Em 14/08/2007 | Resenha - Scorpions (Credicard Hall, São Paulo, 14/08/07)

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Resenha - Scorpions (Credicard Hall, São Paulo, 14/08/07)


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Não se podia esperar mais. Uma carreira repleta de clássicos em cerca de quatro décadas na estrada e, claro, o reconhecimento de diversas gerações (dos mais tiozões aos iniciantes no Rock), que lotaram o Credicard Hall numa terça-feira (14/8) em São Paulo e prestigiaram toda a energia destes alemães. E haja motivação para os veteranaços do Scorpions pegarem um avião e embarcarem numa turnê mundial após 21 álbuns lançados e encerrarem a parte brasileira na capital paulista.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fotos: Rafael S. Karelisky

Se os carequinhas com poucos cabelos brancos sobravam nas dependências da casa de show, é necessário lembrar que alguns dos mais velhos estavam em cima do palco (sim, Klaus e Rudolf já bateram a marca dos 59 anos). E com saúde invejável, diga-se de passagem.

O quinteto, que conta com os membros originais Klaus Meine (voz) e Rudolf Schenker (guitarra), além de Matthias Jabs (guitarra), James Kottak (bateria) e Pawel Maciwoda (baixo), entrou realmente pegando fogo, enquanto o público foi quem demorou para esquentar. Até porque o início, às 22h05min, foi com um som novo, “Hour 1”, que abre o disco “Humanity Hour 1”, lançado este ano. Por falar no álbum, a faixa já mostrou que, desde “Unbreakable”, de 2004, o Scorpions não está para brincadeira e resolveu resgatar o peso do seu Hard Rock e os riffs poderosos de Rudolf.

Mas como acontece com a maioria das bandas antigas, o que vale são os clássicos, então foi hora de “Bad Boys Running Wild”, uma das melhores do set, seguida por outra mais recente, “Love ‘Em Or Leave ‘Em”, do “Unbreakable”. Destaque para Klaus tentando mandar em português um ‘Tutu bem?’ para a galera, que não segurou o riso. Aliás, o baixinho é uma figura! No figurino, não podiam faltar a boina, os óculos escuros e o colete, além da meia-lua, sempre jogada de um lado para o outro do palco. Claro que a voz permanece calibrada, naquele timbre sempre nasal, mas que, não à toa, marcou a carreira do grupo.

Apesar de uns pontos de agitação na pista, foi na cadenciada “The Zoo” que a coisa pegou fogo de verdade e não esfriou mais. Além de ser um clássico, o destaque vai para Matthias em seus solos de puro feeling e o sempre presente efeito do talkbox. Depois da balada-pesada “Deep & Dark”, hora de Klaus assumir as bases, o batera James Kottak destruir tudo na bateria e esmurrar o gongo chinês atrás do seu kit, e todos deixarem Schenker e Jabs fazerem seus duetos na instrumental “Coast to Coast”.

Aliás, são poucos os momentos que Rudolf sola, mas nem precisa. Além de segurar as bases, ele faz seus 59 anos parecerem apenas 20, para a inveja de tantos outros veteranos presentes. Fora a camiseta agarrada e a forma física impecável, o showman continua com seus trejeitos: dancinhas jogando a guitarra de um lado para o outro, pulos, caras e bocas e até rodadas do seu instrumento preso apenas pelo pescoço. Como se diz por aí, ele é realmente a alma do quinteto, esbanjando suas inúmeras Flying-Vs pelo palco.

Por falar nos modelos de guitarra do alemão, foi com um bem diferente que o show prosseguiu. Com seu violão em “V”, feito especialmente para a gravação do álbum “Acoustica”, os presentes puderam curtir duas músicas (e meia), desplugadas, num dos mais belos momentos da apresentação. Com a clássica “Send Me An Angel”, foi possível ouvir de verdade a voz do público, assim como em “Always Somewhere”, perfeita para todos os casais de plantão.

Já “Holiday” começou lentinha, com Klaus e o Kottak dividindo as vozes com os fãs, mas trouxe de volta o peso para o show. E nem o ingresso caro (R$ 160 a inteira na pista, fora o que os baixinhos sofrem para enxergar no Credicard Hall...) paga assistir aos sorrisos no rosto do vocalista, como sempre maravilhado com o público brasileiro, ainda mais após a gravação do mais novo DVD da banda, em Manaus, com 22 mil pessoas presentes.

Definitivamente com as guitarras em punho, a banda seguiu uma série com os riffs poderosos e a afinação grave das novas “Humanity” e “The Game of Life”, com seu refrão grudento, além de “Tease Me, Please Me” e “Leaving You”. Mas provavelmente a melhor composição do novo álbum apresentada aos paulistas foi “321”, uma das mais empolgantes. E olhe que Klaus teve que ensinar o pessoal a contar!

O baixista Pawel Maciwoda teve então seu momento praticamente sozinho, solando acompanhado somente de James na bateria, e mostrou um pouco de suas influências mandando trechos de Jimi Hendrix e “Enter Sandman” no baixo. Já o batera mandou seu “Kottak Attack”, nome que dá ao seu solo, onde o forte é a interação com o público. A relação com o público, na verdade, acontece durante o show todo, já que o americano magrela e quase sempre descamisado não pára um segundo. Ele ainda teve um momento de homenagem ao Brasil quando vestiu uma camiseta com a bandeira do país.

Com uma hora e meia de apresentação, o fim já estava próximo, mas o set seguiu quente com uma trinca poderosa: a rápida “Blackout”, o clássico “Big City” e a levada despojada de “Dynamite”, com Klaus já se esgoelando nos vocais, para acabar o set normal.

Fim de papo? Só se os alemães quisessem arrumar confusão. Claro que uma grande parte dos presentes estava ali mais pelo bis do que qualquer outra coisa. E tiveram o que tanto quiseram. Depois da homenagem com “Aquarela do Brasil”, era hora da belíssima balada “Still Loving You”, cantada por todos, assim como “Wind of Change”, com assobio e tudo, é claro. Melhor que isso, só Rudolf disparando o riff de “Rock You Like Hurricane”, enquanto Matthias mandava ver no solo. Clássico!

Aplausos do público e agradecimentos dos músicos, mas ainda não era o fim. Enquanto muitos já deixavam a casa precipitadamente, o Scorpions reservou mais uma acústica, “When The Smoke is Going Down”, uma baladinha para acabar de vez o show, mas já deixar aquela saudade...

Com dois quase sexagenários na banda, é difícil saber até quando tudo isso vai durar. Importante mesmo é que os caras marcaram o nome na história do Rock, ainda mais como a maior banda alemã, e fizeram o favor de visitar o Brasil para gravar um DVD e mostrar um pouco dos capítulos finais para o público daqui. Resta torcer para que ainda haja muitas páginas antes de fechar esta verdadeira enciclopédia do Rock!

Set List:
Hour 1
Bad Boys Running Wild
Love ‘Em or Leave ‘Em
The Zoo
Deep & Dark
Coast to Coast
Send Me An Angel (acústica)
Always Somewhere (acústica)
Holiday
Humanity
The Game of Life
Leaving You
Tease Me, Please Me
321
Solo de baixo - Pawel Maciwoda
Kottak Attack (solo de bateria)
Blackout
Big City
Dynamite
Still Loving You
Wind of Change
Rock You Like a Hurricane
When The Smoke is Going Down

Formação:
Klaus Meine - vocal
Rudolf Schenker - guitarra
Matthias Jabs - guitarra
Pawel Maciwoda - baixo
James Kottak - bateria

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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