Resenha - SP Metal (Blackmore, São Paulo, 30/06/2004)

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Por Bruno Sanchez
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Fotos: Carlos Eduardo Corrales

Matéria originalmente publicada no site
DELFOS – DIVERSÃO E CULTURA
http://delfos.zip.net

Nostalgia total! Esse era o clima da noite de sábado no, já tradicional, Blackmore Rock Bar, para a apresentação de dois grandes ícones da história do Heavy Metal brasileiro nos anos 80: Harppia e Centúrias.

Ambas são pioneiras do Heavy Brazuca pois começaram as suas atividades nos anos 80, antes ainda do primeiro Rock in Rio (1985), e têm muitas características em comum, como as letras em português, alguns integrantes que tocaram com as duas formações e o fato de tocarem o mais puro e tradicional Heavy Metal, sem os rótulos (Thrash, Death, Black...) que conhecemos hoje em dia para o estilo.

O Blackmore recebeu um bom público para esta apresentação, e aliás, vale destacar que era um pessoal bem heterogêneo. Você podia encontrar desde os tradicionais headbangers dos anos 80 (que ou estavam com suas jaquetas jeans, calcas de couro e cintos de bala, ou estavam desfilando seus cabelos curtos já grisalhos e roupas mais discretas mas mesmo assim nutriam a mesma paixão pelo Metal de 20 anos atrás) até uma galera mais nova que está conhecendo o som das duas bandas agora.

O Harppia, após a mancada do show passado no Volkana (onde tiveram seu set, que já era curto, ainda mais reduzido de última hora pelos problemas técnicos que ocorreram na casa, leia aqui), pôde fazer uma apresentação com muito mais calma e tocar mais de dez músicas, em um set bem variando contando com os grandes clássicos do Metal nacional, além das novas composições que soam muito legais ao vivo.

E pode ter certeza que Jack Santiago (vocais), Kleber Fabiani (guitarras), Ricardo Ravache (baixo) e Fabrício Ravelli (bateria) estavam dispostos a fazer o chão do Blackmore tremer em, mais uma vez, um show de carisma e competência.

Entre as novas composições, o destaque no show foi, com certeza para (a já clássica) Metal pra Sempre, que sempre conta com uma ótima recepção e já tem muitos fãs com sua letra na ponta da língua emocionando Jack. Não posso me esquecer também da belíssima Vagando na Noite, com uma letra muito legal, e de Não Haverá Outro Amanhã, com uma letra consciente sobre os problemas atuais da humanidade e um instrumental bem pesado.

A ótima Metal Comando, originalmente do Centúrias, também fica ótima na voz de Jack e na roupagem mais pesada de seu instrumental que ganhou na versão do Harppia. Situação semelhante aconteceu com Neste Deserto, ótima versão de Desert Plains do Judas Priest, que também ganhou um instrumental mais pesado que a original e começou com uma brincadeira da banda tocando a música em inglês, mas parando logo na entrada dos vocais com Jack fazendo uma saudação ao nosso idioma, onde o guitarrista Kleber mandou um “Eu não sei tocar essa música em inglês” e recomeçaram com a versão em português.

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O final do show foi apoteótico com A Ferro e Fogo (com uma participação, mais uma vez, marcante da platéia) e Náufrago fazendo com que todos os presentes ovacionassem a banda.

Um problema na guitarra de Kleber, porém, causou um susto e quase impossibilitou os harppianos de tocarem o seu maior clássico, Salém. Após uma pausa para o ajuste na guitarra e de um improvisado e curto solo de bateria de Fabrício para passar o tempo, a banda executou com precisão a música e todos saíram satisfeitos ao presenciarem mais uma vez um dos grandes hinos do Metal nacional (que agora, tem inclusive uma versão em inglês gravada pela banda Monster e presente no novo CD dos caras No One Can Stop Us). Mais um show, literalmente falando, do Harppia e seus integrantes.

Finalizada a primeira metade do evento, ficava no ar a grande expectativa para o show de retorno do outro ícone do Heavy Metal nacional dos anos 80: era a volta do Centúrias, que não tocavam juntos desde 1988. Eles começaram a carreira, ainda antes que o Harppia, em 1980. A banda fez bastante sucesso com a comunidade headbanger naquela década e participou da primeira coletânea SP METAL em 1984 (juntamente com o Vírus, Salário Mínimo e Avenger); Dois anos depois lançou um EP intitulado Última Noite e, finalmente, em 1988, lançaram um LP completo, o ótimo Ninja, que tem diversos clássicos do Metal nacional como por exemplo a Metal Comando, sempre tocada pelo Harppia nos shows.

Após uma breve troca de equipamentos, o carismático baterista Paulo Thomaz (que também já tocou no Harppia), mais conhecido como Paulão, sobe ao palco e dá início à primeira apresentação do Centúrias, depois de 16 anos de inatividade.

O show, na verdade, foi uma grande festa, com a participação de vários convidados especiais, ex-integrantes, e muita agitação por parte do pessoal da velha guarda que realmente estava com saudade do som dos caras.

Da primeira fase da banda (da época do SP Metal e do EP) tivemos a participação do vocalista Eduardo Camargo, o tradicional Edu, que cantou algumas músicas clássicas do começo da carreira da banda, quando o Centúrias ainda era mais voltado para um Hard Rock setentista estilo Deep Purple e Led Zeppelin. O destaque desta primeira parte vai para a marcante Rock na Cabeça.

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Infelizmente, parece que Edu não estava se sentindo muito à vontade em cima do palco pois não se comunicou com o público e se limitava a fazer alguns “barulhinhos” com a boca nos intervalos das músicas.

Mas foi quando César “Cachorrão” Zanelli assumiu os vocais e a banda começou a tocar, um a um, os clássicos do álbum Ninja, que o show realmente pegou fogo. É impressionante que, mesmo após, tanto tempo sem tocarem juntos, a banda ainda mostra uma química muito forte no palco e ficou bem evidente a felicidade dos músicos com a receptividade do público.

A ótima Guerra e Paz, que já é maravilhosa em sua versão de estúdio, fica ainda mais energética tocada ao vivo com a participação de todos cantando juntos, outro destaque vai para Animal que também levanta até defunto.

Um único destaque negativo que eu não posso deixar de mencionar, eram algumas declarações polêmicas do baterista Paulão, que em determinado momento disse que “quem gosta de Metal não precisa estudar”, “estudar é pra viado”, e coisas do gênero. Como em todas profissões competitivas atualmente, o músico também precisa estar sempre com seus estudos e conhecimentos atualizados para não ficar defasado e acabar sendo passado para trás (infelizmente). Além do mais, em um país com tantos problemas, tanto desemprego e dificuldade social, a última coisa que alguém pode pensar é em parar de estudar. Não quero me alongar muito no assunto, mas espero que nossos inteligentes leitores não sigam o exemplo do simpático Paulão, um puta baterista, mas que podia ter saído sem essa.

Devido a uma forte gripe (que inclusive me deixou de molho o resto do final de semana até hoje), acabei não conferindo na íntegra a apresentação do Centúrias com todas as participações especiais, mas a impressão que me deu foi bem positiva, em especial da fase “Cachorrão”. Esperamos que a volta da banda seja algo definitivo mesmo e que tenhamos muito mais shows pela frente desses grandes ícones do Metal nacional. Um sábado nostálgico, mas muito legal. Parabéns às duas bandas e ao Heavy Metal brasileiro por mais um (bem sucedido) retorno!

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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