Aproximadamente 500 pessoas amontoaram-se para assistir a um show que realmente valia a pena o ingresso. O Rotting Christ fez uma apresentação muito boa no apertado Curupira Rock Club, um dos mais tradicionais locais para eventos underground de Santa Catarina. Dizer que os fãs ficaram contentes em ver os ídolos talvez seja uma outra questão a ser analisada, pois a alguns metros do palco, mal dava para ver os integrantes da banda. Alguns ainda questionavam-se ao final se realmente havia um guitarrista novo na banda.
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Em se tratando de espetáculo de metal, esta banda vinda da Grécia, deu um banho. Já com oito discos nas costas e aproveitando para divulgar a recém lançada coletânea, “Passage To Arcturo + Non Serviam”, o grupo liderado pelo carismático Sakis Tolis, no vocal e guitarra, tocou cerca de 20 canções de todas as fazes da banda. Desde o primeiro álbum, “Thy Mightu Contract”, de 1993 até o último álbum de inéditas, “Sanctus Diavolus”, de 2004.
O início da apresentação foi dado por duas bandas de Black Metal, vindas de Curitiba (PR). A “Impetus Maleficum” e a “Evilwar”. A primeira tem um som mais ríspido e rápido, com destaque para a forte participação do vocalista “Militibus Profanus”, com indumentária para lá de interessante. O show desta banda, apesar de curto, foi muito intenso. A “Evilwar” foi recebida com ansiedade pelo público, reflexo da boa aceitação do cd "Bleeding In The Shades Of Baphomet". O andamento das canções do show foram alternadas, mas deram conta de deixar os fãs aquecidos para o espetáculo europeu.
A empolgação de ver o show da atração da noite era tanta que o empurra-empurra à frente do palco começou a criar alguns conflitos isolados. Realmente a casa é pequena para receber um público mediano e que sempre gosta de abrir rodas ou colar no palco. Mas quando o quarteto formado pelo líder Sakis, Andreas Lagios (baixo), Themis Tolis (bateria) e o convidado George Bokos (guitarra), entraram em cena, a situação ficou mais tranqüila. O show foi aberto com “Fifth Illusion” e o Curupira ouvia a cada verso ao microfone e palhetada de guitarra como se fosse a coisa mais maravilhosa que pudesse acontecer. Sem teclados e com alguns samplers, a banda era mais crua e contagiante.
Realmente, em Santa Catarina é grande a concentração de admiradores de Black Metal e propriamente do Rotting Christ. Acusada hoje de mudar o direcionamento musical para uma vertente mais gótica, o quarteto tratou de mandar uma seqüência de músicas altamente velozes e pesadas.
Na seqüência, “Archon”, do álbum “Tryarchy Of The Lost Lovers” (de 1996), foi executada com grande competência. Apesar do amontoado de gente e do palco ser muito baixo, prejudicando a visualização dos integrantes da banda, (apenas por alguns segundos via-se o rosto de Sakis) o som estava muito bom.
Integrado nesta turnê, George Bokos veio da excelente banda Nightfall acompanhar o Rotting Christ. Ele mandou muito bem nos pesados riffs do grupo e nos solos e duetos com Sakis. Andreas no baixo mostrou sua típica competência nos momentos mais sombrios das músicas, enquanto Themis, irmão do vocalista, trazia muita rapidez na bateria. Em entrosamento o grupo está, e sempre esteve muito bem.
O show prosseguiu com grandes clássicos da banda. A mais requisitada foi “Non Servian”, a qual a banda não deixou de fora. Outras que agradaram muito foram canções novas, “Visions Of A Blind”, “Athanati Este”, mas foram as duas únicas. O restante foi de clássicos antigos que enchiam os ouvidos dos presentes. O show foi encerrado por três composições mais ao estilo metal tradicional, “Under The Name Of A Legion”, do álbum “Genesis” e duas grandes composições do disco “A Dead Poem”, de 1997 –“Sorrowfull Farrewell” e Among Two Storms”.
Após a apresentação, os músicos permaneceram no palco distribuindo autógrafos e conversando com os fãs. Aí sim era possível um entendimento de quem era quem na banda. No entanto, a felicidade era grande em poder conferir músicos consagrados mundialmente em uma apresentação ousada na cidade de Guaramirim. Lotação esgotada em uma noite de muita violência sonora nos tímpanos catarinenses.
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Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.
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