Resenha - Grave Digger (DirecTV Music Hall, São Paulo, 04/10/2003)

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Por Bruno Sanchez
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Chegamos ao Directv às 21h00 e a primeira coisa que me chamou a atenção foi a alta quantidade de pessoas com mais de 30 anos presentes na casa do show. Que o Gravedigger já é uma banda veterana, isso todos já sabem, mas que eles têm essa enorme quantidade de "tiozões fãns" isso realmente foi uma agradável surpresa.

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Mais ou menos às 21h30 as luzes se apagaram e o Harppia entrou no palco. O Harppia é uma veterana banda paulistana, formada em 1982, e que detona um Heavy Metal com influências de Judas Priest e Manowar mas tem uma particularidade interessante: todas as letras são cantadas em português!

Confesso que antes do show, já tinha ouvido falar mas não conhecia nenhuma música da banda a não ser a clássica "Salém a Cidade das Bruxas" e me surpreendi com a quantidade de pessoas que cantavam junto e pediam os sons. No geral é uma banda interessante, com um belo instrumental e uma boa presença de palco do vocalista Jack Santiago (que quando não está cantando, fica pulando de um lado para o outro fazendo coreografias agitando a galera). As letras das músicas em português acabam soando meio bregas com coisas do tipo "Metal pra sempre em nossos corações", mas se pensarmos que existem muitas bandas que cantam a mesma coisa em inglês há mais de vinte anos, a proposta da banda é normal. O destaque máximo vai para o baterista Fabrício Ravelli que simplesmente deu um show de Bateria conseguindo ser técnico e extremamente agressivo ao mesmo tempo! A banda fez um show relativamente curto tocando os maiores clássicos e dando o pontapé inicial para a espera pelo Gravedigger.

Uma pausa de 30 min, e a próxima banda a entrar são os Curitibanos do DragonHeart. Essa banda havia me gerado uma grande expectativa já que o último Cd deles "Throne of the alliance" é um petardo que arrisco dizer, é um dos melhores lançamentos do Metal nacional nos últimos anos. A banda pratica um Power Metal com influências de Gravedigger, Blind Guardian e alguma coisa do Rhapsody e tem a particularidade de apresentar 3 vocalistas! Isso mesmo, tanto os dois guitarristas quanto o baixista são os vocalistas da banda e se revezam com vozes mais agressivas e mais contidas. A idéia é fantástica, a banda é extremamente técnica e as músicas são boas mas infelizmente tenho que confessar que o show decepcionou... assim como acontece com o Rhapsody, as músicas do DragonHeart perdem muito em suas versões ao vivo e, para piorar ainda mais, o som da banda estava com problemas: não se ouvia a guitarra de André Mendes o que deixou o som ainda mais cru e pobre. É uma pena porque as composições realmente são legais e a idéia dos três vocalistas até que funciona bem ao vivo. Eles tocaram um setlist bem curto, com apenas quatro músicas, sendo uma, o cover de "Into the storm" do Blind Guardian. O destaque foi para a música "The Blacksmith" do último Cd que, mesmo com os problemas no som da Guitarra, agitou o pessoal. Para piorar ainda mais a situação dos Curitibanos, eis que no final do show o vocalista anuncia que os CDs da banda estavam sendo vendidos na porta do Directv pela bagatela de R$25,00. Onde já se viu uma banda vender Cds em porta de show por esse preço bizonho sendo que na própria galeria o CD custa R$18,00 e no Submarino estava à venda por R$23,00... realmente é neste momento que as bandas perdem a oportunidade de encantar o público e consequentemente conquistar mais fãns.

Mais uma pausa de 30 min e o locutor da casa anuncia "E diretamente da Espanha, a banda Avalannnnnnnnch". Essa era uma outra incógnita da noite, quem era a banda Avalanch? Ninguém lá no Directv parecia conhecer os espanhóis. A única referência que se tinha é que André Matos, o atual vocalista do Shaman e eterno arroz de festa, gravou duas músicas com a banda há algum tempo.

Para resumir o que aconteceu em poucas palavras: Deu pena dos espanhóis!

Eles literalmente estavam no lugar errado tocando para o público errado. A banda não toca Heavy Metal, eles tocam um Hard Rock que em determinados momentos lembra o Bon Jovi, em outros aquela banda "Maná". Ou seja, eles foram execrados pelo público que vaiava impiedosamente todas as músicas e jogavam copinhos e tudo mais que podiam nos músicos. Para piorar ainda mais a situação, eis que a banda em determinado momento resolveu apresentar alguns dos piores solos de guitarra e bateria que eu já ouvi na minha vida (e aliás quem é que inventou que solos de bateria podem ser interessantes?) e aí a galera veio abaixo mesmo, vaiando cada vez mais alto e praticamente não deixando a banda tocar seus "clássicos". O Guitarrista era até simpático e tentava puxar o público a todo o momento mas não adiantava, o Avalanch simplesmente não era uma banda para estar ali. As músicas são todas iguais praticamente e partem sempre do mesmo princípio: Uma introdução agressiva que lembra o Metal, uma parada dando a entender que a música vai virar uma balada, aí entra o vocalista murmurando a letra, quase chorando, vem um solo horroroso, a música quebra o ritmo, volta o vocalista chorando a letra e termina com o instrumental pesado de novo. Complicando ainda mais, as músicas são todas grandes com sete, oito minutos, o que deixava o público ainda mais puto. Um amigo meu descreveu bem a banda: Imagine se o Fábio Júnior (aquele cantor e pseudo-ator) formasse uma banda de Heavy Metal....pois é, ele formaria o Avalanch!

Agora vale a pena perguntar: De quem é a culpa desse fiasco? Do público não é, já que todos pagamos para ver o Gravedigger e não o Avalanch. Da banda também não, já que eles sempre fizeram esse som e vieram apenas apresentar o seu trabalho pela primeira vez em solos tupiniquins. Por eliminação chegamos à conclusão que a culpa só pode ser dos produtores mesmo que no mínimo deveriam ter ouvido um CD da banda para saber do que se tratava antes de colocá-los como banda de abertura para o Gravedigger. Lamentável e todos perderam nessa história: tanto o público brasileiro que agora deve ser odiado pela banda; quanto a banda que agora tem seu filme queimado no mercado local.

Bom, acabado o desastre, agora só nos restava esperar pela banda principal da noite que todos estávamos querendo assistir.

Passados mais 30 min, as luzes se apagam, a introdução começa e um belíssimo pano de fundo com o desenho característico da "Morte" Gravediggeriana aparece. Era o sinal que coisa boa vinha pela frente. O Gravedigger voltou!!!

Descrever como um show do Gravedigger é bom, é chover no molhado!!! Todos os integrantes da banda são EXCELENTES músicos, tem uma maravilhosa presença de palco pulando e correndo de um lado para o outro e agitando muito! O Vocalista Chris Boltendahl pode ser considerado um dos caras mais gente finas da história do Heavy Metal e não parava de agradecer ao público que respondia à altura cantando TODAS as músicas de forma emocionante. O setlist foi praticamente o mesmo do Cd "Tunes of Wacken" com o acréscimo de algumas músicas do novo Cd "Rheingold" e do penúltimo Cd "The Gravedigger". O som estava muito bom, você conseguia ouvir nitidamente todos os instrumentos da banda. O único "problema" era que a galera cantava tão alto junto, que às vezes encobria a própria voz do Chris, mas isso não era um problema, pelo contrário, o próprio vocalista fez questão de agradecer, prometeu que não vai mais demorar 6 anos para voltar ao Brasil e confirmou que o público brasileiro é um dos melhores do mundo.

E não era para menos, era só anunciar um dos clássicos da banda que o público vinha abaixo. E dá-lhe clássicos: "The Reaper", "Circle of Witches", "Scotland United", "The Dark of the Sun", "Excalibur", "Morgane Le Fay", "The Roundtable", "Twilight of the Gods", "Rheingold", "Lionheart", "Valhalla", "The Gravedigger", "Rebellion" (uma versão fantástica para entrar na história) e fechando com o hino "Heavy Metal Breakdown". Esse foi aproximadamente o setlist. Lógico que faltou uma música ou outra. Eu por exemplo estava louco para eles tocarem "The Final War" do Excalibur, mas não foi dessa vez que ouvi essa música ao vivo!

Fechando o review... o Gravedigger fez um show impecável que valeu cada centavo do preço dos ingressos!!! Já as outras bandas....

E para os produtores fica uma lição importante: fazer um show com três bandas de abertura cansa o público, especialmente se uma das bandas não for do estilo da banda principal!

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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