Em 27/02/2006 | Resenha - Torture Squad (Manifesto, São Paulo, 27/02/06)

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Resenha - Torture Squad (Manifesto, São Paulo, 27/02/06)


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Um Manifesto lotado recebeu o Torture Squad na segunda-feira de carnaval, 27 de fevereiro, em São Paulo. A banda vinha, neste show, despedir-se do público paulistano por um tempo, afinal, embarcariam (e embarcaram) no dia seguinte rumo à Alemanha para uma turnê européia. Entre os objetivos da viagem está fazer o maior número de shows possível e conseguir um contrato com alguma gravadora estrangeira. Além disso, o show foi gravado e será lançado em DVD junto com a revista Tribo Rock Magazine.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fotos: Rafael S. Karelisky

O público presente no Manifesto pode ter uma prévia do que os europeus terão nos shows do Torture: muito peso, precisão e um metal extremo que não perde em nada para as bandas gringas.

O set apresentado contou com músicas de todas as épocas da banda, que já tem 15 anos na estrada. Além das músicas já aguardadas, a banda ainda tocou duas inéditas, das nove prontas, e que devem entrar no próximo álbum da banda.

O show começou arrasador. Um pequeno problema na guitarra de Maurício Nogueira foi acertado rapidamente e a banda pode mostrar toda a sua brutalidade em "Convulsion", do álbum Asylum of Shadows e "Horror And Torture", do último álbum da banda, Pandemonium. Sobre este álbum, Vitor Rodrigues, vocalista, é só elogios, "Não é porque sou o vocalista, mas acho um puta disco, tem punch e muita coisa poderosa. E é legal que culminou no CD e no DVD ao vivo", disse, referindo-se à dupla Death, Chaos & Torture Alive.

O som estava bom e todos os integrantes podiam ser ouvidos sem maiores problemas. Esta é uma das características do som que o Torture Squad faz. Apesar de serem extremamente brutais e, em vários momentos, muito velozes, suas músicas não são apenas um embolado de notas, urros e pancadas na bateria. Tanto o baixista Castor, quanto o batera Amilcar Christófaro e Maurício levam uma música possível de ser apreciada e as letras urradas por Vitor são, em boa parte do tempo, compreensíveis e é até possível cantar junto.

Seguiram com "Towers on Fire", um grande sucesso do Pandemonium e "The Beast Within", uma das novas, que segue a linha trash/death da banda e foi bem recebida. Depois, "World of Misery".

Outra qualidade é a garra que a banda demonstra em cima do palco. Amilcar esmurra a bateria, Maurício sacode a cabeça e Castor sempre acompanha o que Vitor está urrando enquanto faz as suas usuais caretas. "Sou bem tranqüilo, mas quando subo no palco, é como se estivesse atuando alguma coisa, tentando passar a mensagem e o trabalho [da banda]. Tento fazer da melhor maneira possível", explica Vitor, que obviamente é quem mais chama a atenção e que sempre demonstra grande emoção com o carinho do público. "Não sei se assusto alguém, mas é legal observar uma banda que gosta daquilo que faz. Além do mais, antes de músicos, também somos fãs", diz o simpático vocalista.

O Torture rapidamente conquistou a galera presente no Manifesto, que pedia músicas a todo momento. Seguiram com "Shades of the Evil", a antiga "A Soul In Hell", "Pandemonium", uma das melhores da noite e "Murder of A God", com Castor acompanhando Vitor nos backing vocals. Não foi só aí que o baixista mostrou o seu valor. Durante todo o show, ele mostrou muita técnica e agilidade nos dedos (de ambas as mãos, já que não usa palheta).E não é brincadeira, o baixista acompanha os riffs de Maurício com precisão e preenche bem a música quando o guitarrista está solando.

O segundo teste da noite veio com "Chaos Corporation". A banda foi aprovada novamente. Se as outras músicas que integrarem o próximo trabalho de estúdio do Torture seguirem essa linha, a banda tem tudo para continuar o seu crescimento. Sobre isso, Vitor comentou que quer escrever um grande número de músicas para, na hora de fazer o CD, poder selecionar apenas as melhores. A data para este lançamento não tem previsão, mas Amilcar promete que será ainda este ano.

Tudo depende do que ocorrer na Europa. A previsão é que permaneçam por dois meses, mas se pintarem novos shows, o prazo poderá se estender. Se conseguirem um contrato, podem até mesmo gravar o novo álbum por lá. Por enquanto há 16 shows marcados, sendo três na Áustria e treze na Alemanha. Há ainda a possibilidade de a banda tocar com o Sodom e com o Disaster. A banda também busca uma distribuição para os trabalhos já lançados. O Torture não tem nenhuma distribuição ou licenciamento na Europa, o que torna difícil a banda ser conhecida por lá.

A verdade é que a viagem, bancada em grande parte pela própria banda, está sendo considerada um divisor de águas. Vitor comparou a trilha que percorrerão ao que o Krisiun e o Sepultura já fizeram. A esperança é que tais quais seus mestres, o Torture Squad se faça enxergar no Velho Continente e conquiste o seu espaço entre os grandes do metal. Uma frase de Amilcar explica o espírito da banda nessa aventura: "Lá vai ter que acontecer tudo!"

Finalmente, fechando o show, tocaram "The Host" e "The Unholy Spell", clássico da banda e que tem uma introdução na bateria sensacional. Amilcar, inclusive, demonstrou durante todo o show que é um dos melhores bateristas do Brasil. O saldo do show foi positivo. "Me diverti à beça", diz Vitor, "A aparelhagem tava legal, o som no retorno tava bom, curti pra caralho!" O público também aprovou. Não resta dúvidas que a turnê européia tem tudo para realizar todos os sonhos que os quatro integrantes do Torture estão levando consigo. Que os gringos se segurem e se rendam ao poder dessa "promessa" brasileira!

Set List:
Convulsion
Horror And Torture
Towers on Fire
The Beast Within
World of Misery
Shades of the Evil
A Soul in Hell
Pandemonium
Murder of a God
Chaos Co.
The Host
The Unholy Spell

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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