Resenha - Helloween (Credicard Hall, São Paulo, 25/03/2006)

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Por Alexandre Cardoso
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Parece que o público brasileiro ainda não se acostumou com o fato de, constatemente, muitas bandas estarem gravando seus shows ao vivo em nosso país, em especial, na cidade de São Paulo. E como todo bom brasileiro gosta de aparecer, um grande público compareceu ao Credicard Hall para o show do Helloween, sem no entanto, lotar a casa - isso talvez porque o ingresso fosse uma paulada de R$110,00...

Os alemães, pais do metal melódico, fizeram do Brasil uma parada obrigatória desde a turnê do álbum “Master of the Rings”, quando tocaram no extinto Philips Monster of Rock em 96. A banda é sinônimo de casa cheia, mas não quer dizer que hoje o Helloween seja uma unanimidade. Muitos torceram o nariz para o último lançamento da banda, o álbum duplo “Keeper of the Seven Keys – The Legacy”, que é a continuação dos dois primeiros “Keeper” que datam de 1987 e 1988 (e diga-se de passagem, dois dos mais influentes álbuns na história do heavy metal). Crítica e público consideraram isso uma afronta à história da banda, pois como seria possível fazer um álbum com o título “Keeper of the Seven Keys” sem os dois grandes nomes da banda na época, que eram Kai Hansen e Michael Kiske?

É claro que os mais fanáticos adoraram o novo álbum e fazem cada vez mais suas juras de amor à banda, mesmo sabendo que esse tal novo “Keeper” não é lá essas coisas, ainda mais sendo um lançamento duplo com músicas longas e que soam como uma volta forçada às raízes.

A turnê havia sido anunciada com grande alarde pois seriam tocadas muitas músicas dos três “Keeper”, em especial as músicas longas de cada álbum. Isso já acaba sendo um fator negativo, pois tocar três ou quatro músicas de 12 minutos cada significa sacrificar inúmeros clássicos em nome de um conceito há muito ultrapassado. Com isso, a banda acaba negando muito de sua história com Andi Deris, pois foi graças à sua entrada que a banda ressucitou, com grandes álbuns e outros tantos clássicos.

O Helloween veio com uma ótima produção de palco dessa vez, com um enorme pano de fundo do novo álbum e um jogo de luzes muito bem elaborado. Após o tradicional atraso e da introdução (com direito a um “Guardião das 7 Chaves” no meio do palco), a banda entrou no palco mandando a primeira música longa da noite, “King for a 1000 years”. O público não parava de gritar e cantou junto o refrão com Andi Deris que, como sempre, teve o público na mão desde o momento em que pisou no palco. O baixista Markus Grosskopf não parava em cima do palco, como sempre, tocando com a precisão habitual. Sascha Gerstner nem parece mais aquele cara tímido do show de 2003, pois se movimenta bastante pelo palco e toca com muita confiança. O novo batera Dani Loeble é um animal, toca com muita pegada e empolgação.

Mas quem mais surpreende logo no começo é Michael Weikath. Ele que é conhecido por ser o mais antipático em cima do palco, parecia estar bem animado, pois fazia várias poses e caretas para o público. Sem dúvida alguma para ele as mudanças na formação da banda foram a melhor coisa que podia ter acontecido.

Enquanto o público enlouquecia com a banda e bandeiras do Brasil tremulavam pelo local, eu não conseguia entender aquela música longa logo no começo. Além da sua duração, não é uma música empolgante, com aqueles refrões típicos do Helloween. Ela tem muitas mudanças de ritmo que não se encaixam e a música soa para mim como se eles tivessem juntando trechos de músicas diferentes para que tivessem algo digno de um álbum chamado “Keeper of the Seven Keys”.

Ao final dessa música, Andi Deris cumprimenta o público, agradecendo pela presença e dizendo que é ótimo estar em São Paulo outra vez. Também diz que o show está sendo gravado para o DVD, o que provoca ainda mais gritos do público. Na sequência vem a primeira grande música da noite: “Eagle Fly Free”. Se quisesse, Andi nem precisaria ter cantado, já que é essa música está na ponta da língua de 11 entre 10 fãs de metal melódico. Na hora do refrão, Andi não fez feio e mandou muito bem, mostrando às viúvas de Michael Kiske que ele tem qualidade sim para estar na banda há mais de 10 anos. Ele impôs sua personalidade na banda e há muito não se preocupa em ser uma cópia do seu antecessor.

Depois de “Eagle” foi a vez da fraca “Hell Was Made In Heaven”, do álbum “Rabbit Don’t Come Easy”, que não empolgou muito e acabou quebrando o ritmo do show. Poderiam ter tocado outra música desse álbum, como “Just a Little Sign” ou “Liar”. O show segue com os 13 minutos de “Keeper of the Seven Keys”, música que faz muita gente arrancar os cabelos, pois é daquelas que se acha que nunca será tocada em um show. Ela já havia sido tocada na última turnê, já uma supresa naquele momento. Dessa vez, ela foi executada com maestria pela banda, e destaco aqui outra vez a performance de Andi Deris. Tudo bem, mesmo que essa e outras músicas no show tenham sido executadas um tom abaixo da afinação original nos álbuns de estúdio (principalmente aquelas que contavam com Michael Kiske nos vocais), ele fez bonito e mandou bem em TODOS os agudos. Críticado por sua falta de potência nos tons mais altos, Andi, com certeza, calou a boca de muitos.

Apesar do público não parar um minuto e cantar tudo, o show ainda estava estranho. Afinal, já havia se passado mais de meia hora e só 4 músicas haviam sido tocadas. Músicas muito diferentes entre si e que não davam unidade à apresentação. A coisa não decolava!

A balada “A Tale That Wasn’t Right” mostrou que realmente a intenção era reviver a era dos “Keepers”. Mas acho que o sentimento de nostalgia nunca pairou no Credicard Hall, pois todos sabiam que algo faltava.

Minhas esperanças do show realmente começar a pegar fogo desapareceram quando todos saíram do palco, sobrando apenas Dani Loeble. Um solo de bateria pode ser algo muito bacana, mas na maioria das vezes não é. Isso é fato comprovado, ainda mais quando ocorrem em shows de bandas de metal melódico. Não preciso nem dizer que o novo baterista do Helloween foi uma escolha acertada, pois ele tem a pegada, a velocidade e a técnica necessárias para o posto, mas seu solo podia ter sido um pouco mais criativo e mais curto. No entanto, foi divertido, pois ao lado de sua bateria foi montado um mini kit para Markus Grosskopf travar um cômico “duelo” contra ele.

“Occasion Avenue” foi a segunda música do novo “Keeper” a ser executada... e não é que foi outra música kilométrica? Assim é muito difícil manter o público preso ao show, por mais que adorem a banda. Muita gente foi pro fundo pra sentar e descansar e outros tantos saíram para tomar um pouco de ar. Pelo menos a banda lembrou do excelente “The Dark Ride” e mandaram “Mr. Torture” e “If I Could Fly”, muito bem recebidas, mas tocadas um pouco mais devagar do que em suas versões originais, como outras tantas durante o show.

Sascha Gerstner também teve sua vez de fazer um solo, também engraçadinho como o de bateria. Dessa vez, o duelo foi entre ele e Dani Loeble que, com uma guitarra de brinquedo, fez caras e bocas enquanto dublava um solo feito pelo tecladista.

Então veio uma música para levantar o público: a mais do que manjada “Power”, do álbum “Time of the Oath”. Quem estava sentado levantou e quem estava lá fora voltou pra conferir. O clássico “Future World” foi tocado numa versão mais longa, que contou com intensa participação do público e fez lembrar os áureos tempos do “Keeper”, naquela versão imortalizada no álbum “Live in the U.K.”. Andi Deris apresentou a banda, pegou uma bandeira do Brasil e fez a tradicional brincadeira pro público cantar junto, que geralmente acontecia durante “Power”.

A primeira parte do show termina com a nova – e sem graça - “Invisible Man”. Após uma breve pausa, a banda volta para o bis com o single “Mrs. God”, uma música boba e totalmente dispensável. “I Want Out” veio para alegrar os fãs mais antigos e tudo termina com a alegre “Dr. Stein”.

A banda continua excelente, são músicos de qualidade indiscutível. Porém, o Helloween vive um momento diferente daquele período de 1987/88: o som mudou, os músicos são outros e o heavy metal não é mais o mesmo. Tudo bem, foram duas horas de show, mas não foi daqueles inesquecíveis, que lavam a alma de qualquer fã. Considerando o fato de que estávamos presenciando a gravação de um DVD, a banda poderia ter caprichado mais na escolha do repertório. Tocar 3 músicas que somadas, tomam mais de 40 minutos do tempo, é no mínimo equivocado. Poderiam ter tocado outras músicas do “Keeper of the Seven Keys – The Legacy”, pois convenhamos: tocar apenas 4 músicas (e digo outra vez, muito mal escolhidas) que fazem parte de um álbum DUPLO, é muito pouco. Repito: será que vale a pena sacrificar tantos outros sucessos para reviver o conceito de uma época que não volta mais?

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