Em 17/06/2007 | Resenha - Heaven And Hell (Offenbach am Main, Alemanha, 17/06/07)

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Resenha - Heaven And Hell (Offenbach am Main, Alemanha, 17/06/07)


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Tarde de domingo, céu nublado, ruas quietas...…parece entediante não? Não para essa cidade alemã chamada Offenbach am Main. A apenas alguns quilômetros da grande Frankfurt, essa cidade de apenas 116.000 habitantes receberia nesse dia visitas mais que ilustres do mundo do Hard Rock/Heavy Metal. O tédio e a chatice característicos de um domingo comum foram deixados de lado, visto que esta cidade teria a apresentação de um quarteto histórico formado por pessoas que atendem pelos nomes de Ronnie James Dio, Tony Iommi, Geezer Butler e Vinnie Appice. Atualmente batizada de Heaven and Hell essa banda causou alvoroço na cena durante a década de 80 com o lançamento de clássicos como “Mob Rules” (1981) e “Live Evil” (1982). Alguns anos antes (mais precisamente em 1980) essa mesma formação, com exceção de Vinne Appice na bateria, disparou seu “debut”, também intitulado “Heaven and Hell” (1980), e que hoje é referência de 9 entre 10 headbangers. Vale ressaltar que na época a banda atendia pelo poderoso nome de Black Sabbath. O batismo do quarteto pouco importava às pessoas que se aglomeravam na entrada do Stadthalle em Offenbach... Para qualquer pessoa que se perguntava que banda iria se apresentar naquela tarde de domingo, a resposta era sempre a mesma: Black Sabbath. Há controvérsias sobre o nome principalmente na opinião de fãs mais aficionados pela gloriosa era Ozzy Osbourne. Nomes à parte, o que se pode ver naquela tarde foi uma sensacional e indescritível volta aos áureos tempos, os quais muitos poderiam prematuramente garantir que não voltariam nunca mais.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

O público presente naquela tarde de domingo era o mais variado possível. Senhores de idade, adultos, jovens e crianças provaram mais uma vez que o Heavy Metal clássico (no mais amplo sentido da palavra sem se prender a rótulos), feito com amor, dedicação e competência é e sempre será imortal. O local estava quente como o inferno visto que, no geral, toda e qualquer dependência alemã não esta devidamente preparada para o calor que assola as terras germânicas nos últimos anos, calor este que só contribuiu para aumentar ainda mais a expectativa de todos.

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Os portões abriram pontualmente às 19h e às 20h iniciava-se o opening act que devido ao som não agradar a esmagadora maioria (com um som a lá Sonic Syndicate) e ao desconhecido nome, a apresentação passou desapercebida ao público presente assim como o som ambiente que rolou na troca de palco. Os leitores que me desculpem, mas eu não fugi à regra e não consigo me lembrar nem vagamente o nome da banda de abertura.

O relógio já batia 21h quando as luzes se apagaram e a intro presente no álbum “Mob Rules” começa a tremer os falantes do Stadthalle. A excitação é geral quando Tony Iommi entra no palco despejando os primeiros acordes de “Mob Rules”. A temperatura ambiente que já devia se aproximar dos 35 graus deve ter subido para 50 durante a apresentação! Completamente tomado, o Stadthalle vibrou junto com o som impecável da banda calcado em uma acústica irrepreensível da casa. A nostalgia tomava conta de todos e podia-se perceber nas reações e expressões dos presentes que a apresentação ficaria marcada na história de cada um.

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É invejável a força e a disposição da banda. Sou um fã incondicional da era Osbourne, mas é impressionante como a voz agressiva e cortante de Dio completa a cozinha formada pelo trio Iommi, Butler e Appice. Todos nós sabemos que essa combinação é perfeita em estúdio, mas até então eu nunca tinha tido a chance de acompanhá-los ao vivo e a cores e, não minto, me impressionei ainda mais. Sem demora as luzes se apagaram e a banda emenda a clássica “Children of The Sea”. Há alguém que lê essas linhas que não goste dessa música? Pois é... Música clássica, executada com perfeição por uma banda em sincronia, volume absurdamente alto e acústica perfeita. Simplesmente era tudo que os presentes esperavam do Heaven and Hell. Ao término da música Dio teve que esperar alguns minutos o público parar de aplaudir para poder agradecer, tamanha era a empolgação da platéia. Feitas os primeiros agradecimentos, a banda partiu para clássicos como “Sign of The Southern Cross” e “I”. Apesar de ter predileção pelos dois primeiros álbuns do Sabbath com Dio é inegável a qualidade das músicas do “Dehumanizer” e “I” em especial é, em minha opinião, umas das composições mais fortes desse álbum. O próximo petardo é anunciado por Dio como sendo “a respeito de pequenos bonecos em que se espetam agulhas para se ferir à distância pessoas indesejáveis”. Era a vez de “Vodoo”. Embora goste muito dessa música acredito que ela poderia ser substituída por outras de mais impacto como a maravilhosa “Lonely is the Word” que, infelizmente, faltou no set the Offenbach. Em seguida vem mais uma de “Dehumanizer”. “Computer God” com certeza é outra ótima canção, mas que eu, particularmente, substituiria por “Tv Crimes” ou “Master of Insanity”, por exemplo.

Era a vez então de Appice mostrar a que veio. Apesar de um solo de bateria nem sempre ser bem vindo, Vinnie conseguiu levantar o público e carregá-lo a participar de suas batidas frenéticas. Talvez se fosse um pouco mais curto ajudaria a não esfriar demais o público. Era então hora de uma das recentes faixas do grupo (lançada sobre o nome de Black Sabbath na coletânea “The Dio Years”) a marcante “Shadow of the Wind”. Antes do show eu estava torcendo para que dentre as novas faixas lançadas no Dio Years a banda executasse a rápida “Ear on The Wall”. Porem me surpreendi com a forca de “Shadow of The Wind” ao vivo e não me decepcionei pela escolha desta para o set de Offenbach. Sem deixar a peteca cair a banda emenda um deleite para os fãs: “Falling Off The Edge Of The World”. Esta foi um verdadeiro desfile da banda, que a executou de forma intocável, irretocável e com todos os outros adjetivos que puderem lembrar. Destaque absoluto para as linhas de baixo de Butler.

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Após quase uma hora de show era a vez da rápida “Die Young” levando mais uma vez o público à loucura. Ao término da música seguiu-se um belo solo de Iommi que desfilou todo seu feeling e técnica em belos arranjos calcados em Blues e no mais puro improviso. Porém era inevitável deixar de focar a atenção no acompanhamento de Geezer que em batidas rápidas e cheias de técnicas balançou a cabeça todo o tempo como um maluco alucinado. Ironicamente o que se pode ouvir do público após o solo de Iommi foi o grito em uníssono: GEZZER, GEEZER, GEEZER!!!!

A banda deixa o palco e após muita insistência do público ela retorna com a clássica “Heaven and Hell”, que em seus mais de dez minutos levou o público a um verdadeiro nirvana, que respondia à banda com os já famosos “ôôôô, ôôôô ôôô!”.Novamente a banda deixa o palco e volta minutos depois para desferir seu último, mas não menos importante, petardo “Neon Nights”, que rápida e direta esgotou as últimas energias da platéia. Vale a pena lembrar (e destacar) o show de luzes e efeitos do palco, que de acordo com a música executada, variavam desde chamas (como em “Heaven and Hell”) até caveiras, velas e temas presentes na capa do ao vivo Live Evil.

Enfim uma banda que não tem mais nada a provar mas que mesmo assim, encara cada minuto da apresentação como se fosse o último. Uma verdadeira lição para as mais diversas bandas do estilo que surgem todos os dias. Sem dúvida nenhuma uma das mais antológicas e bem sucedidas reuniões dos últimos anos, o que prova que o quarteto ainda tem muita lenha para queimar. Hail Heaven and Hell!

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Sobre Marcelo Kuri

Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela UFSCar, costuma dizer que é engenheiro por opção e headbanger de coração. Sempre gostou de ler revistas, zines, artigos e livros especializados em Heavy Metal e sempre desejou poder escrever um pouco a respeito disso. Foram-se alguns anos até que tivesse plena confiança para redigir um artigo, e sabe que ainda tem muito que aprender. Colecionador assíduo de todo material relacionado ao gênero, é um dos poucos “sobreviventes” de um grupo de amigos fanáticos que cresceram ouvindo Heavy Metal. Já tem consciência que não tem aptidão para tocar nenhum instrumento, mas com o apoio, sempre incondicional, da noiva Marilia, continua a desfrutar cada vez mais intensamente tudo de bom que esse estilo musical pode proporcionar.

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