Resenha - Brazil Rock Stars (Kazebre Rock Bar, 23/07/2004)

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Por Carlos Eduardo Corrales
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Matéria originalmente publicada no site
DELFOS – Diversão e Cultura
http://delfos.zip.net

Nunca tinha ido ao Kazebre, mas havia ouvido muito de ruim sobre a casa. Localização, público, conforto... parecia que tudo relacionado ao bar era ruim. Resolvi aproveitar a apresentação do Brazil Rock Stars para conferir.

Em uma das noites mais frias que já presenciei (devia ser ilegal fazer tanto frio), a primeira coisa que incomodou foi mesmo a localização, no extremo leste da cidade, um lugar completamente isolado e praticamente impossível de ir sem carro. A entrada é feia, o estacionamento idem, mas pelo menos é organizado, tendo funcionários da casa guiando os clientes durante todo o (longo) trajeto do estacionamento.

Ao entrar no lugar, contudo, que surpresa. Logo de cara, vejo uma bela cachoeira, cabaninhas de madeira e tal. Realmente não entendi porque falam tanto que o lugar é ruim, pois é bem bonito e agradável. O palco é legal e bem iluminado e o som é bom. Mas tem dois grandes problemas, que se unidos se tornam muito piores: o público e a falta de uma área para imprensa.

O público é daqueles extremamente mal educados, que fica empurrando para passar, mesmo quando não tem espaço e não pára de abrir aquelas rodinhas pentelhas. Porém, ao contrário dos shows de Metal, onde só entra na rodinha quem quiser e é apenas um lugar onde as pessoas ficam pulando, aqui as rodinhas abrem em todo lugar e tem vários idiotas que ficam dando socos e chutes, se achando os “roqueiros revoltados da Rede Globo”. Agora se isso já seria ruim se eu tivesse ido ao show apenas por diversão, imagina tentar fazer anotações para uma boa resenha, enquanto você tem que lutar para se manter em pé e ficar constantemente se defendendo de babacas que ainda não sacaram que o Rock/Heavy Metal é um estilo “do bem”? Daí o problema da falta de uma área para a imprensa, pois, tamanha foi a dificuldade de eu trabalhar, que isso afetou diretamente minha opinião sobre o show.

Quando chegamos, a banda de abertura, o Laguna estava terminando sua apresentação. “Esta é a nossa saideira”, disse o vocalista e mandaram uma cover dos Beatles. Não era, ainda tocaram mais duas saideiras depois dessa, todas anunciadas como a última música. Porque fazer isso foi algo que não entendi, mas deve haver algum motivo na cabeça da banda para tal.

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Pouco depois da banda deixar o palco, o apresentador vem e anuncia que daqui a pouco teremos o Brazil Rock Stars, com uma constelação de convidados, que incluía Andre Matos (Shaman, ex-Angra) e Derrick Green (Sepultura). A galera delirou, pois estes eram convidados não anunciados na divulgação da festa.

Alguns minutos se passaram e a fantastiquíssima e cabulosa Burn, do Deep Purple foi iniciada. “Começou bem”, pensei com meus botões. Contudo, alguns segundos depois, o vocalista abre a boca. Meu deus! O cara conseguiu arruinar Burn! Tudo bem que cantar David Coverdale não é para qualquer um, mas para chegar ao ponto de arruinar uma das músicas mais legais da história do Rock é vergonhoso.

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Outra do Deep Purple, Strange Kind Of Woman, ficou bem mais legal. Com a entrada de um outro vocalista, fizeram um dueto que acabou se mostrando uma das partes mais legais da noite.

Então anunciam o primeiro convidado, Theo Werneck e, com ele, tocam mais algumas músicas. Entre elas, Crosstown Traffic, do Jimi Hendrix, também tocada pelo Living Colour, em sua última passagem pelas nossas terras (leia aqui).

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Então começam os inevitáveis solos. Quem acompanha o DELFOS, sabe a nossa opinião sobre eles, mas nesse caso eles exageraram. Primeiro foi um longuíssimo solo de bateria. Depois veio um de teclado (com o batera acompanhando). O público até estava empolgado com os solos, mas eu sempre me pergunto se eles não ficariam igualmente empolgados se o cara começasse a xingar a platéia (como tantos já fizeram) ou algo do tipo. Indago também se essa empolgação seria mantida caso eles soubesses que aquelas duas ou três músicas que sempre faltam no set (para um fã) foram exatamente as que foram limadas para que o solo se encaixasse no tempo de show.

Solos terminados, mais um convidado: Márcio Sanches, guitarrista do Queen Cover (leia nossas entrevistas exclusivas com o cara aqui e aqui) sobe ao palco e eles mandam aquela versão legal de We Will Rock You (sim, você entendeu certo, eu não gosto da versão original da música, que tem apenas bateria e vocal). Terminada a música, chamam Andre Matos e tocam Tie Your Mother Down, com um vocal abaixo da média de Andre, cuja voz não se encaixou tão bem na música. Márcio deixa o palco, enquanto Andre e o pessoal mandam Perfect Strangers, do Purple.

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Pouco depois, Bruno, que faz o personagem Detonator, vocalista do Massacration, é chamado e sobe ao palco com uma inexplicável cara de mau, já que não estava encarnando o personagem. Outro que sobre ao palco é Paulo Jr., do Sepultura. Mandam juntos Sabbath Bloody Sabbath, sem que Bruno abrisse mão de sua cara de mau em nenhum momento. Pouco depois, outro Sepultura, Igor Cavalera se junta à turma.

Uma pausa para o bis e voltam com o vocalista que arruinou Burn, para mandarem a ótima Kill The King, clássico do Rainbow, também arruinada pelo vocalista, que, em seus esforços para conseguir arruinar o maior número de clássicos possível, nem sequer cantou o refrão inteiro, dizendo apenas o nome da música e ignorando o “Strike him down”, por exemplo.

Chamam de volta, então, toda a galera que participou, menos o Márcio Sanches e o Andre Matos e tocam juntos a saideira Black Night (não precisa falar de quem, espero), que foi muito bem recebida e fez todos os presentes cantarem sua melodia juntos.

O show termina (durou duas horas e meia) e onde está Derrick Green? O apresentador volta ao palco dizendo que ele teve que ir embora (teve mesmo ou era uma desculpa do cara para evitar o vexame de ter anunciado errado?) e que a banda ia voltar para mais músicas. A galera ficou esperando, gritando, chamando pela banda e nada... Uma atitude deprimente da organização da casa que, não satisfeita em anunciar participações que não aconteceriam, decidiu inventar qualquer besteira para as pessoas continuarem no lugar, consumindo, na esperança de ouvir mais algumas músicas.

No geral, me pareceu um show onde os músicos se divertiram mais que o público, pois este parecia mais preocupado em arranjar brigas do que qualquer outra coisa. Mas não posso falar pelas outras pessoas, posso falar apenas por mim e digo que este Brazil Rock Stars deixou muito a desejar. A julgar pelas participações especiais que teve nesse dia, deveria ter sido muito melhor. Foi realmente uma bela oportunidade de fazer um show especial jogada fora em um setlist mal escolhido e com um excesso de solos individuais.

Quanto ao Kazebre, o lugar é muito melhor e tem muito mais estrutura do que eu esperava. Resta a eles colocar um chiqueirinho na frente do palco para as fotos saírem boas e os fotógrafos não ficarem com medo de terem suas câmeras arrebentadas nas porradarias (afinal, o palco é super bom, nem parece palco de bar) e/ou um lugar para que a imprensa possa fazer o trabalho com um maior conforto e, conseqüentemente, maior qualidade. Quem sabe na próxima vez.

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Sobre Carlos Eduardo Corrales

Carlos Eduardo Corrales é jornalista e fotógrafo há oito anos. É editor-chefe do Delfos - www.delfos.jor.br - o maior site nerd de jornalismo parcial reflexivo humorístico do mundo. Sua principal característica é não levar nada a sério, até mesmo quando fala sério. A única exceção, claro, são os ensinamentos do Deus Metal. Com esse ele não brinca, pois não quer que o Vento Preto venha tirar satisfação.

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