Resenha - Marilyn Manson (Fundição Progresso, Rio de Janeiro, 25/09/2007)

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Por Cláudio Borges
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Marilyn Manson é mais conhecido pelo seu comportamento extravagante do que pela sua música. A (má) fama precede qualquer nota tocada. Devido a isso, há sempre uma aura de "qualquer coisa pode acontecer" e extravagância por onde passa.

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Não foi diferente na sua primeira apresentação no Rio de Janeiro. A Fundição Progresso parecia uma festa de halloween fora de época ou um boate gótico-erótica, tamanha a profusão de lingeries a mostra, botas de salto plataforma, máscaras, couro, vinil e muita, mas muita maquiagem.

Se os fãs tentavam se espelhar no ídolo, este parecia distante das práticas e do senso estético que criou. Pois o cantor, que entrou no palco às 22:30h, passaria incólume em qualquer lugar não fosse a pesada maquiagem ostentada.

A gótica "If Was Your Vampire", do último CD, "EAT ME DRINK ME", foi a escolhida para descortinar o palco e apresentar os músicos Tim Skold (guitarra, ex-Shotgun Messiah), Rob Holliday (baixo, ex-Prodigy e The Mission), Chris Vrenna (teclado, ex-Nine Inch Nails) e Ginger Fish (bateria), o único remanescente da formação original. Cantando com um microfone encaixado a um falso punhal e todo de preto, Manson foi recebido com os uivos de uma platéia ensandecida. Na sequência, "Disposable Teens" arrancou o primeiro canto em uníssono e fez com que todos tentassem chegar mais perto do palco. Um problema técnico parou o show por cerca de 10 minutos. Ao retornar, MM gracejou: "vocês cantam tão alto que danificaram um dos equipamentos". Se saiu bem. "mOBSCENE" fez a platéia esquecer esse pequeno contratempo e voltar a cantar.

Mesmo sendo o foco das atenções, o Anti-Cristo Superstar parece ter deixado a idade (ou seria o novo relacionamento?) o tornar um tanto "careta". Não fez nada que desabonasse sua conduta: não houve bíblia rasgada, nenhuma auto-flagelação, não mostrou a bunda (ainda bem!) e seu palco era o mais discreto possível. Apenas uma solitária bandeira com as iniciais MM em vermelho cobria alguns amplificadores no fundo do palco. Numa tentativa de baixar os custos, a produção trouxe a versão light do espetáculo. Em todos os sentidos.

Apesar da competência e profissionalismo, ou talvez por conta do seu excesso, o show foi ficando cada vez mais burocrático. Após "Sweet Dreams" (Eurythmics), o público foi esfriando. A vibração de outrora só retornou em "Heart Shaped Glasses" e "Rock is Dead".

Tarde(?) demais. "The Reflecting God" fez o grupo sair de cena. Um longo intervalo se seguiu (parecia mais um problema técnico) e "The Beautiful People" fechou a tampa do caixão. Para surpresa geral, afinal foram apenas 70 minutos de show, as luzes são acesas. Ficou a sensação de que sem o característico show de horrores, Marilyn Manson não passa de uma competente versão de si mesmo.

01-Intro (Piano Flat)
02-If I Was Your Vampire
03-Disposable Teens
04-mOBSCENE
05-Irresponsible Hate Anthem (we hate love, we love hate)
06-Just a Car Crash Away
07-Medley Sweet Dreams/Lunchbox
08-The Fight Song
09-Putting Holes in Happiness
10-Heart Shaped Glasses
11-The Dope Show
12-Rock is Dead
13-The Reflecting God
14-The Beautiful People

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