Resenha - Abril Pro Rock (Via Funchal, São Paulo, 17/04/2007)

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Por Juliano Henrique Dantas
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Coincidência ou não, o rock e o reggae se confundem – e se fundem – na história da música. Os ritmos cresceram juntos e muitos artistas de um gênero ou outro flertavam e faziam discos considerados clássicos. Pode ser por covers ou adaptações, mas o The Clash é um exemplo meio óbvio. Lee Perry produziu os caras. Guitarras com levadinha ska roots e reggae, misturadas com a revolta sonora do punk e lá estava o grupo inglês incendiando platéias. Police? Também. O Sting é fã confesso de muitos jamaicanos. E é claro que as músicas deles todos sofreram muita influência de Bob Marley e companhia.

"Quando o reggae é rock and roll"

Fotos: Nério Silva

Sempre cito essa banda e mais uma vez recorro ao Rolling Stones. Quem aqui já ouviu o disco “Black and Blue” de 1976? É reggae puro, mas quem “manda” na guitarra é o Keith Richards e não o brother que tocava, por exemplo, com o Peter Tosh. Aliás, foi nesse mesmo ano que saiu um disco ao vivo gravado em Boston do Tosh, chamado “Live and Dangerous”. A obra é excelente e a banda chega muitas vezes no blues, no groove e na soul music. Mais um exemplo? Os regueiros do Easy Star All Stars, em sua ótima versão de Pink Floyd no disco “Dub Side of the Moon”. Quem viu ou ouviu, gostou bastante.

Bom, a bola da vez na versão paulistana do Abril Pro Rock foi Lee “Scratch” Perry, um senhor jamaicano respeitável e já com 71 anos de idade. O cidadão foi um dos precursores do reggae, tocava antes mesmo de Bob Marley e Peter Tosh. E o que foi que o reggae fez para a música? Muito. Sem esses caras não existiria ska ou dub, groove, hip hop, ragga muffin ou eletrônicos cheios de beat. E influenciaram também o dance hall e o afrobeat. Do ska saíram zilhões de bandas de rock, punks, além de várias californianas de ska-core – um derivado de hardcore. Nomenclaturas à parte, só não confundam pelo amor de Deus com o novo ‘emocore’, que é para mim, ruim em muitos aspectos.

Lee Perry chegou a produzir Bob Marley and The Wailers. Sei que em determinado momento da carreira e mesmo na paz de Jah, brigaram feio. O tempo fez com que eles voltassem a ser os velhos amigos de sempre, só para esclarecer aos leitores. E Lee Perry homenageou o Bob e parte de suas produções com “One drop” e “Crazy bald head” nesse show. Foram as duas saideiras para um público que não chegou a encher a Via Funchal, mas que compareceu para ver os franceses do “The Film” e os argentinos “Los Alamos” também. A banda de Lee Perry conta com Stephen Wrigh (guitarra), Kirk Service (baixo), Noel Salmon (teclados) e Sinclair Seales (bateria). Ao todo, foram pelo menos quatro horas de boa música.

O trio da França faz um rock visceral, com influência punk, de British pop e da nova cena européia, como Franz Ferdinand e The Hives. Já os hermanos são uma banda grande, e misturam rock and roll, folk rock e música regional. Neil Young e Bob Dylan na cabeça podem ter certeza. O gaitista tocou uma música com os franceses e vi depois o vocalista argentino na pista curtindo durante o show do Lee Perry. Os gringos devem ter se divertido também na edição completa do festival em Recife.

Apesar de algumas bandas importantes brasileiras não terem sido convidadas para São Paulo, como Os Mutantes, a Nação Zumbi, Sepultura (mesmo que capenga), Ratos de Porão e Korzus, a noite compensou. O fato é que a maioria deles tocou em Pernambuco na 2ª noite, sábado passado, reservada às bandas pesadas. Lá foram três noites e três palcos para escolher à vontade.

Os Mutantes não foram na Via Funchal, mas acabaram fazendo um show “relâmpago” na mesma noite de 17 de abril em São Paulo. Relâmpago porque provavelmente foi fechado durante o final de semana do festival. Eles gravaram o programa Bem Brasil, da TV Cultura, no Sesc Pompéia. Não teve divulgação alguma e os ingressos foram vendidos em poucas horas. Quem viu o show da prefeitura no Museu do Ipiranga matou a saudades, mas como a estrutura não era aquela coisa primorosa para um evento decente grátis e ao ar livre, é importante vê-los novamente e com dignidade. Depois de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, espero que eles voltem para Sampa.

Ainda para quem gosta de ska roots e reggae, em maio tem Skatalites em São Paulo. Na choperia do Sesc Pompéia, dias 17 e 18 e a preços bastante camaradas, como é praxe da casa. Essa é outra banda fantástica e “roots” que pousará aqui. Nesse ano, assim como nos últimos, vai ter muita coisa boa ainda para ver. Para os roqueiros, só nesse mês tem Jethro Tull no Credicard Hall, sábado dia 28, e o Motorhead no dia seguinte na Via Funchal. Já o Rush é aguardado novamente, mas para o final do ano em sua nova turnê no Brasil. Opção de diversão é o que não falta...

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