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Publicado originalmente no site do
PROGRAMA MOSH (www.programamosh.com)
Muito se falou e ainda se comenta sobre o fraco público e o cada vez mais escasso número de shows na Cidade do Rio. Tá certo, andamos apagados em relação a cidades como São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte no que se refere a rota de shows, entretanto o Rio de Janeiro está mais vivo e ativo que nunca. Há muito mais falta de informação e exagero com a situação do que realmente ocorre ao cenário carioca. O exemplo digno para isso foi a realização do Metal Rules, no último 16 de Dezembro e que contou com a apresentação de três grandes bandas já conhecidas nossas e ao Brasil todo: Sigma 5, Allegro e Thoten.
Eis aqui a falta de informação e exagero a que me refiro: Um evento realizado em plena terça-feira chuvosa que leva aproximadamente 400 pessoas não deixa margem para que ainda se cogite falta de público. Faltam eventos? Sim, mais precisamente faltam pessoas que os endossem, empresários e produtores que pensem e compreendam de uma vez por todas que é rentável e que existe público garantido.
2003 foi assim. Dos eventos do Metal Invaders aos shows de Metal realizados no Ballroom. Do mais recente de todos, o Metal Rules, aos tantos outros que rolaram em 2003. Um exemplo para a mídia e os descrentes que só contribuem para gerar uma imagem negativa e, muitas vezes, tirarem algumas bandas da rota do Rio pela negatividade dos comentários completamente equivocados, e alguns, diga-se de passagem, por pura implicância, e que fazem com que tudo seja distorcido. Alguém ainda acredita que shows como Marduk, Grave Digger ou Dark Funeral seriam fracasso no Rio?
2004 tem tudo para ser o ano do Heavy Metal para o Rio de Janeiro. O ano para mostrar que aqui tem público, aqui tem eventos e, sobretudo, aqui tem algumas das melhores bandas deste País. Não há razão para desmerecer nem criar rixas com cidade alguma de nosso Brasil. Cada cidade, cada fã, cada um merece ter a oportunidade de assistir suas bandas preferidas, seus ídolos.
O raio de Sol, casa onde foi realizado o evento, pareceu ser uma ótima opção para futuros shows. Embora ainda não seja um lugar tão apropriado e com pouca acústica. Toda a produção do evento foi ótima, somente a galera da técnica que vacilou por várias vezes em manter o som excessivamente alto, incomodando a muitos presentes que tapavam seus ouvidos com o excesso de agudos insuportáveis, agravandos ainda mais pelas condições acúticas do local.
Sigma 5
A banda Carioca que conseguiu sagrar-se por sua diferenciada temática de letras em português num Prog Metal competente, mostrou que mesmo depois da saída do frontman, Riq Ferreira (atual Thoten) tem tudo pra continuar seu excelente trabalho. A julgar pelos músicos, o Sigma sempre foi notavelmente admirado por sua extrema competência e composições excelentes. O Show começou às vinte e uma horas, e rolaram em sua maioria músicas presentes no ótimo álbum, “Busca”.

Toda a banda apresentou uma presença de palco boa e técnica excelente. O show só perdeu por ainda não ter muito do público que ainda chegava, mas os que ali já estavam puderam curtir e agitar, e a banda deixou o palco saudada por todos.
Allegro
Mais uma grande apresentação do quinteto carioca que mescla melódico com levadas Prog e Power. O Allegro vem se solidificando como uma das grandes bandas do País. Fato merecido e devido ao entrosamento perfeito entre a atual formação. Aqui o destaque vai integralmente para a banda. Ilton continua matador e incomparável na voz, Bruno habilidoso como nunca, mostrou o que sabe em seu solo de teclado. Lula ágil como sempre, Fabiano marcando o ritmo com perfeita harmonia e vigor e Pablo, embora seja o menos participativo no palco, não deixa nada a desejar com seu baixo.

Sem desmerecer as demais bandas que também recebem nesta resenha destaques individuais por suas performances, eis aqui a grande apresentação da noite.
Thoten
E sobe ao palco o desacreditado (por muitos) Thoten. Sim, pois este foi um pensamento logo após a saída de Renato Tribuzzy. Ou Acabado Thoten, como o próprio Riq contestou perto do fim do show. Este foi o primeiro com a nova formação e entraram para desmentir os boatos e mostrar que esta é mais uma das boas bandas do Rio e que estão ativos e determinados a mostrar no próximo ano a força que possuem.

Todos da banda apresentaram uma ótima presença de palco, mas cabe um destaque que pra muitos foi excesso e exagero poser: Alex Meister. Destaque por sua performance e virtuosismo durante toda a apresentação, mas que parece ter perdido um pouco do brilho justamente onde deveria ter mais evidencia: em seu solo. Em pleno século 21, parar um show para que um solo de guitarra seja executado, é preciso que seja algo tecnicamente expressivo, que levante admiração por leigos e entendidos, o que não foi a reação de muitos. E o mesmo pode ser mantido para o Solo de bateria que surgia quatro musicas após. Dois momentos que se notou uma reação de implicância e uma certa rejeição em parte da platéia. Mais uma vez, Riq está impagável com sua presença de palco e sua potente voz, que ainda levou o cover de Dickinson “The Tower” e o clássico do Maiden “Flight of Ícarus”.
É, o Thoten não morreu e sequer está definhando. Dependendo da maior receptividade do público para com essa nova formação e com um repertório mais voltado as suas próprias composições e sem solos desnecessários, o Thoten poderá afirmar sua força de uma das grandes bandas do pais no próximo ano.
Parabéns as três bandas que realizaram um belíssimo evento. Que 2004 seja, em fim, o ano derradeiro para todas as bandas cariocas e o ano pra provar a força da cidade para todo o País.
Agradecimento: Wanise Plischke e Live in Brazil
www.diaderock.com.br: Veja as fotos de quem foi no show e compartilhe as suas.
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