Resenha - Iced Earth (Backstage Werk, Munique, 09/10/2007)

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Por Marcelo Kuri
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A oportunidade de assistir a uma apresentação do Iced Earth é sempre uma oportunidade rara. Principalmente após um lançamento do porte de "Framming Armaggedon". Porém é inegável que a entrada de Ripper Owens ainda causa uma certa controvérsia. Não pelas qualidades do vocalista que, diga-se de passagem, sao índiscutíveis. O problema (se é que podemos nos dar ao luxo de chamar isso de problema) é Owens no Iced Earth, que contava antigamente com o carismático Matt Barlow nos vocais, que por sua vez possui como característica básica seu vozeirão que sempre serviu de base para as composições sempre irrepreensíveis do Sr Schaffer.

Não preciso frisar que a antiga fórmula deu mais que certo e o Iced Earth cresceu e se tornou um major no estilo. Como seria então a junção Schaffer-Owens?. No primeiro momento acho que a esmagadora maioria dos fãs da banda brindou ao novo vocalista. Veio então a primeira cria: “The Glorious Burden”. Um disco fantástico, mas que mostrou, de forma cristalina, que a banda (ou Schaffer se preferir) precisaria ainda trabalhar muito para tornar a nova receita do Iced Earth (que continha o que havia de melhor no mercado) um sucesso. Potencial todos nos sabíamos que a nova formação teria de sobra para isso, principalmente com a adição de mais um ingrediente: Tempo. Veio então o petardo “Framming Armaggedon”, um álbum forte, com melodias extremamente marcantes e com a marca não só do mestre Schaffer, mas também com a contribuição preciosa dos vocais de Owens. Um álbum que faz a banda dar um passo importante para a caminhada de reinvenção do sucesso. Era a vez de provar agora como seriam, ao vivo, as execuções não só das novas canções, mas como dos antigos clássicos do Iced Earth.

Essa apresentação teria um gostinho ainda mais especial, pois exatos 5 anos atrás tive a oportunidade de assistir a uma apresentação do Iced Earth, ainda com Barlow, na tour do Horror Show, sendo que esta ainda mora irretocavelmente em minha memória. Em outras palavras, me encaminhei a Munique com toda a expectativa possível, porém com um pensamento crítico um pouco atípico. Apesar do dia não muito apropriado (uma terça feira comum) e da distância que me separava do show (300km) não hesitei em comprar o ticket.

Ao chegar na famosa casa de espetáculos Backstage (que fica a poucos metros da não menos reconhecida Musik Palast, casa que abrigou shows memoráveis e que são facilmente encontrados em bootlegs por ai), descobri que o show seria nas novas instalações da casa, batizada de Backstage Werk, que ficava a cerca de 200 metros dali. Qual não foi a minha surpresa ao chegar no local e descobrir que se tratava de um antigo posto de gasolina desativado e reformado para abrigar shows. O local, apesar da primeira impressão não ter sido lá das melhores (ainda dava pra notar as propagandas de fornecedores de combustíveis e aquela típica cobertura de postos, o que me fez fazer algumas piadas no dia seguinte com alguns colegas dizendo que eu havia assistido ao Iced Earth tocar em um posto de gasolina) a parte interna é simplesmente sensacional, tanto pela infraestrutura como pela acústica.

A abertura se deu com os finlandeses do Turisas, que competentemente apresentaram várias canções do novo álbum “The Varangian Way”. O ponto alto, no entanto, foi mesmo com a execução da potente Battle Metal, que teve resposta imediata da platéia.

Em seguida era a vez do Annihilator. Não sou um conhecedor muito profundo da fase nova banda (e aqui me refiro de 1996 adiante), e se tratando dela sou saudosista assumido. Tenho “Alice in Hell” e “Never Neverland” sempre presentes no meu aparelho de som e os considero clássicos absolutos do Thrash Metal. No entanto os dois últimos álbuns da banda “Schizo Deluxe” e “Metal” voltaram a chamar a minha atenção. Nunca os tinha visto ao vivo e estava ansioso para assistí-los (não nego que esperava algumas canções em específico). O que vi foi um dos guitarristas mais insanos que já tive a oportunidade de ouvir e ver no palco. Foi diversão pura! Não faltaram clássicos como "Stonewall", "Never Neverland", "Set the World on Fire" e a maravilhosa "Alice in Hell" que fechou o set. Das canções novas, destaque absoluto para a galopante "Army of One", do ultimo álbum “Metal”. Após o término do set a insistência dos presentes pela volta da banda foi tanta que fez parecer que a noite era do Annihilator. E eles foram merecedores desse reconhecimento uma vez que as palhetadas infernais do Sr. Waters e Cia fizeram o Backstage balançar durante os 40 minutos de show.

Era a vez do tão esperado Iced Earth. As luzes se apagaram, o local se encheu de fumaça e a intro "Overture" disparou das caixas de som. A primeira canção foi "Something Wicked Part. 1" do novo álbum. Apesar de ser apenas o segundo show da tour a desenvoltura e entrosamento da banda fez parecer como se fosse o último. A satisfação de estar no palco novamente era clara no rosto de Schaffer. E como é bom poder encher a boca para dizer que o Iced Earth está de volta! E com forca total. Owens estava totalmente a vontade o que fez com que sua potente voz se sobressaísse ainda mais. Apesar da pequena amostra até então (era a primeira canção) já era possível notar que o Iced Earth se adaptou à mudança é que o futuro promete ainda mais. Vinha na seqüência uma de minhas favoritas no novo álbum: "Man's Motivation". Os vocais de Owens ali são impressionantes e ao vivo, acredite se quiser, eles soam ainda melhores. Essa música é uma prova viva da adaptação da música do Iced para os tons de voz de Ripper. Melodia e peso na medida certa! Owens anuncia então "Setian Massacre", outra pedrada do novo álbum que foi executada com perfeição. Era claro que o público esperava clássicos da banda, e esse anseio foi saciado com "Burning Times", que dispensa muitas apresentações. O trabalho de Ripper foi mais uma vez sensacional e a música apesar de, logicamente, soar um pouco diferente da original satisfez todos que esperavam por ela. A apresentação seguiu com "Declaration Day" e a dobradinha "Violate" e "Vengeance is Mine", ambas do clássico “Dark Saga”. Após duas músicas que fizeram o público ir à loucura Ripper apresenta a próxima, "A Charge to Keep". Apesar de se encaixar no contexto do novo álbum ela, infelizmente, não soou bem ao vivo, o que fez com que este fosse o ponto mais baixo da apresentação. Talvez porque o público esperava algo mais direto (e rápido) da banda. A resposta veio como um raio com a saída de Ripper do palco e John assumindo os vocais para a execução de "Stormrider", em um dos pontos mais viscerais da apresentação.

As luzes se apagaram e Ripper anuncia "Dracula", a qual na minha opinião, se coloca como uma das melhores composições de “Horror Show”. Em seguida vieram "Waterloo" e a maravilhosa "The Hunter", cantada em uníssono pelo público. Talvez essa seja a melhor interpretação de Ripper para uma música da era Barlow. O que viria na seqüência é considerado por muitos como o primeiro clássico do Iced Earth na era Ripper, "Ten Thousand Strong". Não há dúvida que essa música transita muito bem entre a sonoridade atual e antiga da banda. Era a vez então de um épico que foi apresentado em duas partes: "Hold At All Cost" e "High Water Mark" presentes no disco 2 de “Glorious Burden”, batizado de “Gettysburg (1863)”. Seus quase 20 minutos de duração foram de um verdadeiro nirvana sonoro, recheado de performances marcantes e aqui cabe destacar, mais uma vez, o fenomenal Ripper Owens.

A próxima dobradinha, dessa vez do álbum “Something Wicked this Way Comes” fechou com chave de ouro, a apresentação da banda antes do bis. Já passava de uma hora e quarenta e cinco minutos de show e a banda voltou para a clássica "Ice Earth" que brindou os fãs mais antigos da banda.

Enfim um show que levanta ainda mais o nome do Iced Earth, e prova que a banda sabe qual caminho deve seguir daqui pra frente, o que nos faz aguardar ainda mais ansiosamente a parte 2 desse “Something Wicked” e quem sabe uma passada da banda por nossas terras.

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Sobre Marcelo Kuri

Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela UFSCar, costuma dizer que é engenheiro por opção e headbanger de coração. Sempre gostou de ler revistas, zines, artigos e livros especializados em Heavy Metal e sempre desejou poder escrever um pouco a respeito disso. Foram-se alguns anos até que tivesse plena confiança para redigir um artigo, e sabe que ainda tem muito que aprender. Colecionador assíduo de todo material relacionado ao gênero, é um dos poucos “sobreviventes” de um grupo de amigos fanáticos que cresceram ouvindo Heavy Metal. Já tem consciência que não tem aptidão para tocar nenhum instrumento, mas com o apoio, sempre incondicional, da noiva Marilia, continua a desfrutar cada vez mais intensamente tudo de bom que esse estilo musical pode proporcionar.

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