Resenha - Relespública (Motorrad, Curitiba, 18/12/2004)

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Por Fernando De Santis
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Fotos: Milena Liz

Em meu último dia de férias em Curitiba, fui convidado a ir ao bar Motorrad, conferir o show de duas bandas locais: Relespública, que já é mais conhecida pelo Brasil, por ter vídeos passando na MTV e músicas tocando em rádios e a desconhecida, mas não menos interessante, Faichecleres. Eu já conhecia o bar Motorrad de outras visitas, é um local pequeno, com palco bem baixo, bar barato, porém muito agradável.

Para minha surpresa, quem acabou abrindo a apresentação naquela noite foi o Relespública. Formado por Fabio Elias (guitarra e voz), Moon (bateria) e Ricardo Bastos (baixo e voz), o Reles faz um rock n’ roll bem básico e “simples”, porém muito empolgante. A apresentação começou com “Boatos de Bar”, que inclusive no disco conta com a participação especial de Nasi (Ira!). “A Fumaça é Melhor Que o Ar” veio na seqüência, contagiando o pessoal que se apertava e se acotovelava enquanto dançava. A verdade é que esses shows de Rock - MOD são meio que contagiantes, era meio difícil ficar de braços cruzados, simplesmente analisando a apresentação. Quando eu percebi, já estava com uma garrafa de cerveja na mão e dançando junto ao pessoal. Lá pela música “O Camburão”, Fabio começou a ter problemas com o microfone, ficando “mudo” para o público. Porém isso não foi problema, a galera cantava verso a verso, fazendo o papel de vocalista. Ao final da música, o próprio Fabio foi até a mesa e solucionou o problema.

“Nunca Mais”, um dos hits da banda, que tem vídeo clipe, foi um dos momentos altos da apresentação. Dava até para ver que uns fãs até tinham coreografia para os versos da ponte e do refrão. O cover de “Shout” esquentou mais ainda o pessoal que tinha dificuldades em aplaudir, por ter sempre um copo de algo alcoólico em uma das mãos. Após alguns outros covers e algumas músicas próprias, foi tocada a empolgante “Notícias”, que também está no disco “As Histórias São Iguais”. Então foi chamado ao palco Charles, ex-vocalista do Faichecleres, que tempos atrás sofrera um acidente de carro e ficou com a fala comprometida. Charles subiu para cantar o cover de “A Hard Day’s Night” (precisa falar que é dos Beatles?) e logo na seqüência acabou cantando outro hit do Reles, “Garoa e Solidão”, que também tem vídeo clipe rolando na MTV. Foi de arrepiar... um final fantástico, para uma apresentação muito divertida e contagiante (já usei esse adjetivo de “contagiante” algumas vezes, mas acho que é assim que se define o show do Relespublica).

Alguns minutos se passaram e o trio dos “Faichecleres” já estava no palco, abrindo a apresentação com “Aninha Sem Tesão”. O Faichecleres é formado por Giovanni (baixo e voz), Marcos (guitarra) e Tuba (bateria). O estilo desse trio curitibano também poderia ser definido simplesmente como “Rock n’ Roll”, mas eles ainda carregam um certo teor de irreverência e porque não dizer, uma certa dose de “espírito cafajeste” nas letras. Eu já tinha visto duas apresentações (ou uma e meia) dessa banda e fiquei impressionado com a fidelidade do público, mesmo sendo um grupo relativamente “desconhecido”. Mais uma vez me senti contagiado com o Rock básico, mas muito eficiente desse trio e me vi dançando ao som de pérolas como “Metida Demais” ou “Ela Só Quer Me Ter”. Lá pelas tantas, tamanha a diversão que eles passam, até levei um escorregão dançando no piso molhado e senti uma certa dor no pé esquerdo.

Com algumas pausas para falar com o pessoal que já estava meio alto ou para trocar uma ou outra corda de guitarra quebrada, os músicos mostravam muita presença e carisma. “A Boca Dela” foi talvez o ápice da apresentação. Vale destacar a presença insana do baterista Tuba. Nunca vi alguém tocar assim, gritando o tempo todo, socando a bateria, é um show à parte! Em determinado momento, Tuba gritou: “Essa é pra ti oh tetuda!” (geralmente o grito é “Essa é pra ti oh puta!”), e começou a faixa “Lado B”. No final do show a banda ainda apresentou “Santa Rock n’ Roll” que fez os presentes cantarem com muita vontade, mesmo já sendo quase início de manhã.

Sai do bar Motorrad com o domingo já amanhecendo... o saldo foi positivo: muita diversão, rock n’ roll dos bons, uma lição de como deve ser um público, apoiando as bandas locais, uma conta no bar relativamente alta e um pé esquerdo fraturado (pois é, o escorregão ainda me rendeu essa “lembrança”). Uma noite de Rock n’ Roll perfeita!

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Sobre Fernando De Santis

Paulistano, nascido em 1979, Fernando De Santis passa grande parte do seu tempo viajando entre São Paulo, Santos e Curitiba. Nas horas de viagens dentro de ônibus ou aviões, costuma ouvir Hard Rock, Heavy Metal e demos de qualquer estilo. Atualmente trabalha como webdesigner para o Estado de São Paulo. Mantém o site "We Burn", dedicado ao Helloween desde 1998, que nunca lhe trouxe nenhum dinheiro, mas rendeu muito amigos.

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