Em 08/06/2007 | Resenha - Iron Maiden (Ludwigshafen, Alemanha, 08/06/07)

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Resenha - Iron Maiden (Ludwigshafen, Alemanha, 08/06/07)


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Após uma bem sucedida passagem pela Alemanha em 2006, em dois shows completamente lotados, a Donzela de Ferro volta às terras germânicas nesse ano de 2007 para mais duas apresentações que prometem ainda mais que as do ano passado, visto que essa tour batizada singelamente de “Matter Of The Beast Summer Tour 07” faria uma dobradinha divulgando o mais novo lançamento da banda “A Matter of Life and Death” e uma comemoração aos 25 anos de lançamento do lendário “The Number of The Beast”.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Para mim essa apresentação teria um sabor ainda mais especial pois seria a primeira vez que eu teria a oportunidade de assistir o Maiden com a atual formação, visto que minhas experiências anteriores contavam com as apresentações da banda em 1996 (nosso saudoso Monsters of Rock) e em 1998 (show em comemoração ao aniversário da 89 Fm) e, com Blaze Bailey nos vocais, deixaram muito a desejar (principalmente nas execuções de clássicos da era Dickinson). Nada contra Blaze, mas é inegável que a banda hoje se encontra em outro patamar que naquele tempo. Dessa vez o line up da banda contava com o paredão formado pelos Srs. Murray, Smith e Gers, a “sirene antiaérea” Bruce Dickinson além claro de Steve Harris e Nicko McBrain.

Preparado para enfrentar filas homéricas na entrada, dificuldade de acesso e muito empurra-empurra saí com algumas horas de antecedência uma vez que as apresentações estavam marcadas para iniciarem às 17h, com abertura de Lauren Harris, seguida do Mastodon, Papa Roach, In Flames e Iron Maiden. Qual não foi minha grata surpresa ao chegar ao Südwest Stadium e encontrar fácil estacionamento (por módicos 5€) e filas relativamente pequenas na entrada. Após uma revista minuciosa consegui entrar no estádio as 16h30 e me colocar em uma posição privilegiada para conferir aos shows.

Às 17h em ponto (de acordo com a invejável pontualidade alemã) entra no palco Lauren Harris para um set de 30 minutos. Tenho que concordar com tudo que li a respeito da filha de Steve Harris, uma vez que a moça carece mesmo de talento. Apesar de apadrinhada pelo pai famoso, Lauren mostrou seu Hard Rock nada inspirado e deixou claro que se pretende continuar na carreira artística é indispensável que ela recorra a outro instrumento (por exemplo um baixo!) que não seja sua voz. Apesar de tentar inúmeras vezes, a apatia de seu Hard Rock fez com que os poucos comentários desferidos pelo público fizessem referências apenas às suas atribuições físicas.

Em seguida era a vez dos americanos do Mastodon destilarem seu Heavy-Hardcore para a platéia. A resposta do público foi claramente melhor que a obtida com a banda de Lauren Harris, embora era fácil notar que aquele não era o estilo preferido dos presentes. Fora isso a banda fez um show direto, ríspido e pesado fazendo que muitos corressem às barracas próximas ao palco para adquirem protetores auriculares. Sem muita demora era a vez do Papa Roach. Não é difícil imaginar que a recepção desses americanos ao palco do Sudwest Stadium não foi das mais calorosas. Copos plásticos, papel higiênico dentre outros artifícios foram usados pelo público para deixar claro à banda que ela não era muito bem vinda, especialmente como suporte para uma banda como o Iron Maiden. Toda a manifestação do público ao início do show mostrou que boa parte das pessoas havia se “preparado” antecipadamente para recepcioná-los. Para mim, assim como para a esmagadora maioria dos presentes, o som desses americanos não passa nem perto de agradar, mas uma coisa tem que ser dita: eles foram corajosos o suficiente para encarar uma platéia claramente hostil e realizar uma apresentação digna de uma banda que, embora de gosto duvidoso, leva tudo muito a sério e com muita dedicação. Após os traumáticos primeiros 10 minutos com direito ao vocalista descer do palco e adentrar a pista em meio ao público (!!!!) a banda conseguiu ao menos conquistar a neutralidade da platéia. Garanto sem medo de errar que 10 entre 10 vocalistas desse estilo musical não se arriscariam a descer na pista em um show de abertura do Maiden. Com certeza o Papa Roach pode se orgulhar de sua performance naquela tarde visto que conseguiu, de certa forma, conquistar o público abertamente adverso ao som da banda.

Beirando as 18h30 começa o show do In Flames, que dentre as bandas de abertura era, com folga, a que mais me agradava. No entanto foi decepcionante a apresentação da banda que, totalmente apática, destilou alguns de seus sucessos como se tivessem acabado de acordar de uma ressaca bruta. Sem movimentação de palco, Anders Fridén foi o reflexo de uma banda sem inspiração naquela tarde. A apatia foi tanta que o vocalista se desculpou após algumas canções se justificando que já faziam tempos que a banda não se apresentava ao vivo e que todos eles estavam “enferrujados”. Para se ter uma idéia chegou ao ponto de Anders cantar uma música inteira sentado no meio do palco. O ponto alto da apresentação foi com “Only for The Weak” que cá entre nós, levanta até defunto. Uma verdadeira decepção.

Após quase 40 minutos de preparação de palco (muito legal por sinal, todo enfeitado com a temática do novo álbum, assemelhando-se a um campo de batalha) a Donzela de Ferro entra no palco com “Different Worlds” do novo álbum “A Matter of Life and Death”. Para mim foi assustador o poder do som, que calcado em incontáveis caixas, deixou todos em estado de euforia. É claro o momento de graça que a Donzela de Ferro desfruta nos últimos tempos: novo álbum de qualidade indiscutível, Bruce Dickinson cantando mais do que nunca e uma verdadeira locomotiva sonora guiada pelo restante da banda. Sem tempo para respirar era a vez de uma dobradinha de músicas do último álbum com “These Colours dont Run” e “Brighter than a Thousand Suns” mostrando mais uma vez que essas músicas recentes ganham muito na versão ao vivo. Em perfeita sincronia, o Maiden executou as canções como se já as tocassem a milênios pois cada membro da banda já sabia exatamente o que viria após cada acorde executado. Em especial para essas músicas prestei bastante atenção em como a banda as executaria ao vivo visto que, tecnicamente, são músicas mais complexas do que as tradicionais compostas pela banda. Mais uma vez a veracidade da frase “quem sabe faz ao vivo” foi comprovada pela Donzela de Ferro.

O que viria na seqüência foi anunciado por Dickinson como uma volta no tempo. A maravilhosa “Wrathchild” fez o público pular e gritar do início ao fim. Após 28 anos de sua composição ela ainda parece atual e os vocais de Dickinson acrescentam a ela uma roupagem nova e toda especial. Após um breve comentário de Dickinson a respeito dos 25 anos do lançamento de “The Number of The Beast” ele conta que a próxima música não era executada ao vivo a muitos anos e que seria um presente a pedido dos fãs. Os primeiros acordes de “Children of the Damned” nos deram a oportunidade de uma maravilhosa viagem na história da banda. A canção executada pelo trio Gers, Smith e Murray fez com que ela ganhasse um peso descomunal e uma harmonia ainda mais incríveis do que a versão original. Com certeza um dos pontos mais altos da apresentação. Após a primeira pausa desde o início, a banda deixa brevemente o palco e Dickinson anuncia o próximo petardo por trás das cortinas. Era a vez do clássico absoluto “The Trooper”. Vestindo a farda vermelha presente no desenho lendário de Eddie, Bruce Dickinson aparece empunhando a bandeira da Inglaterra, mostrando o porque de ser um dos mais reverenciados frontmans do mundo do Heavy Metal. Em mais uma dobradinha do novo álbum as canções que vieram na seqüência foram “The Reincarnation of the Benjamin Breeg” e “For The Greater Good of God”, ambas executadas com perfeição. Destaque para a última que, na minha opinião, já é forte candidata a figurar por um bom tempo em todos os set lists do Maiden daqui pra frente. O público respondeu a isso e cantou em uníssono a música que se mostrou uma verdadeira pérola ao vivo.

Como anteriormente anunciado na imprensa todos já sabiam que as músicas do novo álbum já haviam sido executadas e tudo que teríamos daqui pra frente seriam apenas antigos clássicos do Iron. Falando em clássicos e com a noite caindo, apagam-se as luzes e a citação de “The Number of The Beast” faz a atenção de todos recaírem para dois demônios colocados nos dois extremos do palco que, iluminados sobre luzes vermelhas, davam a merecida introdução ao clássico que se seguiria. O que dizer de uma música como essa? Há algumas pessoas que insistem em pedir que o Iron deixe de tocar certas canções, assim como “The Number”, para dar lugar a outros clássicos remotamente ou nunca antes executados, tais como “Alexandre The Great”, “Flash of The Blade” dentre outras. Porém eu tenho outra opinião: acho que o Maiden deveria estender o show a duas horas e meia e além dessas, não deixar de executar clássicos como “The Number” e “Iron Maiden” que de certa forma caracterizam uma verdadeira apresentação do Donzela de Ferro.

Viajando 10 anos à frente o medo do escuro faz o público vibrar. “Fear of the Dark” é um deleite para os fãs, em uma das canções mais interativas atualmente executadas pelo Maiden. Acorde por acorde essa música nasceu para se destacar e assim como outras dificilmente deixará de constar em um set da banda. Dando seqüência à série “clássicos” a Donzela executa “Run to The Hills” e “Iron Maiden”, sendo que nesta última acontece a entrada triunfal do famoso mascote Eddie no palco que, fantasiado de acordo com a temática do novo álbum e empunhando uma metralhadora, fez com que os milhares de olhares se direcionassem para a figura lendária que caracteriza a banda desde seus primórdios.

A banda deixa então o palco para o primeiro bis. Após muita insistência do público (que entoou o ritmo de “Fear of the Dark”) a banda volta com “2 Minutes to Midnight”. Sem tempo para respirar emenda a maravilhosa “The Evil That Men Do”, com direito a mais uma aparição de Eddie, agora montado em um imenso tanque de guerra posicionado no fundo do palco. O mascote agora empunhava um binóculo e após olhar em 180 graus todo o público disparou alguns tiros com o tanque que, em sincronia com as batidas de “The Evil that Men Do”, levaram o estádio Sudwest, totalmente lotado, ao delírio.

A banda sai novamente do palco e muitas pessoas já acreditavam que a apresentação havia se encerrado. Vieram então os primeiros acordes de “Hallowed Be Thy name” que ecoaram das caixas de som. Uma música para fechar com chave de ouro uma apresentação em que não houve um porém sequer.

Após quase duas horas de concerto a banda deixa o palco sob muitos aplausos e comprova mais uma vez o porque da fama e do patamar que atingiu após todos esses anos. É esperar agora que a tour de divulgação de “ A Matter of Life and Death” chegue ao Brasil para que todos nós brasileiros possamos, mais uma vez, apreciar todo o carisma, competência e o peso da banda que é e sempre será referência quando o assunto é Heavy Metal.

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Sobre Marcelo Kuri

Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela UFSCar, costuma dizer que é engenheiro por opção e headbanger de coração. Sempre gostou de ler revistas, zines, artigos e livros especializados em Heavy Metal e sempre desejou poder escrever um pouco a respeito disso. Foram-se alguns anos até que tivesse plena confiança para redigir um artigo, e sabe que ainda tem muito que aprender. Colecionador assíduo de todo material relacionado ao gênero, é um dos poucos “sobreviventes” de um grupo de amigos fanáticos que cresceram ouvindo Heavy Metal. Já tem consciência que não tem aptidão para tocar nenhum instrumento, mas com o apoio, sempre incondicional, da noiva Marilia, continua a desfrutar cada vez mais intensamente tudo de bom que esse estilo musical pode proporcionar.

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