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Premiata Forneria Marconi (Credicard Hall, São Paulo, 01/07/05)

Por Sérgio Alpendre | Em 14/07/05
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No início, o bate-papo é atualizado. Bom encontrar amigos e aguardar com eles um show há muito esperado. A graça do reencontro subitamente é acrescida da emoção de ver os dinossauros no palco. Di Cioccio, Djivas e Mussida, rodeados por três calvos integrantes, entre eles o ótimo violinista Lucio Fabri. Flavio Premoli, infelizmente, não pôde vir, e os erros cometidos pelo tecladista substituto devem ser perdoados. Afinal, queremos máquinas ou humanos tocando? Erros em shows são bem-vindos, dão um calor especial à noite. Ainda mais se for de um músico que teve de substituir um dos mais idolatrados membros da banda.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fotos de Toni de G

Franco Mussida, camiseta preta de manga longa, alto e tímido, começa a dedilhar em seu violão. A melodia deixou-me um tanto anestesiado, e logo reconheço “Appena um Po’”, a faixa que abre Per um Amico, bela canção, seguida da faixa título do mesmo disco. Um alívio: eles resolveram cantar em italiano, esquecendo (exceto nas faixas da fase Lanzetti) aquele inglês Massarella típico de Photos of Ghosts. Faixas antigas convivem muito bem com as mais novas. Destas, a melhor é “La Rivoluzione”, belíssima faixa de Serendipity, álbum de 2000, o último de estúdio da banda. Uma execução animada e bem suingada, com Di Cioccio empolgado e empolgando a platéia.

Franco Mussida está com artrite, e em certo momento pede ao tecladista que estique seus dedos. Mesmo assim, arrasa nos momentos mais agitados, e comove nos mais líricos. Seu domínio do violão clássico leva-nos às lágrimas, menos pela habilidade, maculada pelos problemas de não ser mais jovem, do que por uma imensa noção de tempo e uma infindável sensibilidade. Atrasando a entrada de sua voz, cantando fora de tom algumas passagens que eram da responsabilidade do ausente Premoli, lembrando nomes de jogadores brasileiros que atuam no Milan, Mussida brilha, um pouco por sabermos o quanto ele fez no passado, e o quanto de história da boa música tem debaixo daqueles cabelos brancos. Mas brilha também por puxar as mais belas melodias em sua guitarra chorosa (algo entre Gilmour e Hackett, mas um tanto mais improvisado que os dois).

“Il Banchetto”, que já vinha recebendo um arranjo meio bossa desde o retorno da banda nos anos 90, tem os elementos de Bossa Nova ainda mais evidentes. Basta comparar a execução mais fria do famoso DVD no Japão em 2002 com a do show de sexta, com um pouco de brasilidade a mais. Curiosa melodia, com um arranjo à altura. É um dos momentos altos do show. Assim como as canções de Chocolate Kings, onde mesmo com Di Cioccio imitando o Lanzetti, que imitava o Peter Gabriel, dá pra se empolgar com o esmero técnico dos músicos. Tanto “Out of the Roundabout” - uma maravilha que nem Lanzetti, em sua época, conseguiu diminuir - quanto “Harlequin” mereceram os aplausos entusiasmados da platéia.

“Dolcissima Maria” obviamente foi um dos momentos mais festejados. Mas o arranjo que a tornou mais lenta e um tanto melosa a prejudicou. O mesmo aconteceu com “Dove...Quando”, antecipada por alguém na platéia (algumas pessoas adoram mostrar que conhecem o repertório dos shows – prova de infantilidade compulsiva), e cantada de maneira bem mais lenta do que na versão original. E mais lenta, salvo engano, que no show do Japão. Deslizes menores, que não comprometem o show.

O início piegas toda vida de “Suonare Suonare” ameaça embalsamar tudo. Mas na metade da música, a ordem é reestabelecida, e o açucar é cortado pela pegada jazz-rock virulenta, com perfeita simbiose entre baixo/batera e guitarra. “Maestro della Voce”, canção do mesmo álbum, o irregular Suonare Suonare (do qual fez falta a maluca “Si Puo Fare”), foi anunciada como a homenagem a Demetrio Stratos, exímio vocalista da banda Area, falecido um ano antes do lançamento do disco (1980). Di Cioccio, como vocalista, está a milhas de distância de Stratos, mas a homenagem foi muito bem executada.

“Luna Nuova” foi o momento esperado de extrapolação sinfônica, que causou até um comentário bufo do amigo e editor Bento. Moog correndo solto, platéia alucinada: voltamos, por alguns momentos, ao ano de 1974. Fizeram falta no repertório “Generale”, L’Isola di Niente” e “Via Lumiere”. Mas o bis veio com as esperadas “Impressioni di Setembre”, com o crescendo mais belo do rock progressivo e “E Festa”, na qual Di Cioccio mostrou sua faceta entertainer. No final, fotos com os figuras, autógrafos, e a certeza de ter visto um belíssimo show. Certamente é o tesão que move essa banda, não o dinheiro. Apesar de ser difícil saber ao certo em que medida esses dois ingredientes estão presentes, nota-se que, para os velhinhos do Premiata Forneria Marconi, a música é vital. Uma celebração.

Agradecimentos: Bento - Poeira Zine

www.diaderock.com.br: Veja as fotos de quem foi no show e compartilhe as suas.

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