Em 12/10/2005 | Resenha - Live N'Louder (Canindé, São Paulo, 12/10/05)

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Resenha - Live N'Louder (Canindé, São Paulo, 12/10/05)


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O Live N'Louder (organizado pela TOPLINK em parceria com a revista ROADIE CREW) foi anunciado em janeiro de 2005 como uma nova opção para os fãs de heavy metal, que estavam sedentos para vários shows internacionais fora do meio “mainstream”.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Fotos: Ricardo Zupa com apoio da Mediamania.

Desde 1998, com o fim do Monsters of Rock Brasil, não tivemos mais um festival forte na cena, embora eventos como Abril Pro Rock e Ceará Music Festival tenham sido marcantes para os fãs. Mas eis que um festival com um nome consagrado (Scorpions), nomes com forte popularidade no Brasil (Shaaman, Nightwish), nomes considerados mais “underground”, mas que despertam o interesse do público (Rage, Dr. Sin, Destruction e Tuatha de Danann) surge para satisfazer a sede do público, que teve em 2005 um ano repleto de boas atrações e momentos marcantes. Iniciativas como a do Live N'Louder devem ser louvadas e aplaudidas, pois neste meio aonde os fãs de metal ficam fadados a comprar CD´s a preços exorbitantes, oito shows com o custo de 100 reais (ingresso de pista) são muito bem recebidos.

O local para tal empreitada não poderia ter sido mais bem escolhido: o Estádio do Candindé (sede da Portuguesa de Desportos) se encaixou como uma luva para as pretensões do evento: fácil acesso, boa visão do palco (este muito bem colocado), e dependências de boa qualidade. Pena que a organização cometeu dois erros que não devem ser repetidos em próximas edições: a alimentação (existiam apenas 3 bares para 25 mil pessoas e duas lanchonetes que ficaram abarrotadas durante todo o festival, com apenas uma opção para alimentação) e a abordagem da segurança interna (alguns relatos de truculência – NÃO CONFIRMADOS – foram ouvidos durante o evento) poderiam ter sido mais bem cuidados. Mas nem tudo pode ser perfeito e o festival funcionou no que se propunha, para deleite de 25 mil fãs que compareceram ao estádio num dos dias mais quentes da capital paulista.

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O critério para escolha das bandas levou em conta desde o sucesso das mesmas à tradição, gerando um “cast” diverso, polêmico e curioso. Desde o hard-rock do Scorpions e Dr. Sin, ao heavy-gótico do Nightwish, passando pelo “thrash” do Destruction, o som gótico-hard do 69 Eyes (banda até então inédita no país em todos os aspectos – nada foi lançado aqui até o momento) e o folk-metal do Tuatha de Danann, recém saído de uma vitoriosa turnê européia, que incluiu uma participação no “Wacken Open Air”.

Pois eis que às 13h (pontualidade britânica), os brasileiros do Tuatha de Danann sobem ao palco. Já os tinha visto no BMU de 2004, mas não pude deixar de notar como a banda evoluiu nestes anos. Com músicas pesadas, melódicas e misturando o heavy metal com doses bem cuidadas de “folk” e música celta, a banda cativou os presentes, com uma “performance” energética e elegante. Músicas como “Dance of Little Ones”, “Land of Youth”, “Believe is True” e “Brazuzan” foram bem recebidas pela galera, que exaltava a garra dos integrantes, além da classe na execução dos números apresentados. Infelizmente os brazucas tiveram o som cortado no começo de “Tingaralatingadun”, o que deixou muita gente revoltada. Mas tempo é tempo, e o festival tinha que continuar... mas será que três ou quatro minutos a mais fariam diferença?

Pontualmente às 14h15 o trio Dr.Sin sobe ao palco (sob um sol que teimava em queimar a todos, inclusive este repórter). Os paulistas já sabem o que esperar deste talentoso trio: peso, hard-rock e virtuosismo. Abrindo com “Calling Dr. Love” (que estará no CD de “covers” “Listen to the Dr´s”), a banda já cativou vários presentes, que cantaram músicas como “Time After Time”, “Emotional Catastrophe” (resgatada do primeiro CD), a bonita balada “Miracles” e uma versão magistral para “Dr. Rock” do Motorhead, com os vocais a cargo do batera Ivan Busic. O talento deste trio é inegável, e a competência idem. Edu Adanuy é de longe um dos melhores guitarristas do Brasil, e tudo isso conspirou para um grande, porém curto show. O “hit” “Futebol, Mulher e Rock and Roll” (curiosamente a música mais simples da banda) encerrou um grande momento.

O cronograma era seguido à risca, e eis que às 15h05 sobe a primeira atração internacional: os finlandeses do 69 Eyes. Com roupas de couro pesadas para o calor que imperava no Canindé, a banda começou a se mostrar para o público, visto que muitos sequer a conheciam, e isto gerou uma certa frieza que imperou durante o show. Mas não vamos tirar o mérito de Jyrki 69 (vocal), Jussi 69 (bateria), Bazie e Timo-Timo (guitarras) e Achzie (baixo). Abrindo com “Devils”, de seu mais recente CD homônimo, a banda executou um gótico com fortes pitadas hard. Imagine uma “jam” entre Motley Crue e Type O´Negative. Grosseiramente falando, isto é o 69 Eyes. Continuaram com “Hevilso” e “The Chair”. O vocalista Jyrkil não cansava de agradecer e mostrar sua satisfação, além de exultar a beleza da mulher brasileira (“EU ADORO ISSO!” – segundo ele). A banda ainda executou números como “Sister of Charity”, “Lost Boys” e seu “hit”, “Brandon Lee”. Um show bem convincente de uma banda que se tivesse sido mais trabalhada antes do festival certamente seria recebida de maneira mais calorosa. Um nome a ser acompanhado, porque os caras são bons.

Um dos nomes cogitados para o “cast” mas que acabou não sendo confirmado foi o do quinteto norte americano Testament, que cancelou sua apresentação por problemas de agenda e de formação (a banda não conseguiu reunir seu “line-up” clássico para a turnê brasileira), mas a produção deu uma bola dentro ao colocar o Destruction como substituto, pois Schimier(baixo), Mike(guitarra) e Tommy (bateria) puseram o Canindé abaixo com doses letais de “thrash” metal. Divulgando seu mais recente CD, “Inventor of Evil”, a banda arrasou: “Curse of the Gods” e “Nailed to the Cross” iniciaram o massacre, enquanto que “Mad Butcher” (aonde Schmier chamou São Paulo de a “capital do heavy metal”), a nova e excelente “Soul Collector” e a clássica “Thrash Till Death” agitaram a platéia, embora o calor ainda fosse forte e poucas rodas fossem abertas. A banda prosseguiu com “Live Without Sense”, e “Eternal Ban” quando aconteceu um caso inusitado: Schmier e asseclas saíram do palco para um “bis”, mas a produção entendeu que o show havia terminado, colocando som mecânico. A banda volta, o som é reativado e Schmier pede que todos olhem para trás, visualizando a torre de som, aonde o engenheiro mandava um suave cumprimento para os produtores. Não precisa dizer que o show estava ganho, e que “Total Disaster” e “Bestial Invasion” foram executadas com garra. Um Schmier mais vermelho do que um tomate se despediu da galera, e eu pensando comigo “que destruição”...

“Hey São Paulo, are you ready for some Rage?”. Foi o grito que Mike Terrana deu ao subir a bateria, mostrando a todos que o trio alemão/russo/americano Rage começava seu show. Uma banda que é considerada “cult”, mas que depois deste evento, ganhou vários fãs, com um show massacrante e tecnicamente perfeito (embora o som estivesse um tanto embolado, coisa que marcou os primeiros shows). “Don´t Fear the Winter”, “Great Old Ones” e um “medley” de “Firestorm” e “Solitary Man” arrancaram aplausos e urros da platéia, que se via embasbacada diante do talento dos caras. O show seguiu com “Black in Mind” e “Down”, para então o guitarrista Victor Smolski demonstrar seu talento e habilidade num solo completo: virtuoso, técnico, rockeiro e empolgante (arriscando até uns trechos de “Eruption” do Van Halen), durante quase quatro minutos. O massacre continuou com “Soundchaser”, “Set This World on Fire” e o solo de Terrana, destruidor. A banda ainda mostrou muito entrosamento no instrumental “Orgy of Destruction”, que precedeu a excelente “War of Worlds”.

Peter “Peavy” Wagner é um grande “frontman”, além de um baixista competente, e esbanjava seu carisma e respeito pelo público, dando-se ao luxo de ensinar os presentes a cantar o refrão de “Higher than The Sky”, que encerrou o show de maneira sublime. Um grande show, uma banda que saiu consagrada... não sei porque as barracas de “merchandise” tiveram um significativo aumento na venda de camisetas do Rage depois das 18hs...

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O Shaaman já é conhecido do público paulista e duvido que cada um dos presentes não tenha visto um show deste quarteto pelo menos uma vez. Logo não foi surpresa quando a “intro” ao estilo “Matrix” começou a rolar nos telões do Live N'Louder (que só ao cair da noite foram acionados), dando seqüência a “Turn Away” e “Distant Thunder”, já conhecidas da galera, que cantava todas as músicas em uníssono. “For Tomorrow” e “Time Will Come” deram o aspecto previsível do show, já que o Shaaman está em turnê, com um “set” constante e conhecido. Mas a banda deu uma bola dentro ao chamar o violinista Marcos Viana para participar do “cover” “More” (Sisters of Mercy) e da balada “Innocence”. “Pride” e “Lisbon”, do Angra, encerraram um show competente e conciso. A lamentar só a infeliz declaração do vocalista Andre Matos, que se dizia feliz por poder tocar “com status de banda grande”. Péssima escolha das palavras... no mais, o show competente de sempre, aclamado e aplaudido pelo público.

Passavam das 20 horas e o nervosismo tomava conta dos presentes, já que era a vez dos finlandeses do Nightwish. A banda, que estourou mundialmente com o CD “Once”, era talvez a mais aguardada do festival, e a entrada às 20h25 com “Dark Chest of Wonders” e “Planet Hell” foi simplesmente avassaladora. Gritos foram ouvidos por todos os lados quando a vocalista Tarja Turunen, com um belo vestido amarelo (agora demissionária) adentrou o palco. A banda se mostrou muito mais entrosada do que em 2004, quando esteve no Brasil para uma turnê, com Tarja agitando bem mais e Marco Heitala (baixo) aparecendo como bom vocalista e um excelente “frontman”. “Everdream”, “Kinslayer” e “Phantom of the Opera” empolgaram os presentes, que cantavam cada verso dito por Tarja.

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Uma pausa para agradecimentos e a banda emenda “The Siren” e “Sleeping Sun”. Tarja deixa o palco e Marco assume os vocais para uma excelente e surpreendente versão de “High Hopes” (Pink Floyd), que ficou bem ao estilo do Nightiwish: pesada e melancólica. Tarja volta para “Wishmaster” (com uma palhinha de “The Trooper, a cargo do guitarrista Emppu) e “Slaying the Dreamer” (de “Century Child”) e canta sózinha “Kuolen Tekes Tattellan” (precisa dizer que foi em finlandês?), para delírio do público, aplausos constantes e uma vocalista emocionada, quase chorando. O “hit” “Nemo” é executado, cantado por todos, além de “Ghost Love Score” (aonde Tarja apareceu toda de branco, como fez em vários shows na Europa) e outro “hit” de “Once”, “Wish I Had an Angel”, que fechou o show, e para muitos encerrou o festival, já que uma considerável quantidade de fãs deixaram o estádio. Mal sabiam que ainda havia um massacre os esperando, e que eles iriam deixar passar...

O Scorpions era a grande incógnita do festival. Após um bom período de CD´s experimentais, a banda voltou ao hard com o bom “Unbreakable”, mas muitos questionavam se os alemães poderiam ocupar o posto de “headliner”. Com um palco muito bem colocado (logo no fundo, e tapumes com a capa do novo CD nas laterais) a banda entrou com tudo próxima das 23 horas com as novas “New Generation” e “Love´em and Leave´em”, para jogar na cara dos paulistas dois clássicos de uma vez só: “Bad Boys Running Wild” e “The Zoo” (juro que vi várias guitarras imaginárias sendo tocadas neste momento).

Uma música antiga (da era Uli Jon Roth), “We´ll Burn the Sky” é executada com perfeição, para dar lugar a mais um som novo: a excelente “Deep and Dark”. A “performance” dos caras beirava a insanidade: Klaus Meine nem parece um quase sesentão, com um vocal forte e afinado, e Rudolph Schenker parecia estar em 1985 no Rock in Rio, de tanto que agitava e pulava. A dobradinha “Coast to Coast” e “Holiday” funcionou perfeitamente, assim com a lindíssima balada “Wind of Change” (cantada por todos – nesta hora o Canindé tinha um dono). A sequência seguinte foi matadora: “Loving You Sunday Morning”, “Tease Me, Please Me” (com os solos seguros de Mathias Jabs e o baterista James Kottak dobrando as vozes de Klaus com maestria) e um solo de bateria matador a cargo do maluco de carteirinha James Kottak, que misturou técnica, agito e inteiração com o público.

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Era hora de enlouquecer o já insano público presente, e “Blackout” foi executada, além da nova “Blood Too Hot” (como esse novo CD é bom), além da maravilhosa “Hit Between the Eyes”. O público já cansado pela maratona de quase 11 horas ainda buscou forças do fundo do corpo para cantar “Big City Nights” (com a famosa parte que une público e banda”, com a banda saindo do palco para o bis.

Na volta, o mega-sucesso “Still Loving You” e “Rock You Like a Hurricane”. Uma banda fantástica, renovada com a entrada de Pawel Maciwoda no baixo, que se mostra mais do que um músico contratado, sendo um verdadeiro agitador de massas. Para fechar, uma suave “When the Smoke is Going Down”, com a Flying V acústica de Rudolph. Um showzaço, digno de encerrar o festival de maneira apoteótica.

Depois de 13 horas de rock e metal, o que posso dizer? Cansado, exausto, abatido mas como todos os presentes, satisfeito. Uma boa idéia, um festival que funcionou, mas que precisa ter seus erros corrigidos, pois mudança de preços nas bebidas durante os shows, filas para alimentação e truculência dos seguranças não combinaram com a elegância dos shows apresentados. Até 2006, pois o Live N'Louder veio para ficar.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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