Resenha - Deep Purple (Classic Hall, Recife, 13/09/2003)

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Por Thiago Ianatoni
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Originalmente publicado no site www.hmsbrazil.com

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Um senhor de médio porte, barba e cabelos brancos visivelmente bem aparados, passava próximo as minhas vistas. Junto, uma mulher de aparência simples e pouca maquiagem e filhos, um garoto com espinhas na cara e uma camisa do Angra, uma menina de blusa rosa e apetrechos punk, pulseiras e cintos de couro repletos de tachas prateadas. Imagens como essas completavam a imensa horda de camisas pretas com estampas das mais variadas bandas e longos cabelos que lotavam a maior casa de shows da América Latina.

O Classic Hall ficou pequeno para receber caravanas das mais distantes cidades e estados do Nordeste, todos estavam lá para ver um sonho se realizar e presenciar um grande show. Três gerações uniam-se para venerar os pais do rock, e simplesmente, não é exagero, o Deep Purple é tão bom que qualquer elogio é pouco para eles.

Abrindo a noite, o grupo local Má Companhia agitou a galera com covers muito bem interpretados de petardos como “Wish You Where Here” e “Satisfaction” do Pink Floyd e Rollings Stones.

Próximo à meia noite, as luzes se apagaram e envoltos pela fumaça sobem ao palco Ian Guillan, Roger Glover, Ian Paice, Steve Morse e Don Airey. Não era um sonho, estávamos realmente diante do Deep Purple! Sorrisos se abriam nas faces maduras dos fãs mais antigos, gritos ensandecidos eram urrados pelos recentes fãs. Mãos levantadas ao céus agradecendo aos deuses. E a confirmação de que os mesmos entenderam as graças veio em forma de “Highway Star”. Começava o show. Todos pulavam. Os mais velhos tentavam embarcar na vitalidade dos garotos, estavam lá no meio também, vibrando, cantando, admirando. Musica após musica, entre clássicos como “Smoke On The Water” e “Hush” e as explosivas músicas do novo álbum, Bananas.

A cada canção tocada, o grupo mostrava-se digno de admiração, a alegria de Ian Gillan no microfone contagiava o público presente, bem como sua qualidade vocal. O frontman explicou sem palavras como se chega a sua idade com agudos poderosíssimos e inteiros. Glover, no seu estilo tiozão surfista, bandana brilhante na cabeça e camisa branca à cigana e Ian Paice, outra figura fantástica, fizeram uma cozinha sem muitos destaques. Tocaram de forma alegre, com perfeição e simplicidade.

A grande expectativa era mesmo a apresentação de Steve Morse e Don Airey. Ambos substituíam nada menos que Ritchie Blackmore e Jon Lord, Lendários fundadores da banda. Morse, aparentemente, mas só na aparência, o mais garotão, foi um show à parte. A cada interseção que fazia, uma aula de guitarra, virtuosismo, técnica e acima de tudo carisma. Airey surpreendeu mesmo o publico com mais bagagem, conhecedores de seu extenso currículo, que conta com nada menos que Rainbow, Ozzy Osbourne, Whitesnake e Jethro Tull entre tantos outros. O tecladista, num primeiro momento, entre uma e outra passagem clássica, soltou uns acordes de “vassourinhas”, hino do carnaval pernambucano. Nesse momento ouviu-se suspiros. Na segunda oportunidade mandou a musica tema de Star Wars de John Williams. Pronto! Todos foram a loucura, os gritos mais pareciam histeria.

Quase todos os clássicos foram tocados e todos eles foram cantados quase que em uníssono pelo público presente, “Highway Star”, “Smoke On The Water”, “Hush”, “Knocking At Your Back Door”, “Black Night” e “Perfect Strangers”. Caramba! estava pago o show.

Quanto às músicas novas, o público local parecia não estar familiarizado, nem por isso deixou, mesmo que contido, de bater cabeça durante “House Of Pain”, “Bananas”, “I’ve Got Your Number”, e se emocionar na hollywoodiana balada “Haunted”.

O grupo, que fez a batida história de agradecer, sair de palco e após ouvir os suplícios dos fãs, voltar, realizou um show de mais ou menos duas horas, com presença marcante no palco, sorrisos verdadeiros, dignos apenas daqueles que fazem o que fizeram por que amam a profissão, pegadas poderosas, qualidade incontestável, e uma vitalidade invejável. Um sonho realizado de uma vida, uma aula de energia e vontade para todo o sempre.

Ao Deep Purple, Obrigado!



Por Daniel Queiroz

Um momento quase inédito na vida da maioria das pessoas que lotaram o Classic Hall ontem a noite para ver o Deep Purple, pessoas vindas de diversas cidades, eu mesmo fui de Maceio, 250 km de Recife para ver a banda. Encontrava-se lá gente de quase todo Nordeste, todos esperando impacientemente e nervosamente pela chegada ao palco dos músicos do Purple. Interessante notar a mistura de idades presentes, dos 13 aos 50 tinha gente querendo ver a banda.

Depois dos micos do telão que mostrava cenas do Skank, Lulu santos, Xuxa e Zezé di Camargo, todos seguidos de sonoras vaias e acompanhados dos mais diversos palavrões, entra em cena a banda local, Má Companhia (o interessante é que nos anos 70 a banda Bad Company é quem abria para o Purple). A Banda fez o que toda banda de abertura deve fazer; esquentou o publico com rock and roll básico e eletrizante dos clássicos mais manjados, como Suzie Q, Satisfaction, Cocaine, Don´t let me Down, entre outros, sempre, seguidos de aplausos e muitas vezes dos gritos de "Deep Purple! Deep Purple!".

À 00:00 o Palco escureceu e a banda entrou com "Highway Star", simplismente perfeita. O público foi ao delírio cantando a música do início ao fim. A acompanhando o clássico solo, um êxtase coletivo. Depois veio "Woman From Tókio", igualmente acompanhada com a mesma euforia. Logo após "Silver Tongue". O publico pernambucano foi ao delírio quando Don Airey tocou o tema "vassourinhas", clássico do frevo pernambucano no seu solo de teclado, antes da banda entrar tocando "Lazy".

O show deu uma acalmada com a seqüência de músicas do disco Bananas, "Contact Lost", "Haunted", "Bananas".

"Knocking at Your Back Door" fez o público explodir de novo. Depois veio "House of Pain". "Perfect Strangers" fez todos cantarem do início ao fim.

Um momento que deixou todos surpresos foi quando Morse, Glover e Paice começaram a tocar "Moby Dick" do Led Zeppelin, algo inusitado, quando esperava-se um solo de bateria. Depois de Moby Dick, diversos temas clássicos do Rock and roll. A galera explodiu cantando "Honk Tonk Woman", apesar desses temas serem apenas citações instrumentais, introdução para "Smoke on the Water". A galera vibrou e cantou o clássico do inicio ao fim. E assim terminou a primeira parte.

Depois dos já tradicionais gritos de: “Volta! Volta!”, voltaram com "Hush", "I´ve Got Your Number", e encerraram com "Black Night", novamente cantada em coro por todo o público, que saiu do Classic Hall com a certeza de terem assistido um grande show de rock.

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