, porém não devia estar nas suas melhores noites. O cantor facilmente arrumaria um emprego como apresentador de vale-tudo (o cara toda hora falava como um narrador, quando foi apresentar a banda encarnou de vez o personagem e anunciava os músicos como lutadores subindo ao “ringue”). Os problemas foram tantos que as atitudes hilárias do vocalista serviam para minimizar os empecilhos técnicos e subtrair os vazios entre uma música e outra.

Os pontos altos do show, se é que podemos assim considerar em vista da qualidade razoável do espetáculo, foram os momentos em que Malmsteen figurava sozinho e deixava sua guitarra gritar. Aparentemente alheio a todos os problemas técnicos da noite o sueco mostrou simpatia e habilidade nas coreografias já características em seus shows e após um ínício empolgante com “Rising Force”, emocionou a todos com a belíssima “Far Beyond The Sun”. Os dedos mecânicos de Yngwie desprendiam-se das amarras e entravam no mar da emoção deixando sua indiscutível técnica aliar-se a seus sentimentos. O cara mandou bem e deixou muito fã boquiaberto.

Paralelos a momentos mágicos tiveram também muitos momentos trágicos, seja pela qualidade duvidosa dos engenheiros de som ou pela qualidade duvidosa de Doogie White, que protagonizou um dos piores episódios da noite ao tentar cantar o clássico “I’ll see the Light Tonight”. O jeito foi fechar os olhos e imaginar as épocas em que Jeff Scott Soto liderava os vocais e executava as músicas com perfeição.

A péssima qualidade sonora somada à limitação dos músicos que acompanham um dos guitarristas mais técnicos do mundo fez com que o evento fosse no máximo razoável. O ingresso só não saiu mais caro graças a excelente apresentação do Dr Sin e pela imagem mais do que consagrada do sueco. Se bem que essa figura utópica da guitarra moderna que desbravou um estilo que hoje os críticos consideram como “metal neoclássico” quase foi ao chão quando tentou uma “Jam Blueseira” no maior estilo “Stevie Ray Vaughan” de ser. Ao invés dos Bends duradouros e cheios de emoção, um Blues tão fajuto foi tocado que faria BB King e cia reverem seus conceitos musicais se estivessem presentes.

Dr. Sin
1 - Nomad
2 - Time After Time
3 - Fire
4 - Empty World
5 - Isolated
6 - Miracles
7 - Emotional Catastrophe
8 - Drowning in Sin
9 - Futebol, Mulher e Rock n Roll

Yngwie J Malmsteen
1 - Rising Force
2 - Demon Driver
3 - Bedinere
4 - Cracking the whip
5 - Adagio
6 - Far beyond the sun
7 - Paraphrase
8 - Dreaming
9 - Gates of Babylon
10 - Baroque and Roll
11 - Exile
12 - Crown of Thorns
13 - Trilogy Suite
14 - Red House Blues
15 - (CD) Fugue
16 - You don't remember
17 - Locked and Loaded/Masquerade

ENCORE

18 - Acoustic
19 - Black Star
20 - Cherokee
21 - Ill see the light Tonight

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