Resenha - Helloween (Via Funchal, São Paulo, 13/09/2003)

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Por Fernando De Santis
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Fotos por Ricardo Corsi P. C.

Mesmo com os termômetros marcando baixa temperatura na noite paulistana, os fãs da banda alemã, Helloween, estavam decididos a ver a nova cara do grupo criador do metal melódico. Clima frio do lado de fora da casa, mas quente antes mesmo de começar a apresentação. Nos bastidores, o Helloween queria a qualquer custo colocar o vocalista do Shaman, Andre Matos, para fazer uma participação especial no show, porém, os organizadores do evento não permitiam isso de forma alguma. Chegou-se ao ponto da turnê brasileira quase ter sido cancelada, segundo alguns integrantes da equipe do Helloween, mas no final, prevaleceu o bom senso e as intrigas foram deixadas de lado.

Infelizmente não subi a tempo de ver a apresentação da banda de abertura, o Seven Angels, mas os comentários gerais davam conta de que a apresentação havia agradado ao público. Com ingressos esgotados, com a casa cheia e ao coro de “Happy, happy Helloween”, foi anunciado a grande atração da noite. Andi Deris anunciou o clássico “Starlight” para o delírio dos fãs. Cantando de forma impecável, Andi mostrou que pode cantar qualquer música de qualquer fase da banda. Sem dar tempo para o público tomar fôlego, veio na seqüência outro clássico do primeiro disco; “Murderer”. Quem não tinha conhecimento do setlist, estava tendo muitas surpresas, mas a maior de todas veio na terceira música da apresentação: o maior clássico do Helloween, “Keeper Of The Seven Keys”, que não era executado ao vivo desde 1989, emocionou a todos que estavam no local. Ao olhar para os lados, dava para ver alguns fãs não tendo vergonha das lágrimas que escorriam pelos rostos e ao olhar para o telão, notei que Andi Deris estava tão emocionado quanto o público. Sascha e Weike executaram todas os solos perfeitamente, enquanto Stefan e Markus mantiveram o ritmo nesse clássico de mais de 13 minutos. Só essas três primeiras músicas já tinham valido mais do que as apresentações inteiras de 1996, 1998 e 2001, porém, vieram mais dois clássicos da época de ouro do Helloween: “Future World” e o hit “Eagle Fly Free”. Um começo avassalador, que provou a competência e o entrosamento do novo Helloween.

Passado a primeira fase do show, dedicado exclusivamente à fase “Kai Hansen”, o playback começou a tocar a introdução de “Hey Lord!”. Nessa música houve uma pausa no meio, onde Andi ficava cantando o refrão junto ao público. Em seguida, outra surpresa da noite: a balada “Forever And One (Neverland)” que serviu para o público relaxar... mas mesmo assim, o refrão foi cantado com muita empolgação. Destaque também para a execução do belíssimo solo, que deixou muito marmanjo emocionado. Voltando a fase Keepers, Andi anunciou outro clássico obrigatório: “Dr. Stein”, que durante a execução dos solos, deu para perceber o entrosamento perfeito entre Sascha e Weike. “If I Could Fly” foi a segunda balada da noite... confesso que não esperava empolgação por parte do público, mas me enganei completamente. Embora tenha um certo apelo comercial, essa música funcionou muito bem ao vivo.

Mas o show era de divulgação do disco “Rabbit Don’t Come Easy”... o leitor pode estar se perguntado: “cadê as músicas do disco novo?”. Pois bem, a primeira a ser apresentada foi “Open Your Life”, que parecia ter sido tocada em uma outra afinação. Segundo o setlist, após essa música deveria ser executado o single “Just a Little Sign”, porém Andi chamou ao palco André Matos, para uma participação especial em “Power”. Rolou a tradicional brincadeira do lado direito contra o lado esquerdo, só que desta vez André cuidava de um lado e Andi cuidava de outro. Foram 15 minutos de interação com o público que foi talvez o ápice da apresentação. “Back Against The Wall” foi a segunda faixa do novo disco a ser apresentada aos paulistas e manteve o nível da apresentação. “Sole Survivor” do disco “Master Of The Rings” foi anunciada, porém foi executada em uma velocidade diferente da original, muito mais cadenciada. Talvez isso tenha tirado o brilho da música e passou meio que desapercebida. Mais um single foi tocado; desta vez “I Can” do “Better Than Raw”. Houve a tradicional troca de “I Can” por “We Can” no refrão.

Em quase todas as músicas havia coreografias dos músicos (Sascha ainda precisa melhorar um pouco nesse quesito, mas isso realmente não importa), Michael Weikath demonstrava estar bem animado, Markus corria pelo palco e Andi, a todo momento acenava para o público. Nos intervalos das músicas, Andi conversava com o público numa mistura de inglês com espanhol e jurou amor ao Brasil. Com direito a introdução caprichada de Stefan, “Where The Rain Grows” fechou a primeira parte da apresentação.

Mais uma vez ao coro de “Happy, happy Helloween”, subiram ao palco apenas Sascha e Stefan, os dois novos integrantes da banda. Sascha executou um solo não virtuoso, porém muito interessante, até emenda-lo com a introdução de “Sun For The World”. Para a tristeza de todos presentes, a banda executou o começo de “How Many Tears”. Estava decretado o fim da apresentação... mas não faltou dedicação e carisma por parte dos músicos. Durante o solo, Sascha e Weike sentaram na beira do palco, ficando mais próximos a quem estava na grade. Ao final da música, Andi desceu no meio da galera para cumprimentar alguns fãs.

Sem dúvida nenhuma a melhor apresentação que o Helloween já fez no Brasil. Apesar do clima tenso antes do show, tudo ficou dentro do planejado. O público saiu do Via Funchal fazendo contagem regressiva para uma próxima passagem da banda pelo Brasil. Quando escrevi o review do disco “Rabbit Don’t Come Easy” comentei da originalidade do Helloween... o mesmo vale para o show que fizeram: Pra que escutar as bandas cópias, se o Helloween ainda está na ativa e ainda é o melhor no estilo?

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Sobre Fernando De Santis

Paulistano, nascido em 1979, Fernando De Santis passa grande parte do seu tempo viajando entre São Paulo, Santos e Curitiba. Nas horas de viagens dentro de ônibus ou aviões, costuma ouvir Hard Rock, Heavy Metal e demos de qualquer estilo. Atualmente trabalha como webdesigner para o Estado de São Paulo. Mantém o site "We Burn", dedicado ao Helloween desde 1998, que nunca lhe trouxe nenhum dinheiro, mas rendeu muito amigos.

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