Em 15/10/2005 | Resenha - Live N' Louder (Gigantinho, Porto Alegre, 15/10/05)

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Resenha - Live N' Louder (Gigantinho, Porto Alegre, 15/10/05)


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Sábado de aparente frio na chuvosa Porto Alegre. As expectativas eram enormes para a versão gaúcha do festival Live N'Louder, que mesmo tendo o show do Testament cancelado de última hora, prometia levar um público até então nunca visto para o Gigantinho, a partir daquela tarde. Fato que infelizmente não ocorreu, provavelmente pelo alto valor do ingresso – para a maioria do público – que teve bastante tempo para se programar, afinal, a produção agilizou e iniciou a venda dos mesmos a partir de agosto.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Fotos por Beto Scliar

Pouco mais de sete mil presentes estavam lá desde cedo, para conferir o primeiro show do dia, que começou pontualmente às 16h.

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Ricardo Durán (vocal), David Amato (guitarra), Fabiano Müller (guitarra), Tiago Rigo (baixo), Karina Lynn (teclado) e Ricardo Giordano (bateria), que formam a banda Toccata Magna, único representante local do festival, foram bastante prejudicados pelo som que ainda necessitava uma maior definição. Heavy metal potente, muitas influências de música andina acompanharam o grupo ao longo de trinta minutos, espaço que a banda utilizou para divulgar o seu primeiro disco, “Incognite Soul”, lançado na metade desse ano pela Megahard Records. Com as músicas “Incognite Soul” e “Ashes of a Heaven” o sexteto teve como retorno bastante agitação por parte do público, que ainda conferiu a bonita e cadenciada “Children of Sun” e uma versão estilizada (para a temática andina) de “The Evil that Men Do”, do Iron Maiden, que diga-se de passagem, ficou excelente. Fica difícil fazermos maiores destaques para a banda por causa do som embolado. Contudo, uma apresentação sem deslizes. Quinze minutos de descanso para o próximo show.

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A banda glam/gothic rock The 69 Eyes, da Finlândia, talvez tenha sido a maior revelação da noite. Poucos certamente conheciam o trabalho do quinteto formado por Jyrki 69 (vocal), Bazie (guitarra), Timo-Timo (guitarra), Archzie (baixo) e Jussi 69 (bateria), que impecavelmente demonstrou uma grande simpatia em uma ‘performance’ insana. Jussi intercalava o vôo de suas baquetas com cusparadas em forma de nuvens de cerveja. Jyrki possui uma voz grave e perfeita para o estilo adotado, que se desenvolveu em torno das composições mais pesadas como “Devils”, “Hevioso”, “The Chair”, e “Sister of Charity”. Indiscutivelmente a banda estava lá para se apresentar para um novo mercado em potencial, quando deixa por último aquele que é o seu maior sucesso em terras européias, a música “Brandon Lee”. Quem estava ressabiado quanto ao que seria a apresentação do The 69 Eyes em um festival de metal desse porte, certamente se surpreendeu. Só não tanto quanto ao show que viríamos a assistir.

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O trio Peavy Wagner (vocal/baixo), Victor Smolski (guitarra) e Mike Terrana (bateria) respondem pelo nome Rage, banda tradicional da cena heavy metal (mas que nunca teve o seu espaço reconhecido). Surpresa foi o show começar com um pequeno solo de bateria e já a tradicional “Dont’ Fear the Winter”. “Great Old Ones” veio na seqüência, seguindo com um ‘medley’ de “Firestorm”, “Solitary Man” e “Black in Mind”. Se todos já estavam de boca aberta com o estrago que os três faziam em palco, um solo espetacular de Smolski, que hoje é um dos mais técnicos guitarristas do mundo e na seqüência um solo do musculoso Mike Terrana deram a certeza de o Rage ser merecedor do título de grande atração deste festival. “Down”, “Soundchaser”, “Orgy of Destruction” também mantiveram o público na mão dos três, que encerrou a sua apresentação com “Higher than Sky”, cantada em várias vozes com a participação de um público sedento por metal de qualidade. Era o fim do show do Rage, que certamente deverá voltar ao Brasil para uma turnê mais extensa, assim espero. O cansaço já começava a aparecer, quando por volta das 19h o representante de peso, literalmente, subia ao palco. E tudo seguindo rigorosamente o cronograma previsto.

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Confirmados de última hora para preencher o espaço deixado pelo Testament, o Destruction fez do seu show uma clara homenagem aos fãs brasileiros ‘old school’. Do seu mais novo álbum, “Inventor of Evil”, apenas uma música foi selecionada, deixando o restante da apresentação (que durou cerca de uma hora) com os grandes clássicos do seu thrash metal. Schmier (vocal/baixo), Mike (guitarra) e Marc (bateria) esbanjaram bom humor e personalidade na vertente mais extrema do festival, iniciando com as agressivas “Curse the Gods”, “Nailed to the Cross” e o hino “Mad Butcher”. Com uma boa desenvoltura de palco tratando-se de um trio, Schmier contava tinha três microfones no palco, um em cada extremidade lateral e mais um no centro. “Thrash ‘till Death” foi dedicada para os praticantes do ‘mosh’ que acontecia no meio do público, enquanto que “Life Without Sense”, “Eternal Ban”, “Total Desaster” e “Bestial Invasion” saudaram os fãs mais árduos do grupo. O show encerrou com “Butcher Strikes Back”, de forma grandiosa, não apenas para os verdadeiros fãs, mas para quase todos os presentes, que comprovaram que no metal extremo há qualidade apesar da agressividade. Após ultrapassarmos a metade de todos os espetáculos, era hora de comer alguma coisa e voltar para a pista, já que em pouco mais de quinze minutos a próxima atração estaria em cena.

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Com um pequeno atraso e com uma estrutura de luzes perceptivelmente mais sofisticada, o Shaaman adentrou o palco do Live N'Louder com uma de suas melhores músicas, “Turn Away”. Se a apresentação do conjunto em abril passado foi de certa forma constrangedora pela forma que se encerrou, Andre Matos (vocal), Hugo Mariutti (guitarra), Luís Mariutti (baixo), Fábio Ribeiro (teclado) e Ricardo Confessori (bateria) estavam dispostos a dar o melhor de si para o público presente que crescia em número com a proximidade das atrações principais. Ainda do mais recente álbum a banda apresentou “Trail of Tears” e “Innocence”, além da sua versão para “More” (do Sisters of Mercy), que funciona maravilhosamente bem ao vivo. Dos trabalhos antigos vimos e ouvimos “Distant Thunder”, “For Tomorrow” e “Here I Am”, além da famigerada “Pride”. Andre Matos leva a banda nas costas em questão de simpatia e presença de palco, algo que confirmamos até a última música, que acabou sendo uma composição da fase Angra, “Lisbon”. Um show sem surpresas, porém, sem defeitos. O grande representante brasileiro perante as estrelas estrangeiras teve mais um momento de alegria com o público gaúcho.

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Enfim, por volta das 22h com a pista muito mais cheia (mas não lotada), os finlandeses do Nightwish subiram ao palco para uma hora e meia de espetáculo. A perfeição de Tarja Turunen (vocal), Emppu Vuorinen (guitarra), Marco Hietala (baixo e vocal), Tuomas Holopainen (teclado) e Jukka Nevalainen (bateria) na execução das músicas ao vivo é marca registrada da banda. A apresentação que trazia novidades não deixou de lado composições de sucesso do seu último álbum como “Dark Chest of Wonders” e a maravilhosa “Planet Hell”. Sucessos antigos não foram esquecidos, “The Kinslayer”, “Wishmaster” e “Sleeping Sun” estiveram no ‘set’. As novidades? Bem, tivemos “The Siren”, do álbum novo, que funcionou muitíssimo bem. O cover com Marco nos vocais foi uma mediana composição do Pink Floyd, “High Hopes”, que ganhou uma cara bastante metal. “Kuolema Tekee Taiteilijan”, em finlandês, mostrou todas as qualidades de Tarja como soprano, assim como em “Creek’s Mary Blood”, uma das composições mais cadenciadas e belas do recente material do Nightwish. Espetacular! E óbvio, para os fãs MTV do grupo lá estavam “Nemo” e “Wish I Had an Angel”, que não poderiam faltar. Para muitos, o show que valeu a noite. Será?

Com cerca de trinta minutos de atraso, o Scorpions subia para terminar de desmontar os ‘headbangers’ que resistiam bravamente no Gigantinho, quando iríamos totalizar cerca de dez horas de música. Klaus Meine (vocal), Rudolf Schenker (guitarra), Mathias Jabs (guitarra), Pawel Maciwoda (baixo) e James Kottak (bateria) dosaram de forma precisa durante a apresentação suas novas músicas com clássicos absolutos do hard rock oitentista – que estes cinco mestres criaram. “New Generation”, “Love ‘Em or Leave ‘Em”, “Deep and Dark” e “Blood to Hot” representaram o novo álbum, o controverso “Unbreakable”. O som estava espetacular, muito mais pesado que no CD. E para o público de mais idade (que viram o Scorpions nascer, que não é o meu caso) se deliciaram com “Bad Boys Running Wild”, “The Zoo” e “We’ll Burn the Sky”. A marca registrada desses alemães, que são as composições cadenciadas mereceu certo espaço no seu ‘set’ de noventa minutos, com “Holiday”, “Always Somwhere” e “Wind of Change”, que dispensam comentários. James Kottak é uma figura, ótimo na bateria e nos ‘backing vocals’, merecedor de todos os elogios, assim como o restante da banda, especialmente Klaus Meine, que se comporta impecavelmente como o ‘frontman’. Bem, já Mathias Jabs deixou a impressão de ser uma pessoa pouco tolerante, mal-humorado e pouco dentro do clima de se apresentar para um grande público. Quase sempre de costas para o palco e de cara amarrada, todos os espectadores atentos devem ter reparado suas contínuas discussões com o pessoal da mesa de som e certa hora, uma repreensão desnecessária a um erro de Kottak. Mas voltando ao show, “Blackout” e “Big City Nights” fecharam o mesmo em alto nível, que ainda teve no seu ‘bis’ a balada “Still Loving You” e, a esperada por todos e cantada em uníssono, “Rock You Like a Hurricane”. Todas as teses quanto ao melhor show do festival se dissolveram, certamente, ao fim do Scorpions. Esta sim foi a banda realmente responsável pelo melhor show entre todos.

E de lá fomos embora, já perto das 3h da manhã, graças ao horário de verão. Um bom público compareceu neste sábado para os shows, que ficarão na memória de muitos, apesar de ficarmos com a nítida certeza de que poderíamos ter mais presentes. A hipótese de um Live N'Louder 2006 em Porto Alegre deve gerar um certo fascínio sobre nós, fãs gaúchos da música pesada, ainda mais quando temos como referência sete apresentações de primeiro porte. O sacrifício do preço e o desgaste físico valeram a pena. Agradecimento especial ao Beto Scliar pela gentileza das fotos, e parabéns para a Opus que administrou sem maiores problemas (para o público) um festival desse porte. Mas ouvi relatos que a produtora, juntamente com a Toplink, poderiam ter dado uma maior atenção à imprensa presente, o que acabou dificultando um pouco o trabalho do nosso fotógrafo.

Toccata Magna:
01. Incognite Soul
02. Ashes of a Heaven
03. Children of the Sun
04. The Evil that Men Do (Iron Maiden)

The 69 Eyes:
01. Devils
02. Hevioso
03. The Chair
04. Feel Berlin
05. Gothic Girl
06. Sister of Charity
07. Framed in Blood
08. Dance d'Amour
09. Lost Boys
10. Brandon Lee

Rage:
01. Don't Fear The winter
02. Great Old Ones
03. Firestorm/Solitary Man/Black in Mind
04. Down
05. Soundchaser
06. Orgy of Destruction
07. War of Worlds
08. Higher Than The Sky

Destruction:
01. Curse the Gods
02. Nailed to the Cross
03. Mad Butcher
04. Soul Collector
05. Thrash 'Till Death
06. Life Without Sense
07. Eternal Ban
08. Total Desaster
09. Bestial Ivasion
10. Butcher Strikes Back

Shaaman:
01. Turn Away
02. Trail of Tears
03. Distant Thunder
04. For Tomorrow
05. Innocence
06. Here I Am
07. More (Sisters of Mercy)
08. Pride
09. Lisbon (Angra)

Nightwish:
01. Dark Chest of Wonders
02. Planet Hell
03. The Kinslayer
04. The Siren
05. The Phantom of the Opera
06. Sleeping Sun
07. High Hopes (Pink Floyd)
08. Bless the Child
09. Wishmaster
10. Slaying the Dreamer
11. Kuolema Tekee Taiteilijan
12. Nemo
13. Creek Mary's Blood
14. Wish I Had an Angel

Scorpions:
01. New Generation
02. Love ‘Em Or Leave ‘Em
03. Bad Boys Running Wild
04. The Zoo
05. We’ll Burn The Sky
06. Deep And Dark
07. Coast To Coast
08. Always Somewhere
09. Holiday
10. Wind Of Change
11. Loving You Sunday Morning
12. Tease Me Please Me
13. Blackout
14. Blood Too Hot
15. Hit Between The Eyes
16. Big City Nights
17. Still Loving You
18. Rock You Like a Hurricane

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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