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Rock Faz Bem

Por Ricardo Seelig | Em 21/02/07
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O rock faz bem. Com ele, me sinto vivo. É a primeira coisa que eu escuto de manhã. É a trilha dos meus dias. Ele me dá prazer. Cerveja, pão, linguicinha e rock and roll. É muito bom conversar com os amigos com uma cerveja gelada na mão enquanto o rock and roll rola no talo.

É com ele que eu me expresso. É só ver o que eu estou escutando que você saberá como eu estou me sentindo. Eu não imagino como seria a minha vida sem o rock. Eu não gosto de outro estilo de música. Não ouço reggae, não ouço blues, não ouço jazz.

Minha vida não está completa sem uma guitarra distorcida. Tudo bem, tentei tocar, mas não saí do chão. Aprendi a voar fechando os olhos e deixando a música me levar. Já fui bem longe, naveguei, olhei de cima, encarei. E voltei para contar tudo isso para vocês.

Já fui igual a esses milhares de fãs radicais, obcecados com o que os seus ídolos estão fazendo, que sempre acha que os trabalhos antigos são os melhores. Já fui um radical, que achava que tudo que não tivesse peso era uma merda. Que bom que eu cresci.

Ouvi muitos discos na minha vida. Muitos. Muitos. Mas muitos mesmos. E elegi as bandas que mudaram a minha vida, as que eu mais gostei de ouvir. Iron Maiden lá em cima, as outras um pouquinho abaixo. Nomes como Beatles, Led Zeppelin, U2, Dream Theater, Wilco, Coldplay, Anthrax, REM, Rolling Stones, Who, Iced Earth, Beach Boys, Pink Floyd, Pearl Jam, Police, Neil Young, Eric Clapton, Concrete Blonde, Cult, Cure, Foo Fighters, Iggy Pop, Judas Priest, Kiss, Satriani, Steve Vai, Nightwish, Oasis, Steve Miller, ZZ Top. A lista é grande, como toda lista feita por alguém que já viveu vários anos, já bebeu todas, já passou dos trinta, já fez suas escolhas, já tem as suas manias.

The Thrills é a mais nova delas. Essa banda é muito boa. É aquela que eu ouço e digo “se eu fosse músico, as músicas que eu faria iriam soar assim”. Eles são a bola da vez, e pode ser que daqui a seis meses eu já tenha descoberto outros caras. Mas Let´s Bootle Bohemia e So Much For The City passaram do ponto, fizeram meus neurônios entrarem em curto, colocaram mais cor nas minhas tardes de sábado.

Gosto do que eu faço. Propaganda e rock and roll. Escrever ofertas matadoras ao som de Iron Maiden, falar sobre a nova cara institucional de um cliente ouvindo U2. E, se não houver trilha, os textos saem bem diferentes, mais pobres, sem vida, sem calor.

Esses dias fui comprar um dvd. Não lembro qual era, só sei que encontrei dois adolescentes na loja, 15, 16 anos, naquela idade em que o metal faz o maior sentido em tudo o que a gente faz. Entrei na conversa. E ela era sobre o velho e divertido clichê: qual é a melhor banda, qual é o melhor disco, qual é a melhor música. Iron Maiden, Powerslave, Hallowed Be Thy Name. Apesar da diferença de idade, as opiniões eram as mesmas. Mas as semelhanças paravam por aí. Adianta tentar mostrar para alguém que está absolutamente apaixonado por heavy metal o quão bela uma canção como “One” é ? Adianta falar que quando você estiver deitado ao lado de uma mulher, a última coisa que você irá querer ouvir será “The Number Of The Beast” ? Vale a pena tentar mostrar que, em uma tarde de sol a beira de mar, daquelas em que para todos os lados que você olhe você só enxerga aqueles enxames de mulheres de saia e pernas de fora, o que você mais vai querer ouvir é o bom e velho Ben Harper ? Não, não adianta, porque existe tempo para tudo. Eu era assim, e é muito bom ser assim.

E a coisa fica realmente boa quando você percebe que existem muito mais coisas do lado de lá do muro do que você poderia imaginar. Quando você ouve “London Calling” pela primeira vez seus olhos brilham. Quando você descobre Tom Petty, muito coisa começa a fazer sentido. Quando você se pega sorrindo, brindando com os amigos aquela cerveja gelada lá do começo, você pára um pouco, presta atenção e percebe que o que está tocando no som é “Beautiful Day”.

Eu gosto de escrever. Quem lê, sabe disso. Mas gosto mais ainda de rock and roll. E quero que você, que está aí, lendo, ouvindo e pensando, sentado na rede ou no sofá, com os pés para cima sem fazer nada, entenda que, com boa música, a vida fica melhor ainda.

Ouvindo:
U2, Man and a Woman.

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig colabora com o Whiplash desde 2005. É o editor do blog Collector´s Room, um dos mais lidos do Brasil, e colaborador da revista poeira Zine.

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