Resenha - Dream Theater (Credicard Hall, São Paulo, 11/12/2005)

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Por Thiago Sarkis
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As dificuldades não foram poucas: chuva, véspera de segunda-feira e, enfim, todos os problemas da infeliz localização do Credicard Hall e aquela lamentável pista com o palco baixo; uma combinação perfeita pra deixar marmanjo de 1,90m com torcicolo. Mesmo assim, a imagem inicial da turnê sul-americana do Dream Theater em 2005 é a de 20 mil pessoas no show do Chile, êxtase no Rio de Janeiro, lotação no sábado em São Paulo, e casa cheia também no dia seguinte na capital paulista. Por sinal, se houvessem anunciado a reprodução na íntegra de “Scenes From A Memory – Metropolis Pt. 2” ao invés de um álbum cover para a segunda apresentação, novamente deixariam o local abarrotado, no linde de sua capacidade máxima. Depois de tudo isso, há como negar que esse é o maior nome dos últimos tempos no progressivo, praticamente já cravando os dois pés entre os ícones eternos do estilo? Eu pergunto e respondo: não!

Fotos: Adriana Califano (YtseBR - www.dreamtheater.com.br)

Se o sábado já causou estrago com pedradas como “Caught In A Web”, “Panic Attack” e “As I Am”, além da imponente “Octavarium”, e de clássicos unânimes como “Under A Glass Moon”, “Learning To Live”, e “A Fortune In Lies”, você não imagina o que fez o domingo. O repertório mudou quase que 100%. Apenas “Strange Deja Vu” apareceu em ambos os sets. Trocando em miúdos, num período de 48 horas, os fãs brasileiros que aguardaram por sete longos anos pelo retorno dos reis do prog metal, presenciaram praticamente 360 minutos cobrindo toda a carreira da banda, sem espaço a repetições.

Logo de início, a pancadaria inteligente da moderna e desenvolta “The Glass Prison”, faixa de abertura de “Six Degrees Of Inner Turbulence” (2002), e uma agradável surpresa com a guitarra de John Petrucci anunciando a inesperada “Just Let Me Breathe” de “Falling Into Infinity” (1997). Inegavelmente eles estavam dispostos, antes de qualquer coisa, a disparar peso. Sendo assim, lançaram a fantástica “The Mirror” para explosão subseqüente no hit “Lie”. Aliás, essa dupla aqui não pode vir separada! É dinamite pura: 25% de terra de infusórios e 75% de nitroglicerina! Boom!

Descansando pés, e dando uma baixa no suor, veio a açucarada “The Answer Lies Within’’, prenúncio de uma seqüência de composições do trabalho mais recente, “Octavarium”, contendo também “These Walls” e “Never Enough” (para alguns tupiniquins mais conhecida como “These People”). Depois de tanta polêmica, esta última veio com um toquinho sarcástico, e olhares denunciativos de: “tomem aí”. E o público respondeu, insaciável como sempre, às vezes chato, e pleno da principal característica dos fãs: insatisfação constante. O Dream Theater que aprenda a lidar com isso, pois já saiu da garagem há pelo menos uns treze anos.

Voltando ao show, aquilo que verdadeiramente importa, a primeira parte da maratona dominical teve fim com a longa “In The Name Of God”, provavelmente a melhor música do controverso “Train Of Thought” (2003).

A grande hora chegara: tocariam eles “Scenes From A Memory” ou não? O suspense causou delírio, e foi alimentado com trechos de álbuns clássicos de Pink Floyd, Queensryche, Rush, e outros. No fim das contas, eles realizaram o sonho de seus seguidores, reproduzindo a segunda parte de “Metropolis” em sua literalidade ao vivo, algo que não acontecia - até a apresentação em Buenos Aires no dia 03 de dezembro último – há mais de cinco anos, desde o show no Roseland Ballroom de Nova York em 30 de agosto de 2000.

A larga espera e o fato dos brasileiros terem acompanhado de longe a segunda grande explosão comercial do Dream Theater - a primeira ocorrera com “Images And Words” em 1992 -, com certeza aumentaram a expectativa, e resultaram numa vibração inigualável dos presentes. Não era difícil encontrar gente ajoelhada, chorando, agradecendo aos céus, transformando harmonias em melodias com a voz, e batendo cabeça nos ritmos frenéticos e tempos ensandecidos do instrumental.

As muitas mudanças na estrutura e até no direcionamento musical do grupo liderado por Mike Portnoy desde o lançamento deste CD histórico foram sentidas durante toda a sua execução. James LaBrie, vocalista que havia caído vertiginosamente de rendimento nas últimas turnês, ressurgiu das cinzas, usou e abusou de suas cordas vocais, cantou como nunca. Cerca de uma década e meia após assumir o posto de cantor do conjunto, ele parece passar por uma de suas melhores fases. Realmente impressionante!

Em níveis técnicos, todos evoluíram. O baterista, por exemplo, desenvolveu seus backing vocals de maneira esplêndida. No princípio de carreira, ouvi-lo nessa função era insuportável, aos poucos passou a ser aturável, em “Train Of Thought” ficou bom, e agora parece indispensável! Méritos próprios e também, sem dúvida alguma, honras ao mestre Neal Morse (ex-Spock’s Beard), com quem Portnoy vem trabalhando e tocando por longa data.

John Myung, que às vezes fica apagado nas mixagens de estúdio, torna-se um monstro no palco, e atualmente mais do que nunca. O que toca esse japa não está escrito no gibi. Sem brincadeira.

Jordan Rudess é uma incógnita. Chegou no instante ideal, gravou um álbum seminal, e segue bem no DT. Contudo, precisa atualizar um pouco o som de seu teclado. É cada timbre mais antigo que o outro, repetitivo, às vezes até cafona. Em compensação, acerta imensamente nas composições, e é a alma da progressividade da banda hoje em dia.

John Petrucci é o que mais se transformou e durante o show é de uma frieza assustadora. Ouvir solos como os de “Fatal Tragedy”, “Home”, e “The Spirit Carries On”, é uma ótima maneira de lembrar como ele sentia a música com maior intensidade. Presentemente, mesmo irreparável tecnicamente, soa mecânico demais. Não pode ver um espaço para a guitarra que já sai fritando como um louco. Que seus ídolos e influências, entre eles os “Steves” Morse, Vai, e Howe, me perdoem, mas por ora ele está mais pra Michael Angelo.

A verdade é que meia década se foi, e estas canções mostram a capacidade de transcenderem e crescerem com o passar do tempo. Nenhuma delas soa datada ou dá sinal de que um dia poderá ser considerada assim. Ao inverso, a impressão que fica é de um clássico nato, a ser escutado com louvor por filhos, netos, quiçá até bisnetos daqueles que cruzaram madrugadas em 1999 para conseguir os MP3s antes mesmo do lançamento do álbum.

Durante o show alguns erros curiosos, nítidas conseqüências da falta de prática das difíceis composições. Detalhes em “The Dance Of Eternity”, “Finally Free”, etc., que não prejudicaram o andamento das coisas, e passaram desapercebidos para boa parte da platéia.

O que não deu pra esconder foi a pane geral no bis final em “Pull Me Tropolis” (medley de “Pull Me Under” e “Metropolis Pt. 1”), e o conjunto demonstrou muita postura e presença de espírito: levou a falha na boa, fez tudo novamente, voltou a errar ligeiramente, e deixou o barco correr. Descontraiu o público deixando no ar um resquício de humanidade a estes músicos à beira da perfeição.

Duas certezas, em especial, ficam após resgatarmos essas cenas de nossas memórias: a primeira é que a banda fez coisas realmente extraordinárias e atualmente grava num nível “apenas” muito bom; já a segunda ignora qualquer decréscimo na qualidade dos trabalhos de estúdio, e se situa no fato do Dream Theater ter re-ensinando ao mundo - após as lições de Yes, Gentle Giant, King Crimson, e outros - como transformar virtuosismo em música.

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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