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WASP (Via Funchal, São Paulo, 04/06/05)

Por Otávio Augusto Juliano | Em 04/06/05
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Fotos: Pepe Brandão

Foram mais de 20 anos de espera por uma apresentação do W.A.S.P. em solo brasileiro e, por esse motivo, o público parecia não se agüentar de tanta ansiedade, mesmo tendo algumas bandas de abertura para entretê-lo nesse período de expectativa inicial pelo primeiro show da banda no país.

Electric Funeral abriu o festival, interpretando clássicos do Black Sabbath de forma muito fiel às versões originais, tendo Vitão Bonesso como baterista. Na seqüência, a banda de Death Metal Vader veio com força total, executando suas canções com muita garra e no volume máximo. Para fechar seu setlist, um cover espetacular de “Raining Blood”, do Slayer. O público delirou.

Como terceira atração, Andreas Kisser e seus convidados foram responsáveis por esquentar a platéia com músicas de Led Zeppelin, Deep Purple e outros. No entanto, não foi bem isso que aconteceu. O show foi repentinamente cortado por aquele que parecia ser o manager do W.A.S.P. Não houve tempo nem para um agradecimento sequer por parte de Andreas.

Iniciava-se então um longo caminho até o acerto dos instrumentos e microfones que seriam utilizados por Blackie Lawless e sua turma. Roadies discutindo, platéia na expectativa e uma tensão incrível para que tudo saísse como o esperado.

Enfim, após breve introdução, os primeiros acordes de “On Your Knees” foram executados, dando início a um medley que incluiria ainda “Inside The Electric Circus”. Após esse início arrebatador, Blackie Lawless então cumprimentou o público, perguntando como todos estavam se sentindo. Satisfeitos, é claro.

“L.O.V.E. Machine” foi a próxima. Muito bem executada e, a essa altura, com um vocal bem melhor acertado do que no início do espetáculo. A seqüência de clássicos teve continuidade com “Wild Child” e “Animal (Fuck Like a Beast)”, ambas cantadas em uníssono por todos. A empolgação era tão grande que apesar da lotação não estar esgotada (havia alguns espaços nos cantos da pista e na parte do fundo), ficava a impressão de casa cheia, pois todos cantavam juntos, com braços levantados e espremidos cada vez mais em direção à grade frontal.

Dando continuidade, “The Headless Children” e “The Idol”. Nessa última, Darrel Roberts acabou se alongando um pouco mais nos solos de guitarra, mostrando uma técnica acima da média e uma enorme capacidade de improviso. Em seguida, uma grata surpresa: “Kill Your Pretty Face”. Música do álbum não tão aclamado Kill Fuck Die, cuja idéia foi bastante experimental e totalmente diferente de tudo que o W.A.S.P. já tinha feito antes. Tenho certeza de que 99,9% das pessoas que lá estavam não esperavam por esta canção no repertório. Por outro lado, garanto que 100% delas curtiu demais essa música, pois durante sua execução todas as luzes se apagaram, Blackie subiu no seu pedestal de caveira que apoiava o microfone e, utilizando-se de algo como um creme colorido e um jogo de iluminação muito interessante, cantou a maior parte da música com braços e rosto da cor verde fluorescente. Algo realmente assustador, que se fosse visto na televisão certamente espantaria todas as crianças da sala.

Para fechar essa primeira parte do setlist, as não menos aclamadas “The Real Me” e “I Wanna Be Somebody” foram tocadas, capazes de deixar qualquer um inquieto. Um “goodbye” gritado por Lawless e todos se retiraram do palco. O público, ávido por mais Hard Rock, ficou aguardando a volta do grupo. E ela ocorreu. Com “Sleeping In The Fire”, clássica balada da banda. Importante destacar ainda que durante a apresentação, Blackie Lawless levou o público à loucura em dois momentos em especial: quando, valendo-se de um pequeno machado, dilacerou um pedaço grande de carne, jogando as fatias e restos para a platéia; e quando bebeu sangue por intermédio de uma caveira, cenas que certamente fizeram com que todos revivessem os saudosos shows dos anos 80.

Como não podia deixar de ser, “Blind In Texas” foi a última música tocada. Blackie Lawless subiu novamente no pedestal e comandou o público de lá mesmo, modificando o refrão para “I`m blind in São Paulo” em alguns momentos, o que “encheu” os olhos (e ouvidos) de todos os “convidados” para essa festa de muito sangue e Hard Rock.

Os pontos negativos ficaram por conta do setlist curto (quase todos sentiram a falta de “Hellion” e “Chainsaw Charlie” no repertório) e da produção, que realmente deixou a desejar na organização dos shows de abertura e no acerto dos instrumentos. Mas nada que tenha ofuscado essa primeira (e espero que não a última) passagem do W.A.S.P. pelo Brasil.

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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