Noite de sábado, céu claro em São Paulo e 45 mil pessoas juntas no estádio do Morumbi. O motivo? Um show de proporções galácticas – Roger Waters e sua banda na turnê “The Dark Side Of The Moon”.
O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.
Fotos: Marcelo Rossi / divulgação da CIE
Assim como em 2002 no Pacaembú, com pontualidade britânica e muito profissionalismo, o espetáculo começou exatamente às 21h. Bem humorado, Roger Waters emocionou fãs de diversas idades com as músicas que todos queriam ouvir. O imenso telão no fundo do palco, repleto de efeitos e muita luminosidade, emocionava os devotos de Pink Floyd nas imagens registradas durante as músicas.

A qualidade do som estava impecável, mas o volume nem tanto. Para quem estava longe do palco (a maioria das pessoas, já que poucos conseguiram os ingressos VIP’s vendidos com exclusividade através do Citibank, ou mesmo, com a máfia dos cambistas), as caixas de som espalhadas pelo estádio para reproduzir os efeitos provocavam menos impacto do que o som proveniente do próprio palco. E não foi só a acústica que deixou a desejar, mas também outros pontos da organização no Morumbi. Onde já se viu ter que atravessar de maneira sofrível toda a arquibancada para poder comprar uma cerveja por quatro reais?

Como nem tudo são trevas, sem dúvida um dos pontos altos do show foi o grande porco inflável que sobrevoou o estádio durante a música “Sheep”, ao final da primeira entrada. O errante voador foi solto dos cabos quando ninguém esperava, revivendo a lenda de 1977 (na produção do álbum “Animals”, quando o boneco usado para fotografar a capa do disco se desprendeu acidentalmente e, solto pelos céus de Londres, deu trabalho para pilotos e torres de controle).

Na versão brasileira, o porco em que se podiam ler frases de protesto como “All we need is education”, “Hey killers, leave our kids alone” e “Bush, não estamos à venda”, foi encontrado (já em pedaços) numa rua chamada Paulo VI, depois do Jóquei Clube na região de Pinheiros. Vale dizer que, sim, eu também ouvi as piadinhas de que ele estava querendo chegar no Parque Antárctica...

Quanto à exibição de “Dark side of the moon”, na segunda parte do show, não é preciso tecer maiores comentários. Apesar de sentirmos falta da voz mais aguda de David Gilmour, as músicas foram executadas com maestria. E não há como não se emocionar ouvindo uma lenda do rock (sim, é clichê, mas o homem é um mestre), tocando músicas que sobreviveram décadas como só uma obra-prima conseguiria.

Para extasiar os presentes e coroar a noite, um grande prisma tomou forma no alto do palco e seus raios coloridos iluminaram o público. Todos sabiam que estavam participando de uma noite histórica – afinal, ninguém mais tem esperança de ver o Roger Waters novamente no Brasil.
No bis, ainda havia fôlego para “Another brick in the wall”, que fez eco pelo estádio e foi cantado de forma uníssona pela multidão. Destaque também para “Shine on you crazy Diamond” e “Perfect sense”, no início do show e “Comfortably numb”, já na saideira. As músicas arrancaram lágrimas e emocionaram todos aqueles que testemunharam Mr. Roger Waters em ação.
Set list:
1a parte
In The Flesh
Mother
Set the controls for the heart of the sun
Shine on you crazy Diamond
Have a cigar
Wish you were here
Sothampton Dock
The Fletcher Memorial Home
Perfect sense
Leaving Beirut
Sheep
2a parte
Speak to me
Breathe
On the run
Time
The great gig in the sky
Money
Us and them
Any color that you like
Brain damage
Eclipse
Bis
The happiest day of our lives
Another brick in the wall – Part II
Vera
Bring boy back
Comfortably numb
Voz, contra-baixo e violão: Roger Waters
Guitarra, contra-baixo e vocais: Andy Fairweather Low
Guitarra e vocais: Dave Kilminster
Guitarra: Snowy White
Teclados, guitarra e vocais: Jon Carin
Órgão Hammond: Harry Waters
Bateria e percussão: Graham Broad
Saxofone: Ian Ritchie
Vocalistas: Katie Kissoon, PP Arnold e Carol Kenyon
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