Atualmente, o Rappa é uma das maiores banda de rock no Brasil. Notória não apenas por sua música, mas também pelo lado político e o engajamento social, a banda conseguiu tirar o máximo de sua empreitada no “Acústico MTV”, fugindo do padrão e criando novos arranjos para suas canções, resultando num álbum cheio de energia e musicalidade.
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Na primeira das três noites do show, o Olympia recebeu lotação máxima, mostrando que a banda tem grande apelo com o público de São Paulo. Entre alguns mais humildes e outros nem tanto, essa mistura de raças e classes mostra a capacidade que a música tem para juntar até mesmo os mais diferentes seres num mesmo lugar, apenas com o objetivo de se divertirem.
Falcão cumprimenta o público ainda com as cortinas fechadas e quando elas se abriram, percebe-se que aquela noite seria memorável. Com dez músicos no palco e Falcão posicionado sentado a frente com seu violão, a banda toca “Na Frente do Reto”, levantando o público com seu refrão mais do que apropriado (“O show tá começando”).
Com o som impecável, uma bela iluminação e um cenário que mostrava diversas animações ( a maioria baseada em grafites), via-se que aquilo era um verdadeiro espetáculo que ia deixar muita banda gringa de boca aberta. Os músicos que acompanham a banda nesse projeto acústico são de muito talento e conseguem deixar a música do Rappa ainda mais forte e vibrante ao vivo.
Falcão, com sua disposição de criança, já não se agüentava sentado e na segunda música, “Mar de Gente”, levantou-se para, com toda sua energia, pular junto com o público. Aliás, todos ali pareciam estar numa grande festa, pois não ficavam quietos ou parados por um minuto.
Mas o momento que o chão tremeu mesmo foi em “Reza Vela”: ouvia-se por todos os lados vozes gritando, do começo ao fim, a letra da musica. A energia do local era tamanha que chegava a dar arrepios. E foi nesse mesmo ritmo que Maria Rita, filha de Elis Regina, subiu ao palco. Apesar de seu microfone estar mais baixo, estava totalmente descontraída e divertindo-se muito ao cantar com Falcão os sucessos “O que sobrou do céu” e “Rodo Cotidiano”.
As quase duas empolgantes horas de show pareceram pouco. É muito difícil uma banda manter um ritmo de show assim e ainda por cima, em grande sintonia com a platéia: foi assim desde a primeira música até “Eu quero ver Gol”, que fechou o show e teve Falcão brincando com a galera, falando nomes de jogadores do futebol (devidamente aplaudidos pelo público) e lamentando por não poder citar nenhum de seu Flamengo. A única coisa que desagradou foi que, no intervalo entre as músicas, o DJ colocava uma musiquinha como ponte para a troca de instrumentos e novo posicionamento da banda. Muitas vezes essa musiquinha não se encaixava e quebrava o clima e o ritmo do show.
No entanto, isso não tira os méritos da banda e do show. Ótima platéia, produção impecável e músicos maravilhosos (backing vocals, percussionistas, bacus, o violinista convidado Sibae outros). Mas lógico que Falcão tem seu destaque maior: um cidadão brasileiro de consciência e fé, que faz de sua música um instrumento de comunicação e conscientização. Ver toda aquela gente curtindo e cantando músicas que falam de injustiça social, a violência e a clemência por paz, me fez sentir bem em saber que há outros que ainda lutam e se preocupam em fazer a diferença, por um Brasil melhor.
O Rappa é uma das poucas banda que se salva em meio a tantas modas passageiras das rádios e com certeza, faz por merecer todo o sucesso de crítica e público que conseguiu ao longo de sua carreira.
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