Em 25/04/2007 | Resenha - Testament (Via Funchal, São Paulo, 25/04/07)

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Resenha - Testament (Via Funchal, São Paulo, 25/04/07)


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“Desculpem termos demorado tanto tempo... 18 anos”, disse o vocalista Chuck Billy durante o show de quarta-feira, no Via Funchal, em São Paulo. Pois é, o Testament demorou todo este tempo, e com direito a todo tipo de acontecimentos: câncer, reformulações no line-up e até adiamentos, como a ausência no Live N’ Louder 2005 e as datas que foram anunciadas em 2006. Mas, enfim, os brasileiros puderam conferir uma das maiores bandas de Thrash Metal da história, com formação 80% clássica, somada ao consagrado baterista Nick Barker.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fotos: Rafael S. Karelisky

Uma quarta-feira não é o melhor dia para se ter um show e tudo levava a crer que era verdade. Já eram 21h e o Via Funchal estava quase às moscas. Foi só lá pelas 21h45, com o Scars abrindo, que a casa começou a encher. Os paulistas já são conhecidos do público, tocando, por exemplo antes do Anthrax, e não tiveram muitos problemas para levantar os presentes com um thrash extremo e bem executado. Nos 45 minutos de show, tocaram entre outras músicas do EP “Nether Hell”, como “Hidden Roots Of Evil” ou “Creatures That Come Alive In The Dark”, além de apresentarem dois sons que estarão no próximo álbum. Vale destacar o esforço de Régis (vocal), Eduardo e Alex (guitarra), André (baixo) e Patrick (bateria) em sempre levantarem a bandeira do metal nacional em seus shows, o que não foi diferente desta vez.

E a grande espera pelo Testament continuou. Com show marcado oficialmente para as 22h, o quinteto de San Francisco subiu ao palco quase uma hora e meia depois. O bom foi que mesmo os atrasados pelo trânsito paulistano puderam assistir à apresentação completa. Como o que importa é a música mesmo, aí é que veio a parte boa da coisa. Apenas com um pano de fundo com o nome da banda e o logo nos telões, o quinteto já começou quebrando tudo com o clássico berro de Chuck no início de “The Preacher”, do lendário “The New Order” (1988). Nem precisa dizer que a galera que encheu, mas não chegou a lotar o Funchal, veio abaixo com a performance dos norte-americanos.

O que já deu para perceber logo no começo foi que o som estava bem mais alto nos vocais de Chuck, enquanto as guitarras (menos nos solos de Alex) ficaram meio escondidas, o que não chegou a atrapalhar. Claro que o set list foi composto de clássicos, seguindo a linha do DVD “Live in London”, até com a emendada em “The New Order”, com os solos característicos de Alex. Apesar da cara de tiozão e o cabelo estranho, o guitarrista que também toca na Trans-Siberian Orchestra, mostra que os anos não pesam e manda muito bem, interagindo com Eric e a galera.

Depois de “The Haunting” e “Eletric Crown” que mantiveram os fãs atônitos, foi a vez de outro destaque da noite, “Sins of Omission”. É incrível como Chuck é um gigante no palco, não apenas no tamanho. Nesta faixa em específico, ele mostra a versatilidade com a voz, desde os berros mais agudos até os guturais poderosos, como no fim do refrão. E enquanto ele canta na frente (sem vergonha de errar umas letras aqui e outras ali), sempre simpático e interagindo com o público, o engraçado é assistir a Nick Barker tocando com todo aquele tamanho (e gordura também, não tem como não falar). Mais conhecido pelo black metal e a velocidade de quando tocou no Cradle of Filth e no Dimmu Borgir, o inglês parece apenas brincar atrás do kit de bateria. Apesar de ser bem duro tocando, Nick segurou as pontas lá atrás com maestria.

E bendita a hora em que o baixista Greg Christian e Skolnick deram o braço a torcer e disseram sim aos inúmeros pedidos dos fãs para que o Testament tocasse faixas de seu último álbum de estúdio, “The Gathering”, lançado a longínquos oito anos. Apesar de muitos erros de execução, a galera nem ligou. A brutal “D.N.R. (Do Not Ressuscitate)” nem chegou ao fim. Depois de alguns erros, o quinteto até tentou voltar, mas quando viram que a coisa não estava rolando deixaram para lá. Já “3 Days in Darkness” deu conta do recado, com seus coros e riffs velozes.

Por falar em riff, o guitarrista Eric Peterson é uma figura imprescindível. Se Chuck é a cara da banda por ser o frontman, este “japinha” é a segunda cara, até por ser o principal compositor. Além disso, segura bem nas bases, faz alguns solos e tem uma boa presença de palco. Isso quando não canta algum trecho com sua voz bem black metal, como faz no Dragonlord, sua outra banda, que se dedica a este estilo.

Voltando aos sons mais antigos, mais uma série de clássicos: “Trial By Fire” e “Practice What You Preach”, antes da bela “The Legacy”, acalmando um pouco os ânimos do público. Depois, foi a hora da festa do simpático Greg, com “Souls of Black” e a famosa introdução no baixo. O cara não esconde o quanto foi boa a decisão de voltar ao Testament após tantos anos, agitando o tempo todo e literalmente estapeando seu instrumento.

Mas o que viria depois parecia querer deixar toda a hora anterior só como aquecimento. Chuck dedicou aos fãs “Into the Pit”, mais uma do “The New Order”, e a casa de show veio definitivamente abaixo, num dos melhores momentos da noite. As rodinhas que já aconteciam aumentaram, para deleite do vocalista. Já no fim do tempo regulamentar, isto é, antes dos bis programados, “Over the Wall” empolgou principalmente com o dueto no solo de guitarra, cantado junto pelos fãs. E se a festa foi dos fãs, foi mais ainda do batera Nick Barker ao fim da música. Antes dos músicos se retirarem, o aniversariante da noite tomou um banho de cerveja (que ele próprio se deu) e ainda tomou uns goles de Jack Daniel’s antes de declarar o seu amor ao Brasil, que já visitou como baterista do Brujeria.

O primeiro bis teve “Alone in the Dark”, com direito à platéia seguindo Chuck e cantando sozinha a melodia, e a pesadona “Disciples of the Watch”. Para quem achou que tinha acabado, ainda foi tempo de, num segundo bis, ouvir a obrigatória “Burnt Offerings”, encerrando os cerca de 90 minutos de apresentação. O que se viu no Via Funchal foi uma aula de Thrash Metal. Mesmo com tantos percalços (lembrando que o batera “clássico” Louie Clement está com Alzeimer, por isso foi afastado), o Testament segue provando para sua legião de fãs porque é um dos mestres do estilo e dá exemplo a muitos outros (alguém disse Metallica?), tanto musicalmente quanto em termos de presença de palco, esbanjando simpatia junto aos fãs.

O bom mesmo é, como Chuck disse, que numa próxima passagem por terras tupiniquins, um novo álbum terá sido lançado. Nove faixas estão prontas e, com um batera como Nick participando com Eric das composições, não se pode esperar nada muito leve! É torcer para que não demore tanto para eles voltarem, como foi desde a lendária passagem de 1989, com Max Cavalera como guia turístico. Se depender de Greg... “Nós vamos tentar não demorar tanto!”. Amém Greg!

Formação:
Chuck Billy – vocais
Eric Peterson – guitarra
Alex Skolnick – guitarra
Greg Christian – baixo
Nick Barker – bateria

Set List (90 minutos):
The Preacher
The New Order
The Haunting
Eletric Crown
Sins of Omission
D.N.R
3 Days in Darkness
Trial By Fire
Practice What You Preach
Souls of Black
The Legacy
Into the Pit
Over the Wall

Bis:
Alone in the Dark
Disciples of the Watch

Bis 2:
Burnt Offerings

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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