Whitesnake e Judas Priest: Grandes nomes do Metal e Hard

Resenha - Whitesnake e Judas Priest (Claro Hall, Rio de Janeiro, 08/09/2005)

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Por Rafael Carnovale
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Ninguém poderá reclamar que 2005 está sendo um ano pobre na quantidade e qualidade de shows que têm acontecido em nossas terras. Esta turnê do Judas Priest(com a volta de Rob Halford – “The Metal God”), tendo o Whitesnake (em uma de suas enésimas formações) é uma prova cabal desta afirmação. Desde o início do ano anunciado por todos os lados, inicialmente apenas como uma turnê do Judas, depois com a adição de David Coverdale e asseclas, estes shows passaram a ser o xodó dos fãs de rock/heavy metal, pois seriam a chance de conferir, numa tacada só, um dos grandes nomes do heavy metal, e um dos grandes nomes do hard-rock, ambos com atrativos fantásticos e prometendo um grande espetáculo.

Fotos gentilmente cedidas por
Rodrigo Costela

A COBRA FUMOU...
E O PADRE ENSINOU A REZAR!

E o público não decepcionou. Cerca de 6000 fãs compareceram a um Claro Hall, que desde já afirmo ser uma das melhores casas de shows do Brasil, para conferirem o espetáculo. A platéia era eclética: desde fãs mais antigos e suas jaquetas de couro cheirando a naftalina (brincadeira) até os fãs mais recentes, convertidos ao som pesado pelo “boom” de bandas de metal melódico, ou pela MTV (quando esta ainda passava som pesado em sua programação).

Filas ainda se formavam na entrada da casa, quando as 21:00 as luzes se apagaram e foi revelado o palco do Whitesnake, com um grande pano de fundo com o logo e nome da banda. David Coverdale, Reb Beach e Doug Aldrich (guitarras), Thimoty Dhury (teclados), Uriah Duffy (baixo) e Tommy Aldridge (bateria), entraram em cena detonando de cara um dos clássicos do rock: “Burn”. Dizer que o público enlouqueceu e que pessoas entraram em transe tocando guitarras imaginárias seria repetir o óbvio. Para fazer as partes originalmente cantadas por Gleen Hughes, David e Reb se revezaram em vocalizações conjuntas. Depois da catarse, a paulada: “Bad Boys” e o “mega-hit” “Love Ain´t no Stranger”. A galera estava nas mãos de Coverdale, que se não tem a mesma voz dos anos 80, está bem melhor do que sua última visita ao país (1997), e usa como poucos os excelentes backings de Reb, Uriah e Timothy.

E não havia espaço para respirar: “Slow and Easy”, emendada com “Crying in the Rain”, cortada por um excelente solo de bateria de Tommy Aldridge (alguém lembra da “performance” dele em 1985 no Rock in Rio quando tocou com Ozzy Osbourne?). Em seqüência “Give me All Your Love”, cortada por um solo competentíssimo de Doug (porque Reb sola tão pouco?).
David aproveita a deixa e apresenta a banda, mostrando que tem o público nas mãos (poucos esquecerão de sua reação quando uma camiseta com a capa do CD “Burn” do Deep Purple foi jogada no palco), emendando “Is This Love”, “Here We Go Again” e o fechamento em grandíssimo estilo com “Still of the Night”. Reclamações? Pouco tempo de show, apenas uma hora. Mas a banda simplesmente detonou... mais que um show, um massacre!

Sobrava uma tarefa árdua para o Judas Priest, que promovia seu recém lançado CD “Angel of Retribution”: fazer um show que realmente fosse capaz de pelo menos se equiparar ao massacre hard do Whitesnake. Para tal a banda não poupou trabalho: trouxe seu palco completo, com escadarias, elevados, plataformas, e panos de fundo. Um jogo que começaria a ser ganho neste momento,não fossem fatos que relatarei abaixo.

Não demorou muito para as luzes se apagarem e a banda entrar no palco com “The Hellion” sendo executada. “Eletric Eye” inicia o show e ver KK. Downing, Gleen Tipton, Ian Hill e Scott Travis em suas poses clásssicas já era por si só um momento mágico. Rob sairia de trás do pano de fundo (com o olho da capa do DVD “Eletric Eye”) e rapidamente sumiria, re-aparecendo numa plataforma lateral. “Metal Gods” e “Ridding With the Wind” deram continuidade ao show, com uma banda competente, mas burocrática (em alguns momentos parecia que eles estavam apenas suando a camisa em mais um dia de trabalho). “Touch of Evil” (com derrapadas de Rob no vocal) e as novas “Judas is Rising” (com Rob num platô que se elevava acima da bateria) e “Revolution” ficaram bem legais ao vivo, mas a platéia as recebeu de modo um tanto quanto frio. Faltava alguma coisa, embora musicalmente a banda estivesse em grande forma.

Faltava uma paulada: “Breaking the Law”. Neste momento não houve quem cantasse a letra toda, e delirasse com Rob, Gleen e KK em sua tradicional coreografia. “I´m a Rocker” foi a surpresa e “Diamonds em Rust” a decepção: fria e cansativa, a versão acústica contou com pífios vocais de Rob (que realmente demonstra sinais de cansaço, mas dá o sangue em suas vocalizações).

Lembrando que um novo CD estava nas lojas (ao contrário do Whitesnake, que não lançou nada a não ser um “best of”), “Deal With the Devil” é executada, soando muito bem ao vivo. Uma boa versão de “Beyond the Realms of Death” abre espaço para “Turbo Lover” (um dos pontos altos do show). Mais uma música nova é executada, “Hellrider”, e depois seguem-se clássicos atrás de clássicos: “Victim of Changes”, “Exciter” e “Painkiller” (aonde Rob falhou por demais, deixando em dúvida se esta música deveria mesmo ter sido executada).

Mesmo sendo um grande show, com uma banda que sabe exatamente o que fazer no palco, faltou um pouco da garra mostrada em 2002, ou mesmo no Rock in Rio de 1991. Mas a verdade é que o tempo passou, e pelo menos os caras ainda sabem fazer um show. Prova disso foi “Hell Bent for Leather” e a cena que marcará esta turnê para sempre: como de costume Rob entrou com a moto e seu visual característico. Um fã invadiu o palco e ficou de joelhos, saudando o “Metal God”, enquanto que Rob fazia continuamente o sinal do metal para o extasiado fã. Uma cena que fez explodirem aplausos por todo lado... até o pobre fã ser retirado. A empolgação voltou com tudo no final apoteótico com “Living After Midnight” e “You´ve Got Another Thing Coming” (com direito a Rob com bandeira do Brasil e tudo). Os músicos se despedem, após duas horas de um bom show, mas com altos e baixos que não podem ser esquecidos.

No final a sensação de que vimos dois grandes momentos: um Whitesnake sedento por tocar ao vivo e que ainda consegue soar relevante mesmo após tantos anos, e o Judas Priest com seu show tradicional, fazendo o arroz com feijão de sempre, mas convenhamos... os caras sabem como agitar. Um arregaço, do começo ao fim.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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