Resenha - Nevermore e Krisiun (A1, São Paulo, 19/10/2001)

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Por Thiago Sarkis
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Andreas Kisser - Necromancia
As mais de trezentas pessoas que compareceram ao A1 (antigo Floresta), no primeiro dia de apresentações de Krisiun e Nevermore, passaram por sensações das mais diversas possíveis. De raiva a alegria, do frio ao calor.
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No começo, tudo parecia errado. Por mais de uma hora, um público considerável foi obrigado a ficar do lado de fora da casa, levando chuva forte, e ouvindo as bandas, atrasadas, fazerem suas passagens de som. Como se não bastasse, não havia sequer uma bilheteria e/ou barraquinha do lado de fora para vender ingressos para os retardatários. Tudo era feito dentro do A1, o que atrasou ainda mais a vida dos presentes.

Necromancia
O Necromancia adentrou o palco, mais de uma hora após o previsto, com a responsabilidade de acalmar uma já irritada e encharcada massa. Contando com a participação especial de Andreas Kisser (Sepultura), e apresentando um bom thrash metal, o grupo conseguiu cumprir seu papel, e foi bem agradável. Não chega a figurar como grande promessa brasileira, mas é interessante e teve a regularidade necessária para afastar a impaciência que pairava no ar.

Após a última música do pessoal do ABC paulista, veio a dúvida: quem seria o primeiro? Krisiun ou Nevermore? Foi nessa hora que fez-se visível o bom senso dos organizadores, que desistiram do equívoco inicial, de revezar os conjuntos nas funções de abertura e fechamento do espetáculo.

Krisiun
O Krisiun, grupo de maior expressão do Brasil na atualidade, deu mais uma prova de sua absurda competência. Com um repertório impressionante, de qualidade técnica indiscutível, conseguiu enlouquecer seus fãs, e deixar abestalhados aqueles que não o conheciam.

Aos olhos atentos de João Gordo, Andreas Kisser, e de quase todos os integrantes do Nevermore, a banda fez mais uma apresentação irrepreensível, tendo em seu set desde “Hunter Of Souls”, de 1995, até “Evil Gods Havoc”, de 2001.

Moyses, Alex e Max fizeram uma verdadeira maratona física. Velocidade e pancadaria o tempo todo. O metal extremo ganha outra conotação em suas músicas e shows. Pode levar esse título tanto pela agressividade, quanto pela técnica de seus integrantes, que realmente, como a referência ao estilo já subentende, chega a pontos extremos.

Krisiun
Aqueles que afirmavam que eles usavam bateria eletrônica e/ou gravavam take por take dos solos de guitarra, puderam ver que a coisa não funciona bem assim. Porém, é possível compreender suas afirmações. Não é fácil acreditar nos solos desumanos de Alex, ou na velocidade de Max, destruindo os dois bumbos durante mais de uma hora.

Set list
1) “Kings Of Killing”
2) “Hatred Inherit”
3) “Dawn Of Flagelation”
4) “Soul Devourer”
5) “Ageless Venomous”
6) “Hunter Of Souls”
7) “Evil Gods Havoc”
8) “March Of Black Hordes”
9) “Vengeance Revelation”
10) “Apocalyptic Victory”
11) “Creations Scourge”

Andreas Kisser, assim como uma série de outras pessoas, saiu logo após o fim da apresentação do Krisiun. Que pena pra ele, pois perdeu um dos maiores shows de metal que o Brasil já viu.

Nevermore
Warrel Dane e seus companheiros, fizeram um show digno de banda principal de Monsters Of Rock, e outros festivais de grande porte. A espera pelo Nevermore valeu a pena. Dezessete músicas compunham um set list incrível, que abordava todas as fases da carreira do grupo, incluindo aí os anos que antecederam sua existência, com o Sanctuary. Seus integrantes passavam uma energia tal para os presentes, que fica difícil descrever. Foram figuras valiosas por mostrarem o principal para o sucesso de um show: o desejo de estar ali e agradar. E conseguiram, mesmo com o som apenas regular do local.

Interagindo completamente com os presentes, a banda distribuiu água, cerveja, e puxou, a todo instante, integrantes da platéia para o palco. Warrel Dane dava permissão para seus fãs subirem, mas os responsáveis pelo local pediam disfarçadamente para que a bagunça parasse.

Missão impossível. Com o principal instigador sendo o vocalista, e com músicas como “Inside Four Walls”, “The Seven Tongues Of God”, “Beyond Within’” e “The Sound Of Silence”, a situação se tornou irremediável.

Nevermore
Além de carismático, Warrel Dane foi impecável nos vocais. É um dos maiores cantores do metal na atualidade e deixou claro que leva as músicas da maneira que bem entende. Se hoje ele não vai a pontos extremos de técnica como no Sanctuary, é simplesmente porque não quer. “Battle Angels”, “Taste Revenge” e “Sanctuary” foram provas disso.

Jeff Loomis e Van Williams são outros fenômenos. O primeiro chamou atenção pela técnica exuberante, e riffs pesadíssimos. Além disso, consegue levar melodias inimagináveis aos solos de guitarra. Já o segundo, se destaca pelo inverso, dando consistência ao lado mais bruto e agressivo do Nevermore. São elementos imprescindíveis, que soam ainda melhor ao vivo.

Se um dia eles vão voltar não se sabe. Mas, caso isso aconteça, que sejam agendados para um lugar maior e melhor, nem que seja por uma data apenas. Fizeram esse alvoroço todo em condições precárias. Imagine com um som melhor, mais público e espaço.

Set list
1) “Narcosynthesis”
2) “Engines Of Hate”
3) “The River Dragon Has Come”
4) “The Heart Collector”
5) “The Seven Tongues Of God”
6) “This Sacrement”
7) “Beyond Within”
8) “Dreaming Neon Black”
9) “Battle Angels”
10) “Taste Revenge”
11) “Sanctuary”
12) “Inside Four Walls”
13) “What Tomorrow Knows”
14) “Silent Hedges”
15) “Next In Line”
16) “Dead Heart In A Dead World”
17) “The Sound Of Silence”

Nevermore – http://www.the.nl/nevermore
Krisiun – http://www.krisiun.com.br
Century Media Records – http://www.centurymedia.com.br

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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